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domingo, 2 de abril de 2023

FUZUÊ DA DISTOPIA


 FUZUÊ DA DISTOPIA 

Anomalia induzida 
Entregue a toda sorte  
Põe a arte submetida 
Sem a menor lisura  
Imposta moldura 
Aos arroubos desse fardo 
A fantasia concedida 
Oprimido se sente culpado 
Dessa alegoria a qual julgado
Contempla o torpe fardo
é a sorte de uma boa morte 
Sugado até última tragada 
Nessa sarjeta do descaso 
Não se iluda com farda 
Largado esquecido e apagado 
É o truque rasteiro 
Genocídio programado 
Camufla o sangue no passeio 
Torna o sonho indigente 
Dizem ser prudente 
Para não contrariar o mercado 
Nada é por acaso 
de braços com a fome 
Uma companheira de porre 
A revelia do nada pode 
A crença burlesca  
Na hegemonia dos tabloides
A farsa que pede vistas 
Alinhamento das arestas  
E o banal sequestrar vidas 
Orquestrada pelas matilhas  
E economias fascistas. 

SÉRGIO CUMINO - OBSERVÁTORIO 803  

sábado, 4 de março de 2023

DEGRAUS DE TODO SABER

 DEGRAUS DE TODO SABER 

Primeiro passo e a pisada do medo 

é a subversão do risco 

Orientado pela indulgencia alheia 

Bom estou só, que ninguém veja 

Essa cognição destreinada  

Subserviente a apatia cíclica 

Lances de uma jornada desconstruída 

Dúvida tácita, subia ou emergia? 

Ao virar para trás  

Após algumas obras desse soalho 

Via o mundo que já não pertencia 

Num vácuo dos sentidos 

Quem sou?  

Estou no umbral 

Ignorância e o conhecimento 

Afrontei o cedro 

Duvidei do credo 

Degrau de muitos capítulos 

Tiraram-me do chão 

Sendo que temo voar 

Temporalidade relativa 

Causa das distensões críticas 

E mal sai do lugar 

Se a subida é inevitável 

Entrega-se ao apreço 

Que as panturrilhas sejam letradas 

Sob a luz que o olhar nasce 

aos iluministas da idade da razão 

São lamparinas que acendem 

Vislumbres do conhecimento 

Dos arcabouços universais   

Poetas impõe o ritmo 

Como pinturas da filosofia  

impulsionam a progressão 

Com gracejos a teoria do caos 

Dão sentido a alma 

Relatividade dos princípios 

Por essa escadaria sem fim 

As incertezas são ferramentas 

 Do sobreposto de tantas dúvidas 

Paradigma dessa jornada 

Serem patamares do dessaber  

De uma busca sem epilogo. 

 

SÉRGIO CUMINO – POESIA E A CULTURA DA PAZ