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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

VIVER É A PINTURA DO NAVEGAR



VIVER É A PINTURA DO NAVEGAR

Principio é um vazio

Sobre a benção de Orumilá

Recebe um quadro em branco

Onde o som da solidão ecoa

E a brandura do nada se espalha

E a sabedoria de mãe ampara

Como tudo na vida um desafio

Traçado por Ifá

Faz do desejo aquarela

No curso do destino o proeiro

Entre o cais e o zarpar

Saudade intensa é o limiar

Nasce o suspiro que revela

O querer ser veleiro

O desejo profundo meu mar

“navegar é preciso”

Quando o Oyá sopra a vela

Chamando-a bombordo

E sinto meu corpo afagar

De braços aberto ao destino

Odú como marinheiro

Horizonte traço na tela

Saudade faz a dor da distancia

Horrível, numa pincelada sem tom.

Mas jogo esse fardo no oceano

Para que a alma emerja numa concha

Torna doce lembrança

Aconchego-me ao colo de Iemanjá

Como anéis de acasalamento

Ser os tons que descreve a vida

Elementares de harmonia

Nunca uma onda de descaso

Porque nos búzios vem marcado

O que é ternura, aventura, esperança.

O timão quem guia é a fé

Nave que o silencio grita

Os anais do pensamento

Sentido que o toque pinta.

Inspirado pelo Orixá

Amor que inunda a tela.

Em cores que meu desejo agita.

Sobre encanto de Oxumarê

SÉRGIO CUMINO-POETA DE AYRÁ

 

 

 


 
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O FOLE DO ESTIGMA

O FOLE DO ESTIGMA
Cravam no ponto
Na marca da paixão
O mastro colonizador
Ampara a flamula
Dessa pérfida em vigor
 
chibata de insígnias
Vinda pra lá do mar
Coage à labuta
Assim como a fé
Fica a beira amar
Portanto como a maresia
Em sua fumaça ancestral
Perde-se o sonho alado
Pelo fosco da conduta
Supremo do progresso
Faça o que fizer
Preserva inicio fatal
E a clerezia consorte
Estimas da colônia
Evolução em regresso
Em dor perpetua
Pela ética inquisidora
Inibindo todo anseio
E a culpa como fardo
Mutilando os seios
Da mãe preta
Que alimenta o portal;
Institui a foice da morte
Consagrada pela manjedoura
Faz-se alvo dos dardos
Tira verdade das vistas
Abates e as lavouras
E a mitologia quieta
Deixa-se alegoria de lado
Entrega-se a toda sorte
Sucumbe-se ao abandono
Subserviência que ministra
Do instinto mutante
E o fogo em estado de sono
O que era imediato, adiado.
E espiritual retalhado
Cartilha moral, consolo.
Pela conjunção, clero e corte.
Derrui outros reinados
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 31 de julho de 2013

CONDOLÊNCIAS DA INTOLERÂNCIA

CONDOLÊNCIAS DA INTOLERÂNCIA 
 
 
 A vida é um fim em si
Aí o ajuste suprime o sujeito
As aguas do principio histórico
Corredeiras da evolução
Ventos que norteiam a sina
de todo encargo equivalente
 
O espírito entregue ao  ardil
Oprime a voz do peito
A busca vira anseio melancólico
Preme o desejo de libertação
Envenena o conceito de utopia
Por meios de vontades afluentes  
 
Sucumbe a graça do poder vil
Vestem-nos em togas sem fecho
ao estilo neocolonial bucólico
Renega a roupa de ração
Leva a tradição ao fio do extinto
Fios sagrados, dizem pingentes.
 
Chamam Orixás de mal aferido
Benesse e maldiçoes como feito
Deixa o poder astral insólito
Regulada com sutil abolição
Forjam a aparição do instinto
Acudidos ao quem cala consente
 
Sermos o pé-de-altar conferido
Mas o sangue segue o leito
Abdicar o ancestral, nosso espólio.
Inclemência talhada à depressão
Sobre a benção do heril vigente
Modera a fé que avalia decente
 
SÉRGIO CUMINO – POETÁ DE AYRÁ

quinta-feira, 25 de julho de 2013

DEBAIXO DA SAIA HÁ SETE ANÁGUAS

DEBAIXO DA SAIA HÁ SETE ANÁGUAS
Lutas contra a provisão da morte
Que exercem a gloria do obsoleto
Onde é a morada da liberdade
Perde-se às garras subserviência
A sete palmos abaixo do pleito
Onde moradia do descaso
Renegando seu mito
Ao adequar a outra visão
Conferir a causa e efeito
O que teria que ser fadado
O objeto do combate
Com sete desculpas distorcidas
Mantemos séculos de atraso
Interesse de um país laico
Escondido a sete pilhas
Do que eles julgam direito
E o fiel convertido
Entrega o pescoço
As cordas da modernidade
Impetra o céu se confia
ao inferno de Dante
Ignora as leis naturais
Sete  doutrinas dominante
Servidão da espontaneidade
Sete palmos aquém
da moral camuflada
Compensa o gosto de estar
Pelo consolo sincrético
Auditor da fé do outro
Amargo que adoça o paladar
Culto de religião casada
Será sempre filho bastardo
Alça voo nas asas da sujeição
O que seria saída a revelação
Mergulho dos mistérios
Do segredo oceano
Rompe-se a jornada pela rede
Aprisiona-se nas sete tramas
Numa inversão de rumo
Profundo torna cemitério
Onde nem Ikú quer morar
Esse é pleno movimento
Adverso estagna como a nata
Em prol de outros pontífices
Pelo beneficio de ser aceito
Faz do mundo interno ascético
Pelo esplendor da superfície
Não há libertação
Nem princípios ou diretrizes
Ficou a sete palmos da vergonha
A vocação reprimida
Suprimir as raízes
Contramão da evolução
Inicia sem ramonha
Porque a Casa Grande afaga
O estigma dessa senzala
De manter o fundamento
Sete palmos debaixo da toalha
SÉRGIO CUMINO – O POETÁ DE AYRÁ

terça-feira, 16 de julho de 2013

MAGIA BRANDA DE OXALÁ

MAGIA BRANDA DE OXALÁ
Vive nas extremidades do cromo
Alma do arco-íris transita
De ponta a ponta
Aiyê ao Olorum
Que Osúmarê leva em seu bornal
Protegendo seu mistério
É o enigma do que somos
Essa ausência paradoxal
É nosso peso que levita
De onda a onda
O movimento sem movimento
É a sinfonia a qual emudeço
É o sopro do tangível
Que leva a carruagem ao etéreo
Com estandarte bandeira fleuma
É a soma de todas as cores
Expressas na arte de sua ausência
Principio e o fim
Vislumbre do conceito que jaz
De todo encanto manifesto
Ligação do visível ao invisível,
Todo dia é dia de branco
Alternado pelo pigmento da vida
E as cores que se reveste
Sob a luz do astro
Do pensamento diurno
Que nasce e morre
Limite da linha do horizonte
E sua progressão infinita
Dimensão de leste a oeste
Sua Brandura é o rastro
A candura da fêmea lunar
Esvazia a consciência
Na quietude da madrugada
Que se prepara seu ventre
Da graça da noite calada
No dialeto do Divino
Anfitriã do branco leste
De luminosidade intensa
E sua benção da alvorada
Reencontra o brando imo
Da presença e ausência
Do vácuo da lua e o sol
E sua brandura côncava
Ambas as faces do sagrado
Branco é orador do silencio
Das suas possibilidades vivas
Entrega-se ao oeste brumas
Surgem pela boca da noite
Que celebra a morte nobre
Encanto do crepúsculo
Renascem estrelas luminosas
Infinitas formam leite celeste
Dando todo sentido a minha prece
 
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

O VELHO E A NOITE ENCANTADA

 O VELHO E A NOITE ENCANTADA
Quando o sol se pôs
Olhar também se pôs
A esperar a lua chegar
Caneca de café cheia
Lua resplandece cheia
Recebe o velho a pitar
A fumaça do cachimbo
Sobe e ora pelo cachimbo
Que só a alma sabe falar
Pés que marcam o Aiyê
O eleva além do Aiyê
Ao vale encantado dos Orixás
Oferta lírio branco fun fun
A todos os Deuses fun fun
Agradecendo o dia que jaz
Exala a branda fumaça
Sua mente vira fumaça
E pensamentos a viajar
Em busca do axé de ser
Vibra todo hão-de-ser
Que ensina a mente calar
Uma nuvem solitária
À frente a lua solitária
Imagem de todos a sonhar
Sobre a terra desenha aureola
Preto velho absorve aureola
Da forma sublime do luar
Roga conhecimento ancestral
É culto vivo ancestral
A todo aquele passaram por lá
Caneca de ágata branca
Sob a lua linda e branca
Uma lagrima se põe a minar
Apelo de profunda fé
Para que encontrem a fé
Aqueles com jornada a trilhar
Seu fio de conta de rosário
Cada semente do rosário
Um filho a alma afagar
Estigma sabedoria do tempo
Abrangência do relativo tempo
Não percebe a noite passar
Humilde pede uma luz
E se embebeda com raio de luz
Para sua alma abrandar
Sabe o caminho da roça
Abençoa todas as roças
Onde a fé se firmar
Preto velho de Aruanda
Reza pelos ancestres de Ruanda
Todos que atravessaram o mar
E assim a noite passa
De todos os ângulos que passa
A lua contempla sua graça
A noite segue sua jornada
Mostra que nessa jornada
Seu brilho não se apaga
Reluz o céu de estrela
O amor é a sua estrela
E próximo à chegada
Do esplendor da alvorada
Silencia em respeito à alvorada
Para as aguas de Oxalá
 SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ