VIVER
É A PINTURA DO NAVEGAR
Principio é um vazio
Sobre a benção de Orumilá
Recebe um quadro em branco
Onde o som da solidão ecoa
E a brandura do nada se
espalha
E a sabedoria de mãe ampara
Como tudo na vida um desafio
Traçado por Ifá
Faz do desejo aquarela
No curso do destino o
proeiro
Entre o cais e o zarpar
Saudade intensa é o limiar
Nasce o suspiro que revela
O querer ser veleiro
O desejo profundo meu mar
“navegar é preciso”
Quando o Oyá sopra a vela
Chamando-a bombordo
E sinto meu corpo afagar
De braços aberto ao destino
Odú como marinheiro
Horizonte traço na tela
Saudade faz a dor da
distancia
Horrível, numa pincelada sem
tom.
Mas jogo esse fardo no
oceano
Para que a alma emerja numa
concha
Torna doce lembrança
Aconchego-me ao colo de
Iemanjá
Como anéis de acasalamento
Ser os tons que descreve a
vida
Elementares de harmonia
Nunca uma onda de descaso
Porque nos búzios vem
marcado
O que é ternura, aventura,
esperança.
O timão quem guia é a fé
Nave que o silencio grita
Os anais do pensamento
Sentido que o toque pinta.
Inspirado pelo Orixá
Amor que inunda a tela.
Em cores que meu desejo
agita.
Sobre encanto de Oxumarê
SÉRGIO
CUMINO-POETA DE AYRÁ




