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terça-feira, 7 de julho de 2026

SAGA DO SONHO

 SAGA DO SONHO 

 Sonhei que morri

Mas nasci de novo 

Falência conturbada

De conflitos que resolvi

Renasci perdido

Na conjuntura de mitos

Um anjo da terra sem asas?

Num terno de linho fun-fun 

Gravata uma seta cintilante 

De cor azul Odé

Sob as saias de Gaya

 Sentado aos seus pés 

Não sei se Édipo ou Ícaro 

Ou o desejo que senti 

Sequelas de outrora 

Tomei água de Oxum 

Pra refrescar a memória 

Cabeça num barra vento 

Um redemoinho de Ayrá 

Mergulho no oceano de Iemanjá 

Para emergir contumaz 

Orientado no Ori

Apruma a intuição 

Resolvi seguir 

Sem vir o que deixei pra trás 

Estou na encruzilhada da dúvida 

Predestinado ou pobre miserável 

Ogum cedeu sua espada

Para abrir os caminhos 

Ao pisar na estrada 

Encontro homem prolixo 

Teria que dar sua paga

-vida passada deixou-me sem nada

Eis o desejo perante obstáculo 

Desce da cajazeira Yamin 

Com ar de quem está em missão 

Deu-me sete búzios 

-Oxum mandou pra entregar a Exú 

Antes de contestar a baixa oferta 

Ela o convenceu que a outra parte 

Era dar movimento ao destino 

Sorriu com satisfação 

Ambos em uníssonos “Alupa”

 Saúdam Bará, senhor dos caminhos 

Dá-me uma chave, para abrir 

O baú do conhecimento.

 Presente de Obará

Que encontrará ao fim dessa saga

- devem seguir o vento

Indago: - se o vento mudar, voltaremos ?

- Não mudará, esse enviado por Oyá 

Seguimos eu e Exú, não nos despedimos 

Porque são onipresentes

Companheiro de viagem, rei das resenhas 

Contou-me sobre Otans, declamava Orikis

 Depois de tantas léguas, 

Exú para escolhe uma sombra 

Como se soubesse que viria de lá. 

Quando fui contestar 

A gameleira falou:

-A ansiedade é inimiga da sabedoria.

A paciência orienta o destino 

Era Iroko , também deu sua contribuição.

Quando ouço agora do além.

Acorda poeta, é hora de caminhar.

  SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

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