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terça-feira, 4 de abril de 2023

CATADOR DE RESENHAS


 CATADOR DE RESENHAS 

 

A panturrilha que geme 

É ária do catador 

E a melodia que estende  

Pela dimensão de Praia Grande 

Junto a marola confidente 

Mais que o canto de sereia  

Sem rumo, sem leme 

Afofando como pão de areia 

E há quem confunde com a casa grande 

Embuste da antagônica sociologia  

Para que a pega siga avante 

Da a depressão alforria 

O apartheid segregador 

O vê como galho cuspido 

Pela ressaca  

Mas é a sobrevivência que recolhe 

portanto faz secreto sua dor  

É vagabundo, aposentado,  

 Mãe leoa, poeta e desempregado   Uníssonos grito ecoa  

Todos na mesma lata   

Nesse mundo de muitas laias   – posso recolher a latinha vazia?  

Lado de lá há diversidade de todos os tons 

Tempero desse molho  

desde a pança do nefasto branco 

Famílias de bem outras de bens 

Há beldades ativistas  

Outras tantas com desdém 

 

Faz da busca um passear 

 

quando o Coro das gaivotas ecoa 

Como som direto da empatia 

-Estamos juntos meu irmão 

Um amigo de cinema  

A poesia do olho no olho 

Um presente de Iemanjá 

o sol nasce no horizonte  

A luz de toda a dança 

Os ilumina até o poente  

É o corte dessa catana 

Na resenha do catar 

SÉRGIO CUMINO - O PAULISTANO CAIÇARA  

Poema dedicado ao grande amigo Sidney (Xuxa Som Direto) 

domingo, 2 de abril de 2023

FUZUÊ DA DISTOPIA


 FUZUÊ DA DISTOPIA 

Anomalia induzida 
Entregue a toda sorte  
Põe a arte submetida 
Sem a menor lisura  
Imposta moldura 
Aos arroubos desse fardo 
A fantasia concedida 
Oprimido se sente culpado 
Dessa alegoria a qual julgado
Contempla o torpe fardo
é a sorte de uma boa morte 
Sugado até última tragada 
Nessa sarjeta do descaso 
Não se iluda com farda 
Largado esquecido e apagado 
É o truque rasteiro 
Genocídio programado 
Camufla o sangue no passeio 
Torna o sonho indigente 
Dizem ser prudente 
Para não contrariar o mercado 
Nada é por acaso 
de braços com a fome 
Uma companheira de porre 
A revelia do nada pode 
A crença burlesca  
Na hegemonia dos tabloides
A farsa que pede vistas 
Alinhamento das arestas  
E o banal sequestrar vidas 
Orquestrada pelas matilhas  
E economias fascistas. 

SÉRGIO CUMINO - OBSERVÁTORIO 803