SAGA DO SONHO
Sonhei que morri
Mas nasci de novo
Falência conturbada
De conflitos que resolvi
Renasci perdido
Na conjuntura de mitos
Um anjo da terra sem asas?
Num terno de linho fun-fun
Gravata uma seta cintilante
De cor azul Odé
Sob as saias de Gaya
Sentado aos seus pés
Não sei se Édipo ou Ícaro
Ou o desejo que senti
Sequelas de outrora
Tomei água de Oxum
Pra refrescar a memória
Um redemoinho de Ayrá
Mergulho no oceano de Iemanjá
Para emergir contumaz
Orientado no Ori
Apruma a intuição
Resolvi seguir
Sem vir o que deixei pra trás
Estou na encruzilhada da dúvida
Predestinado ou pobre miserável
Ogum cedeu sua espada
Para abrir os caminhos
Ao pisar na estrada
Encontro homem prolixo
Teria que dar sua paga
-vida passada deixou-me sem nada
Eis o desejo perante obstáculo
Desce da cajazeira Yamin
Com ar de quem está em missão
Deu-me sete búzios
-Oxum mandou pra entregar a Exú
Antes de contestar a baixa oferta
Ela o convenceu que a outra parte
Era dar movimento ao destino
Sorriu com satisfação
Ambos em uníssonos “Alupa”
Saúdam Bará, senhor dos caminhos
Dá-me uma chave, para abrir
O baú do conhecimento.
Presente de Obará
Que encontrará ao fim dessa saga
- devem seguir o vento
Indago: - se o vento mudar, voltaremos ?
- Não mudará, esse enviado por Oyá
Seguimos eu e Exú, não nos despedimos
Porque são onipresentes
Companheiro de viagem, rei das resenhas
Contou-me sobre Otans, declamava Orikis
Depois de tantas léguas,
Exú para escolhe uma sombra
Como se soubesse que viria de lá.
Quando fui contestar
A gameleira falou:
-A ansiedade é inimiga da sabedoria.
A paciência orienta o destino
Era Iroko , também deu sua contribuição.
Quando ouço agora do além.
Acorda poeta, é hora de caminhar.
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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