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quinta-feira, 9 de maio de 2013

MÃE E O COLCHETE QUE ACALENTA

MÃE E O COLCHETE QUE ACALENTA

Mãe menina
Gerou um doce Carolina
Cuja essência das aguas salgadas
E sua realeza é o amálgama
Das nossas profundas buscas
Que sagra nossas sinas
É menina mãe e puro acalento
No inconsciente do oceano
Que a mazela nos engana
E de cerne límpido
A filha olha nosso lado insano
De lá revela o que somos
Com ternura sem julgamentos
Há também, a afetuosa Camila.
Da dança das cachoeiras
Alma agitada da menina levada
É o prisma da felicidade arteira
Dona do sorriso que embarcamos
Nas ondas dessa vida alada
E a mãe menina quando ralha
E repreende a palmada
Chora mais que a filhinha
Da bunda marcada
Porque ambas ninas são amadas
Esse é o meigo da poesia falada
E que saiba mãe menina
Que nossas trilhas desatadas
São contos das lidas predestinadas
Se aceita fluir dessas passadas
É transformação não destroços
Nem o fel deprimido do rancor
Isso apenas gera remorso
Contorcido nas noites caladas
Pelas filhas afetuosas acarinhadas
Rogo o sentir da mãe sagrada
Ninas são colchetes a ampará-la
E refletir dos meus passos na estrada
Como no vulcão de Ayrá
Viverá erupções de amor
Assim será eterna bênção
E meu olhar para ti com louvor
SÉRGIO CUMINO
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

OGUM A MAGIA DO CUTELEIRO

OGUM  A MAGIA DO CUTELEIRO
Tem batuque no Ilê
Com canção aos caminhos
Ano começa nos destinos
Na magia do maryô
Ogunhê ê ê ê ê!!!
É à força do meu berro
Meu grito de amor
Para o borí tem manjar
A feijoada entorna
Junto ao Orô Vibrar
A festa do rei do ferro
Bate cabeça a realeza
Antes que esqueça
Nessa vida caminhada
Caminho é consciência
Afino o fio do pensamento
Na força do orixá cuteleiro
O dono das estradas
Dar-se forma ao guerreiro
Útero da  espada é a bigorna.
Do ventre astral meje
Pelo chacoalho do adjar
O rum começa a rezar
Nos repiques das varetas
Declino-me perante meu Baba
Vivencio o respeito de Yao
Para perguntar aos orixás
Qual o rumo a trilhar
Dizem sem pestanejar
Que o coração mandou!
É Lança forte da fé
Pela estrada de Ogum
Florescem a cada gesto
Com reverencias sagradas
Das Yabás e dos Orobôs
Posso ir de norte a sul
Porque não me atingira
 Mal olhado ou camburucu
Tornou o inimigo cego
Decepou o mal falado
 Pelo brilho do axé
SERGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

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sábado, 6 de abril de 2013

REDENÇAO SEM TEOREMAS

REDENÇAO SEM TEOREMAS
Programado esfumaça ao inusitado,
Novo, é outra dimensão,
E os passos desacertados,
É o desenho de um mundo
Esboçado pelo realismo fantástico,
Pé depois outro pé
Onde os caminhos projetados
Tem a interferência mística
Arquétipos profundos
Germina a bússola da intuição
Põe a prova toda fé
A duvida é a pedra dos afogados
Que mais que queira recusar
Não há cadeiras a negação
Nos leva ao caminho singular
Que nosso cego pragmatismo
 Jamais concebia, imaginava parar.
E o horizonte assume seu papel
E faz das marchas uma aventura
Mística, romântica, de ruptura.
Dando um colorido especial
Sem espaço para sofismo
Pois há dor a queda das estruturas
Floresce novas conjunturas
Cresce como bolero de Ravel
Ao humano extrassensorial
O encanto se faz a:
Sombra do incerto e a luz da Interação,
Assim constrói a releitura do dilema,
Razão e o instinto animal
Feita com brilho no olhar
E o sentir do coração
Percebe que a alma renova
Traduz-se num belo poema
 Segue que com suas pernas,
O feito na aposta incerta
As veredas posta a toda prova
Assim se sente cada emoção
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ
 
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

AOS HOMOFÓBICOS DE PLANTÃO

AOS HOMOFÓBICOS DE PLANTÃO
Desculpa-me caro leitor
 A falta de malandragem
De golpes milionários
Mídias sanguinárias
Exuberância do banal
É o que passa por essas paragens
Uma moral ordinária
Com, deputado homofóbico.  
Que faz a fé passar mal
Bate fundamentalismo no pleito
Afronta a inteligência do cidadão
Nivelada por baixo
Escreve com mão de chagas
Sem linhas de peregrinação
Ignoram que o país é laico
Sem nenhuma objeção
Multiplicam-se como pragas
Não interessa a eles minha religião
A questão não são as crenças
Ha também as diferenças
Esperança de mundo novo
E a oportunidade bate
As portas corta fogo
Com isolante de ofensas
Para fazer parte da cota
E não estatística do abate
E garantir sua vaga
Sobreviver nessa vida ingrata
Onde mais idade padece desigualdade
Montante da discriminação
De um sistema que ralha
Uma sociedade de chacotas
Quem precisa não ha acessibilidade
Prestativo missionário
Preservativo de broxa
Maquiavélico em cristo
O Sanguessuga prosaico
Fogo no rabo do negro
É lareira de muita Carlota
E as lady das paradas
Com bandeiras listradas
Vive constante risco
De serem mortas como baratas
A mando desse bispo
Entre os falidos de falo
“ Muller te esbofeteio”
O resumo da opera
Democracia é para minorias
Numa ditadura de massas
Parece que sou otário
Dentro desse cenário
O mórbido é o descaso
Marca-se cada talho
Das mesas do plenário
Nem tenho talento para tanto
Mas quero que me veja
Sendo assim saio vociferando
Solto aos quatro cantos
E que ecoa esse chega
A indignação dos solitários
Um, puta que o pariu e dois caralhos
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

segunda-feira, 25 de março de 2013

MINHA FAUNA AFLORA

MINHA FAUNA AFLORA
Olhar busca o etéreo
Recebe o que arrepia
É horizonte e interno
Nas profundezas do mim
É o sonho que assovia
E da paz à vontade
Sentido aos infernos
Altivez ao que deprecia
Como sons de clarins
Espirito dos viajantes
Ao mundo que não sabia
Onde não depende
Senha, pauta, petição.
Contrapondo o que é afim
É seguir doravante
Sentidos têm outras vias
O provir esta além
E tudo que deliciam
Para liberdade amar
Viver é participar de cada aula
Sol muda em instantes
E o degrade radia
Clarividência e a mente
Agora somos que vemos
Integra-se a fauna
Na arte da lente
Desejos na fotografia
Vive-se um novo ventre
Projetado ao mirante,
Planície da alma
 E sua supremacia
E põe-se a meditar
E aquela cachoeira adiante
Onde a vista pode alcançar
Há véu de essências
Do meu bem querer
O segredo é dizer
Para o suspiro banhar
Sem reticências.  
Avante se vê o mar
Imergi no seu oceano
Útero do inconsciente
Laboratório do caos
E vir novos signos da fé
E torna-se catedral
Entende o ser que é
Avista o que se tem
Respeita o que vê.
Com respirar profundo
Testemunha o crepúsculo
Meu equilíbrio para o mundo
 
SÉRGIO CUMINO

quinta-feira, 7 de março de 2013

CADE VOCE MULHER?


CADE VOCE MULHER?

Cade voce mulher?
Que tanto anseia, e não arreda pé.
Não tira o véu para se sentir
Procura-se e esquece-se do que é
De uma espiada por trás da cortina
E sinta os caminhos que está por vir
E assim quem sabe ao invéz de,
Na ciranda do despetalar da margarida
tremer quando puxa o bem me quer
Veja que o te reservas vai além do manto
Percebas que através do pranto
A mãe terra que hidrata suas raizes
Os ventos a faz guerreira
O pulsar de suas inquietudes cria o mar
E seu amor como cachoeira
Berço da intuição divina
E dominas a magia do amar
É fruto abençoado desde menina
Em qualquer cultura é matriz
É a força que o homem inveja
Por isso a birra de reizinho
E participa do circulo de giz
Bate o pé emburra o menino
E acredita ter o mando da peleja
E até na subserviência e generosa
Olha contemplativa e diz assim seja
No fundo nesse jogo imaturo do meu
Que por muitas vezes deixa-se jogar
No íntimo da fé sabes o que Deus lhe deu
Porque sabes a hora da ribalta terminar
Nao são suas mãos, mas o coração que caleja.
E sabes quando chamar sua cria para jantar

SÉRGIO CUMINO

Homenagem ao dia internacional da mulher

terça-feira, 5 de março de 2013

PRECIPÍCIO SEM FUNDOS

PRECIPÍCIO SEM FUNDOS


E tenho dito
 
Há coisas que eu evito
 
Principalmente ficar de fuxico
 
Não é tudo que acredito
 
Se não me entende repito
 
Antes premedito
 
Para melhorar palpito
 
E tenho dito
 
Que cada atrito
 
Há uma forma que reflito
 
Mesmo quando é esquisito
 
Ou sinto que parasito
 
Em vales finitos
 
E tenho dito
 
Aos devotos de São Benedito
 
Que o mundo dos aflitos
 
São aqueles sem serviço
 
Descalços queimam pés no pito
 
E a mãe do Carlito
 
Com olhar perdido
 
De destino maldito
 
Lacaios milicos
 
Deportaram ao infinito
 
Jogado na vala dos quintos
 
Enterrado sem registro
 
Fato não interessa para rico
 
Pobre Carlito
 
Embalado no saco de lixo
 
Não passou de um cisto
 
Eliminado para não ser visto
 
Eu repito
 
Não é filho de pai distinto
 
E não da um bom buchicho
 
E muitos temos visto
 
Carlitos fora do sitio
 
Retirados como um quisto.
 
Onde mente apenas Sufixo

‘SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ



domingo, 3 de março de 2013

NOTAS DA FÉ



NOTAS DA FÉ

As notas que invocam
 
Rochas do incerto
 
As marés dos desertos
 
Rios do que nos somos
 
Os coros dos quadrupedes
 
Cantam a opera dos deuses
 
Assim como sino dos ventos
 
Coreografam bambuzais
 
Na batuta das varas magicas
 
Pelas ondas que ninguém vê
 
Rezam-se sobre a cabaça
 
O rito dos ancestrais
 
Fiel declarando amor
 
Na pele mítica do tambor
 
Os pés saltitam solo abençoado
 
Pela força do rum é celebrado
Saudação intima do xirê
 
Encantos do que é encantado
 
O que torna útero  o ilê
 
Cifras do além sem engano
 
São as sete renda do bailado
 
Pés do caboclo no seu xaxado
 
devoção de quem tem rumbê
 
Dimensões sem tamanho
Vibrações dos gregorianos
 
Cítaras do povo alado
 
Violino do cigano
 
Seja no  universo onírico
 
Ou a beira do fogo sagrado
 
Em comunhão com afoxé
 
De ouvintes a canto mítico
 
A música que banha alma
 
Inflama e acalma
 
os mistérios do coração 
 
De quem tem fé
 
 
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ESTADO E O ESPÍRITO

ESTADO E O ESPÍRITO



Quem esta aí fora?
Que pede para entrar  
Sem apresentações
Desencontro impuro
Existencialista e seu muro
 
Porque me revogou dessa forma?
Aboliu desde cedo
E não vai embora
Não sou vaso prematuro
Sob a mira da bigorna
  Porque me apavora?
É o estigma do medo
Sem alterações

Distúrbios da memoria
Vislumbre e o furo
O que sinto ignora?
Vem dessa regência
Ser anfitrião
Da minha carência

E tudo que apavora
Não ser o que era outrora?
Servidor de sua patrulha
No banquete dos pulhas
Disritmia do enredo

Ainda bem que me atrevo
Porque o falso poder me assola?

Cara do condutor cego
Precipício da causa efeito
Protocole, aprove controle.
Agora marionete sem cordas  

Porque tanta prudência?
Alicerce de objetos

Antagoniza a farsa
Renuncio suas bases
De imbecil subserviência

Porque não me privo?

Perdoe-me a displicência
Lanço-me ao precipício
É no fim que vem o inicio
Das injurias-me esquivo

Porque dessa brisa?
Entrego-me ao bem aventurar

Para ser eu não me coíbo

Por isso aviso
Serei curso, fim e inicio.
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ