ILHA OPRIMIDA
A linha do horizonte
Onde o sol se põe
Olhar se perde
Não pela imensidão
da mente e as ilusões
Sim nos devaneios
Da neblina incerta
Assim perde-se o sol
E a possibilidade do sonho
Ou o que se imagina ser
Entre, cá e o astro.
Há névoa de fuligem
Do descaso imoral
Até o espetáculo poente
Ocorre na suposição
Porque tudo escurece
Na fusão da noite e o medo
Vem o receio do açoite
E o dia renasce
Junto com desesperança
Que a cada ciclo embrutece
Por conta do abismo
De um simples degrau
Tornando-o um ser
Oculto, inculto um
vulto.
E as rodas já não guiam
Nem pulam brejos
da suntuosa hipocrisia
Numa cegueira desigual
Paralisia chegou à alma
Travestida de culpa
Mortalha dos sentidos
A estima ancora na costa
E se posta de costas
E naquela praia
Na luta pela mobilidade
Ativista lhe atiça
-Grite pelos seus direitos-
E as Libras emudecem
Até para gestos obscenos
E sem coragem padece
Na luta contra si mesmo
SÉRGIO CUMINO – PCD
– Poesia Com Deficiência








