O mundo desigual entala o grito
Deserda o mais simples sorriso
Soleira obscura do inconsciente coletivo
Geram frequências indigestas
Esfumaça e sufoca o mito
a vergonha do bicho homem
Porque essas almas nem frestas
de esperança hão de ter
A impotência das mãos solidaria
As deixa tão fracas
Faz Deus escapar do crente
esta além da estética da fome
Quanto à criança sem massa
Sem caça
Sem ter o prover
Vive estação eterna do auto luto.
Anseio extenuante é o que lhe resta
Porque a dor já não sente
Expressa no olhar de auto definição
A busca de luz para sombrio vulto
Silencio de mil palavras
Nesse mundo sem existência
Ainda vivas e já enterradas
Pelo esquecimento das castas
Sem a possibilidade de ser
Sob os tapetes emergentes
É a estiagem do fosso
Talvez não seja ético
Reclamar de esperança cheia
Porque além de todas as incoerências
É a Mãe ver secar seu fruto
Sob a fauna e flora do limbo
Longe dos grupos excursionistas
E do avanço cibernético
Faz tremer os punhos do poeta
Num apelo do desespero
Por humanitários ativistas
Que se unam para reversão
Dessas linhas tortas
Que nos fazem absortos
Dessa realidade funesta
Desse quadro de África morta
Para não mais escrever
Um poema que já nasce morto.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ
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