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quarta-feira, 5 de junho de 2013

O DIA DA CAÇA É DO CAÇADOR

O DIA DA CAÇA É DO CAÇADOR
Seja por onde for, pronta esta
 sua flecha sagrada
Que corta o vento
As portas das florestas cerradas
Guerreiro do ferro, ensinou
Que adentra a mata e deixa ser
Penetra no ser e se torna mata
Ogum fez irmão provedor
com uma mira perfeita
e com uma única seta
matou o pássaro enfeitiçado
e acertou a si
Ode e alvo não são opostos
Tornou-se iluminado
garantiu ao povo grande festa
Abrangendo realidade ultima
É a intuição do bom senso
É o movimento de sua natureza
Tiro que liga ao seu centro
Um caçador ninguém pode tolher
Se não a flora se estreita. 
Rege o querer que a mente escolhe
Transcende o ego e delírios lógicos
Conhece a toca da raposa
Da ao espirito destreza
Na arte do arqueiro
Caçador se torna flecha
Assim como o cupido a presa
No clímax da grande coisa
torna a respiração em transe
Quando comunga com a mata
E o segredo e mistério
É encantado traz fartura à mesa
Mapeia o caminho do vento
Já não existem
Caçador, a caça, e o tempo
Falácia do hoje, amanha ou ontem
Não há mais fuga ou acossa
Sem vontades ou obstáculos
Até mesmo a busca se esvazia
Porque o ser e estar transpassa
E a magia se integra ao etéreo
Só quando o pio da coruja rompe
O silencio em pura prontidão.  
E resgata a liturgia do movimento
Faz-se jus que reza o oráculo
Que Oxóssi, cria a lei da atração.
Que o dia da caça é do Caçador.
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

domingo, 2 de junho de 2013

MENINA QUE NASCEU YABÁ

MENINA QUE NASCEU YABÁ
Ternura dessa moça linda
Desde sempre a sinto
Em meu colo a ninar
Brado encantados festejos
Seu décimo sexto inverno
As dezesseis formas de achar
Outras tantas de se perder
Vislumbres e seus lampejos
Passos para chegar
Aos anos que se completam
E os conflitos do aprender
Balança que a tira do chão, menina.
Os equívocos do seu querer
E o ardor de seus desejos
Chega ao cosmo mulher
Já nasceu rainha
Mãe de dezesseis Orixás
Com alma de dará.
Sua história a escrever
O mundo a revela as mazelas
Assim como o gosto de namorar
E no balanço mulher menina
Sua essência de Gaya
Que a leva de lá para cá
Num voo sobre a maré
 Não da para fugir de sua sina
Sorriso são ondas da praia
São os mergulhos que a mente da
Pensamentos viajam estando
Plantada no mesmo lugar
Navegar na caravela
Viver sem ser preciso
Sua Coroa sejam a lua e o sol
Sob a nave seu próprio oceano
Coisas de Iemanjá. 
Desse mar que seja Farol
Fogo de Ayrá
A dezesseis invernos atrás
Olorum me deu uma filha
Que já nasceu Yabá
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ
Poema dedicado ao aniversário de 16 anos no dia 03 de junho de 2013
da minha filha Carolina (filha de Iemanjá), que amo tanto.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

OXALÁ O TEMPLO DE NOSSA ALMA

OXALÁ O TEMPLO DE NOSSA ALMA
Na duvida do conflito
Quando não sabemos aonde chegar
Renovar-se para outro advento
Entrega-se a ausência total       
Do sentimento aflito
O que leva a afogar
Psicologia do trauma
No turbilhão do pensamento
Apresenta-nos a brandura do caos
O berço o qual medito
E faz a mente zerar
Onde querer se salva
O que precede o discernimento
Antecede o saber oral
Esvazia tudo que acredito
E o que tenha a declarar
Adentro ao portal da calma
Torna nulo o movimento
Para prece ancestral
Uma entrega sem veredito
 Para a culpa desocupar
E descobrir a própria fauna
Livra-nos do cabimento
E tudo mais que faz mal
Até a lógica que gera vício
E as regras que venha adorar
Aquelas que cerceiam a alma
Religiões sem fundamento
Busque em si novo canal
O aconchego do espírito
O branco sem coloramento
Que germina o sinal
Desvenda o segredo íntimo
Sentiremos os nós a desatar
Uma abertura de nova válvula
Desacelerando o tempo
Já não somos o próprio rival
Desvenda-se o fluir cíclico
Brandura de ser e estar
Acepção em pleno amalgama.  
Traz a sabedoria do silêncio
Que o cosmo é nosso quintal
O sentir nosso indício
Entender que Oxalá
Indica com sua palma
Que o coração é nosso templo
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 29 de maio de 2013

MATRIZES NO NAVIO NEGREIRO

 MATRIZES NO NAVIO NEGREIRO
Salve todas as orações  
Aos que vieram de lá
Suportaram tormentas
Lutaram contra pestes
Presos a correntes
No limbo dos porões
Trazidos ao aye tupinambá
Em passos desconfiados
Sem sonhos, sem vestes.
Fosse Príncipe, rei ou camponês.
Temiam de como iriam lhe pisar
Alegria de vir o sol era pálida
Não regia esperança
Marcados pelos açoites
Debulhados como milho
Um culto de fé a cada grão
Como semente de seu ancião
Guardado no segredo da noite
Um templo em cada coração
sua herança o seu ganho
Cada olhar mil lamentos
Expressados nos cânticos
Aos que não conseguiram chegar
Os que Oyá encaminhou
Seja nos raios do afefé
Ou na maresia encantada
Ao inconsciente do oceano
Hoje vale lembrar
ao ajoelhar em ato de fé
Em votos de gratidão
na oferenda a Rainha do mar
Estar na alma das preces
Os que desencarnaram
Do plano terreno
Na travessia do atlântico
Tantos que não da para contar
Flores, perfumes, anéis e fios.
Os presentes que ofertar
Serão partilhados com seus filhos
Moram noutro reino
São nossos ancestres
Acolhidos aos braços da Yabá
Aconchegou- os em uma concha
Que é o colo de Iemanjá
SÉRGIO CUMINO – POETÁ DE AYRÁ

terça-feira, 28 de maio de 2013

CIRANDA DA FÉ À TOGA

CIRANDA DA FÉ À TOGA
 
"Mas onde se deve procurar a liberdade é nos sentimentos.
Esses que são a essência viva da alma.”

Goethe.
Andei por varias bandas
Ora adulto sem esperança
Outrora visionário como criança
Momentos de violeiro sem viola
Amante de belas formas
Poeta sem muita prosa
Cidadão sem vereança
Louco fora da gaiola
Justo sem balança
Indignado com a intolerância
E a impunidade dos cartolas
Dialética do caçador e a caça
Sábio com a bonança
Vulcão quando sai à forra
Cravo da rosa
De amor que entrelaça
Até as pernas formarem trança
No quadro de natureza morta
Espinho de toda corja
Da pedreira sou a pedra
Comunguei em muitas roças
Oxum sempre meu tesouro
Não é ouro de tolo
É o brilho da esperança
Para filho que se preza
O gosto de nascer de novo
É a evolução do meu credo
Nada por acaso
Essa vida é de muitas bossas
Declino-me ao mais velho
E as sutilezas de cada gesto
Curvas que circulam a roda
E que se ao horizonte o olhar para
É a alma litúrgica de minha reza
Encontro do mito que me roga
Para as voltas do ser mítico
O cabo do machado é meu cedro
Suas faces constroem meus traços
Voo à descoberta que me veleja
A constante busca da minha toga
De esse viver cíclico
Com a inconstância que me preza
Saio da taça que transborda
Sou o grito do penhasco
Minha fé nunca falha
A ciranda é a marca de cada passo
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 22 de maio de 2013

REINADO GITANO

REINADO GITANO
Rei encantado
Desliza a vara
Suave em sol
Faz que se nota
A alma passada a sino
Desejo alado
Badala e vibra Sara
Da felicidade Gitana
 E toda flor que brota
Cordas cantam arcanos
De idades remotas
E os caminhos que andara
Com o afago ao violino
Sob a magia da lua
E a benção que ampara
Lá onde o sol são notas
A fogueira consagra
Para divindade evocar
E as saias de muitos panos
Com sorriso de aquarelas
Agitam com alegria nua
Libertos pelo ar
Nas taças suave vinho
Deixa o corpo solto
Para tristeza ir embora
 O anseio de partir
Pelo mundo de tantas rodas
Em trilhas de tantos ramos
Há outro mundo lá fora
Que não o impede de sorrir
Ritmando suas botas
Enfeitiça o profano
Nessa terra que transforma
As margens de um ribeiro
E a paixão de belas nina
E chama que não se apaga
Nem a graça e lisura
A força do povo cigano
E a magia de sua adaga
Em escrituras cantadas
Que rezam suas rimas
O que espirito intuir
Ritmadas no bandeiro
Lavradas em partituras
O reinado de Vladimir
Sérgio Cumino – O Poeta de Ayrá

segunda-feira, 20 de maio de 2013

ESCOLA É PLURAL, NÃO CURRAL!

ESCOLA É PLURAL, NÃO CURRAL!
 Na escola da curva
Tudo para, lá.
Preto, pobre
Ninguém quer ensinar
 
Escola de sala turva
Lâmpadas queimadas
Na mente de alguns
Que dão aulas enlatadas
 
Escola não tem horizonte
Sem amor e esperança
Descrença é a fonte
Enrijece a pujança

Escola tire essa venda
Reconstrua o olhar
Fuxicos das diferenças
Colcha do tamanho do mar
 
Seja uma escola aberta
Desse mundo laico
A compaixão desperta
Forma vitral de cacos
 
Meu tempo de escola
O que mais valia
Era o toque de bola
Com outra sinergia
 
Escola e a oralidade
Mestres e pais
Caminho das possibilidades
Ao invés de preconceitos, paz.
 
SÉRGIO CUMINOPOETA DE AYRÁ

sexta-feira, 17 de maio de 2013

DEMANDA O ENGODO DA ALMA

DEMANDA O ENGODO DA ALMA
O inimigo que crias
É o engodo do próprio eu
Na sutileza da indiferença
Que o rancor disfarça
Percorre o azedo tácito
Como sangue nas veias
Pulsado pelo coração amargo
Travento da terra desconhecida
Um fluxo que vaga pelo espaço
Em torpes correntes
Anula luz com arregaço
Que a noite testemunha calada
A lua mingua perante a triste magia
Da peleja travada consigo
Pelos males que erradia
Ignora o desconhecido perigo
Abscesso do plexo que gera
Sem notar a cruz da encruzilhada
O além das paredes, desdenha.
Que sua vela cega desenha
Não marca o devido descrito
Não anseie ver para crer
A lei do retorno não há espera
A sensatez aconselha
Tire o nome do padê
Que do lado de lá há orixás,
Amor, guardiões e guias.
Os arautos dos sentidos
E o germe dos crus regressa
O próprio fel lhe acha
E a sombra sucumbe aos olhos
E o enxofre se torna seiva
Porque o caos ensina o crente
A fortalecer seu terreiro
E nada há para celebrar
Da viagem astral inconsequente
Atrai Ajoguns para seu celeiro
Perde a beleza do amor
Quando deseja o barravento
Onde impera o Oxé de Xangô
SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ