foto: Araquém Alcântara
TAMANDUÁ CRUCIFICADO
Nos ardores da impunidade
desespero do Tamanduá
Bandeira
vê em risco sua sobrevivência
a queimada rouba sua visão
a fúria guiada por seu instinto
faz da lente de Araquém
a resistência e sua flâmula
a monstruosidade dessas chamas
do capital selvagem
nos chamam a que esta por vir
o desespero de sua fuga
chega aos centros como névoa escura
Um grito em forma de fuligem
Para asfixiar a inércia coletiva
Com a cegueira em foco
Violência a natureza pura
Nasce a foto entalada
Desabafo da imagem a multidão
Para que se abram os
olhos
Em meio a escuridão
De braços abertos
Defende-se da crucificação
nas chamas do descaso
Roga aos ventos
Que fale aos quatro cantos
A chegada da era da devastação
E a culpa em nossos pulmões
Lamenta a perda do seu chão
Água límpida que virou mercúrio
Arauto de nossa fauna
As lagrimas de nossa flora
Matam a mata por mamata
Que não bastava ser vendida
Por serem pautas desse conluio
De ganância e exploração
Araquém Alcântara
Criador de imagem que canta
Hoje essa chora
Pela floresta acabada
A ruína de Gaya em brasas
Fogueira do berço esplêndido.
SÉRGIO CUMINO – OBSERVATÓRIO 803








