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quinta-feira, 16 de maio de 2013

EXÚ DO PASTOR ENGOMADO

EXÚ DO PASTOR ENGOMADO
"Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.”
- Friedrich Nietzsche
Orixás vendo seus filhos calados e nem é sexta feira, dia de Oxalá.
Também é um povo de família, tem seu Ilê tem para cuidar.
Roça que floresce o Olórun, em cada filho que tem lá.
E nem se deram conta que usam da sua mironga
Para aos outros difamarem, espécie de culto de Candinha.
Que cuida da casa vizinha, para sua vangloriar.
Precisam do diabo do outro porque o deles não sabem cuidar
A forma de o povo do santo acordar foi o paradoxo de Alá
Deus na providencia divina, convocou Exú para cuidar do caso.
Esse sem pestanejar já escolheu o galo a cantar
Que de tudo gosta de aproveitar, todo engomado.
Estufou o peito para bradar tempestades e barraventos
Intitulou-se Barão emissário do divino
Aviso os desavisado o titulo é do Bará ao seu lado
Mas tudo acontece a seu tempo
Exú escreveu o certo em encruzilhadas tortas
Pois ao tocar o Belém bem - bem do seu sino
Na pasta pela igualdade da ao galinho o titulo de doutor
Aí Egbará colocou mais pimenta no padê
Pediu a Oyá que soprasse pelo seu vento
Nesse mundo é a vida quem escolhe o professor
Onde aprendemos que ha estelionato da fé
Que o medíocre sempre apela, para ter o que quer.
Vociferou intolerância para todo lado
Saiu sorrindo no retrato com o estuprador
Uma espécie de crente comete delitos pelo louvor
Como Exú é tinhoso deu a corda e puxou pelo rabo
Colocou frente a frente à ignorância e a mente sã
Amigo do galo engomado não apareceu um
O galinheiro escolheu galeto podre para o orô
Exu não aceitou porque sabe onde é bem cuidado
Já nos Ilês tocaram seus Adjás
Iemanjá, mãe que os filhos são peixes.
E nessa rede o podre não passou
E os atabaques convocaram via Ogans
O povo saiu com suas cantigas, pelo caminho de Ogum.
 Lavando as estradas com a paz de Oxalá
Dando de oferenda amalá para justiça de Xangô
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ
- * -
Declaro que esse é um poema de ficção baseado em nossos mitos,
 Qualquer semelhança com a vida real pode acreditar que é uma grande safadeza. 
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segunda-feira, 13 de maio de 2013

MANDIGA DO NEGO VELHO


MANDIGA DO NEGO VELHO
Agradeço por sua devoção
Esse velho viveu de pé no chão
Obrigado do toco para sentar
Grato pela caneca de café
Deixe a borra que vou aproveitar
O fumo de corda para fumar
Brasa é o encantamento
e a fumaça faz a vida passar
Na nuvem branca revela
O que nem pode imaginar
E de lá tiro o que vem a pensar
A raiz de cada sentimento
O conselho é doutrinar o silencio
Maior sabedoria que vai precisar
Tudo que tenho a te acalmar
Que tipo de benzedura
Para criar novo movimento
Faço uso da arruda e guiné
Outra erva a receitar
Para buscar  sua cura
Sou Joaquim, Benedito, e José.
Sou até Maria de Congo
Venho de angola, Ruanda,
Agora visito muitas roças
Caminho desde xambá
Assim aprendi com cada tombo
E as artimanhas de mojubá
Muita historia para contar
Outras marcas do quilombo
Com a covardia dos açoites
Conheci as ervas que tira dor
E os segredos de cada macaia
E as ladainhas para rezar
Mas minha maior sabedoria
Não esta na cantoria
Ou no enfeite de conga
Que da humildade vem o amor
E o mistério dos dias e noites
E o que a bananeira vem me falar
Saiba ver e verá
Em cada gesto deste velho
E cada ruga a te orientar
Atente o ouvido e entenderá
É meu filho antes de ouvir
Tem que aprender a escutar
Chega mais perto, pode ajoelhar.
Para sua soberba derramar
Porque maior mandiga
 É o filho se declinar
Quando seu corpo se curva
Faz sua alma enxergar.
SÉRGIO CUMINO
O POETA DE AYRÁ
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quinta-feira, 9 de maio de 2013

MÃE E O COLCHETE QUE ACALENTA

MÃE E O COLCHETE QUE ACALENTA

Mãe menina
Gerou um doce Carolina
Cuja essência das aguas salgadas
E sua realeza é o amálgama
Das nossas profundas buscas
Que sagra nossas sinas
É menina mãe e puro acalento
No inconsciente do oceano
Que a mazela nos engana
E de cerne límpido
A filha olha nosso lado insano
De lá revela o que somos
Com ternura sem julgamentos
Há também, a afetuosa Camila.
Da dança das cachoeiras
Alma agitada da menina levada
É o prisma da felicidade arteira
Dona do sorriso que embarcamos
Nas ondas dessa vida alada
E a mãe menina quando ralha
E repreende a palmada
Chora mais que a filhinha
Da bunda marcada
Porque ambas ninas são amadas
Esse é o meigo da poesia falada
E que saiba mãe menina
Que nossas trilhas desatadas
São contos das lidas predestinadas
Se aceita fluir dessas passadas
É transformação não destroços
Nem o fel deprimido do rancor
Isso apenas gera remorso
Contorcido nas noites caladas
Pelas filhas afetuosas acarinhadas
Rogo o sentir da mãe sagrada
Ninas são colchetes a ampará-la
E refletir dos meus passos na estrada
Como no vulcão de Ayrá
Viverá erupções de amor
Assim será eterna bênção
E meu olhar para ti com louvor
SÉRGIO CUMINO
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

OGUM A MAGIA DO CUTELEIRO

OGUM  A MAGIA DO CUTELEIRO
Tem batuque no Ilê
Com canção aos caminhos
Ano começa nos destinos
Na magia do maryô
Ogunhê ê ê ê ê!!!
É à força do meu berro
Meu grito de amor
Para o borí tem manjar
A feijoada entorna
Junto ao Orô Vibrar
A festa do rei do ferro
Bate cabeça a realeza
Antes que esqueça
Nessa vida caminhada
Caminho é consciência
Afino o fio do pensamento
Na força do orixá cuteleiro
O dono das estradas
Dar-se forma ao guerreiro
Útero da  espada é a bigorna.
Do ventre astral meje
Pelo chacoalho do adjar
O rum começa a rezar
Nos repiques das varetas
Declino-me perante meu Baba
Vivencio o respeito de Yao
Para perguntar aos orixás
Qual o rumo a trilhar
Dizem sem pestanejar
Que o coração mandou!
É Lança forte da fé
Pela estrada de Ogum
Florescem a cada gesto
Com reverencias sagradas
Das Yabás e dos Orobôs
Posso ir de norte a sul
Porque não me atingira
 Mal olhado ou camburucu
Tornou o inimigo cego
Decepou o mal falado
 Pelo brilho do axé
SERGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

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sábado, 6 de abril de 2013

REDENÇAO SEM TEOREMAS

REDENÇAO SEM TEOREMAS
Programado esfumaça ao inusitado,
Novo, é outra dimensão,
E os passos desacertados,
É o desenho de um mundo
Esboçado pelo realismo fantástico,
Pé depois outro pé
Onde os caminhos projetados
Tem a interferência mística
Arquétipos profundos
Germina a bússola da intuição
Põe a prova toda fé
A duvida é a pedra dos afogados
Que mais que queira recusar
Não há cadeiras a negação
Nos leva ao caminho singular
Que nosso cego pragmatismo
 Jamais concebia, imaginava parar.
E o horizonte assume seu papel
E faz das marchas uma aventura
Mística, romântica, de ruptura.
Dando um colorido especial
Sem espaço para sofismo
Pois há dor a queda das estruturas
Floresce novas conjunturas
Cresce como bolero de Ravel
Ao humano extrassensorial
O encanto se faz a:
Sombra do incerto e a luz da Interação,
Assim constrói a releitura do dilema,
Razão e o instinto animal
Feita com brilho no olhar
E o sentir do coração
Percebe que a alma renova
Traduz-se num belo poema
 Segue que com suas pernas,
O feito na aposta incerta
As veredas posta a toda prova
Assim se sente cada emoção
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ
 
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

AOS HOMOFÓBICOS DE PLANTÃO

AOS HOMOFÓBICOS DE PLANTÃO
Desculpa-me caro leitor
 A falta de malandragem
De golpes milionários
Mídias sanguinárias
Exuberância do banal
É o que passa por essas paragens
Uma moral ordinária
Com, deputado homofóbico.  
Que faz a fé passar mal
Bate fundamentalismo no pleito
Afronta a inteligência do cidadão
Nivelada por baixo
Escreve com mão de chagas
Sem linhas de peregrinação
Ignoram que o país é laico
Sem nenhuma objeção
Multiplicam-se como pragas
Não interessa a eles minha religião
A questão não são as crenças
Ha também as diferenças
Esperança de mundo novo
E a oportunidade bate
As portas corta fogo
Com isolante de ofensas
Para fazer parte da cota
E não estatística do abate
E garantir sua vaga
Sobreviver nessa vida ingrata
Onde mais idade padece desigualdade
Montante da discriminação
De um sistema que ralha
Uma sociedade de chacotas
Quem precisa não ha acessibilidade
Prestativo missionário
Preservativo de broxa
Maquiavélico em cristo
O Sanguessuga prosaico
Fogo no rabo do negro
É lareira de muita Carlota
E as lady das paradas
Com bandeiras listradas
Vive constante risco
De serem mortas como baratas
A mando desse bispo
Entre os falidos de falo
“ Muller te esbofeteio”
O resumo da opera
Democracia é para minorias
Numa ditadura de massas
Parece que sou otário
Dentro desse cenário
O mórbido é o descaso
Marca-se cada talho
Das mesas do plenário
Nem tenho talento para tanto
Mas quero que me veja
Sendo assim saio vociferando
Solto aos quatro cantos
E que ecoa esse chega
A indignação dos solitários
Um, puta que o pariu e dois caralhos
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

segunda-feira, 25 de março de 2013

MINHA FAUNA AFLORA

MINHA FAUNA AFLORA
Olhar busca o etéreo
Recebe o que arrepia
É horizonte e interno
Nas profundezas do mim
É o sonho que assovia
E da paz à vontade
Sentido aos infernos
Altivez ao que deprecia
Como sons de clarins
Espirito dos viajantes
Ao mundo que não sabia
Onde não depende
Senha, pauta, petição.
Contrapondo o que é afim
É seguir doravante
Sentidos têm outras vias
O provir esta além
E tudo que deliciam
Para liberdade amar
Viver é participar de cada aula
Sol muda em instantes
E o degrade radia
Clarividência e a mente
Agora somos que vemos
Integra-se a fauna
Na arte da lente
Desejos na fotografia
Vive-se um novo ventre
Projetado ao mirante,
Planície da alma
 E sua supremacia
E põe-se a meditar
E aquela cachoeira adiante
Onde a vista pode alcançar
Há véu de essências
Do meu bem querer
O segredo é dizer
Para o suspiro banhar
Sem reticências.  
Avante se vê o mar
Imergi no seu oceano
Útero do inconsciente
Laboratório do caos
E vir novos signos da fé
E torna-se catedral
Entende o ser que é
Avista o que se tem
Respeita o que vê.
Com respirar profundo
Testemunha o crepúsculo
Meu equilíbrio para o mundo
 
SÉRGIO CUMINO