JANGADA À DERIVA NÃO PRECISA
Descobri que ainda sou capaz
Do sorriso singelo de criança
De caminhar com tato audaz
De conduzir a vida numa onda
De compasso harmônico do jazz
Na jangada de esperança
Que balança, mas não cai.
No destino uma mesa pronta
Com famintos para me devorar
Ironia é bater os pratos, e SAI.
A alegria mulata em um samba
Assim a prisão se desfaz
Do medo sem confiança
Do rancor de se amargar
Do sexo cheio de trancas
Vão como brumas com vento
Uma jangada ao luar
Esse mal vai se afastar
E me descubro na deriva
Sob o mistério da lua
E o horizonte me arrebata
Tudo aquilo que queria
E não me imaginava capaz
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ








