ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

FELINA VERÃO

FELINA VERÃO 

Andava na areia 

com a canga sereia

Os pés abraçados 

Pela marola caminha

Movimento e poesia 

Cria da maresia 

A provoca mulher

Desenrola o suspirar 

Desejosa recebe

Chamego do vento

Beijos em versos

Virando do avesso 

Sussurra um reggae 

Um dueto com o mar 

É a graça flutuante 

Inspirador e delirante 

Sob o Sol tropical

Tensão ficou na onda

Sem olhar para tras

Partiu com sal

Já o amor chegou 

Com a brisa

Versando o querer

A paixão no verão 

E por que não 

Diz o tempo 

Bronzeando o corpo 

Ao fundo azul do céu 

Contrasta com mar

No fundo desejo aflora 

A pele cor de mel

Para a noite amar.

SÉRGIO CUMINO 

– POETA A FLOR & A PELE   

                  

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ITÃ VERSA O VERSO

ITÃ VERSA O VERSO

Testemunho ocular 

Dos passos descompasso

Como dúvida cantada

Cuja resposta intuída 

Deveras doida

É o que caleja caminhada

Ancestralidade secular


Medo que trava os dentes 

E a cautela de ser pertinente 

Na hora de desatar o nó 

Que codifica os arrepios

O pé da consulta, se move 

Saudar no rito do paô

No ritmo que Exu entende


Vereda que volta diferente 

As reflexões se abatem 

oferendas ao pensamento

Os tormentos difusos 

Quando a fala vira fumaça 

É magia dentro de cabaça 

A graça é manifesta nos Búzios


Nove estradas e cinco perguntas 

Três opções, haja coração 

O que versa liga a conexão 

Entre Àiyé e a vastidão do Òrun, 

A filosofia cantada no chão

 As linhas das palmas lançam Odus 

És mensageiro de Olorum.


Conduz-me ao passado 

Para que entenda a missão 

Não há caminhada sem rumo 

 esperança em forma de concha 

brincando de ciranda de roda

Avatares signos de si

Temperando meu Ori 


Essa metafísica representativa

Zeladora das células 

Amálgama aos saberes invisíveis

Ela que me prende a terra

Como Eres que berram 

Aos quatro cantos celestiais

Não há dualidade nessa União 


O oráculo prevê a mente sã

Da caminho ao sonho perdido

firmeza ao cético arredio 

Poeta versa devoção a ITÃ

 Verticaliza credo da fé 

Rogo poesia seja prece divina

Com a Pena sagrada ,òkòdidé


SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ         

                   

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

GRÃO POÉTICO


 GRÃO POÉTICO 
São tantos grãos
De ativar memória emotiva
Desde a literalidade
“Joio do trigo”
Arquétipos da lavoura
Dos mitos da cozinha .
Colher de pau e caldeirão
Signos das colheita
Um feijão pra molhar o pão
Os grãos em sua essência
Nas mãos com firmeza
Um punhado é magia
A semente que me tempera
Florescer e prosperar
Biografia da feijoada
Saudosa era da Quinha
Bela lembrança da mãe
Feijoada da Guiomar 
Ancestralidade e grão
Mistura se no caldeirão 
Branco e o grão de bico
De romance com costelinha
 o caldo tornar-se leito 
 Abraçados com arroz solto
Soltando fumaça saída do fogo
Ele alegria da mesa,
Borbulhando e majestoso
Abraço a todos branco
Arroz Fun Fun, solto.
Sabe poesia!
Conforme a fome
Ode ao vulnerável
E triste quando feijão falta
A vida muda olhar, perdido de vista
Das vovós até a panela vazia
E o pó que solta o tempo
É limpo todo dia
Fé nos deuses da colheita.
Que saudade do feijão da vovó
Clímax, da memória emotiva
SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O AFAGO DOS MEDOS

 O AFAGO DOS MEDOS


Será que se juntar os medos

Forma-se uma coragem?

Ou coletivo da distopia,

Extremos que se misturam

Na paúra da integridade ferida

Inflando o território como bola

Que não suporta o entrave

Como complexo é ser singular

E restabelecer o ori

Se prevenir das armadilhas ardilosas

Tóxica ao inconsciente coletivo

É o clímax da obra

O amor está ativo

Encanto ao diferente

Na equação da catástrofe

Prudência e caldo de galinha

Ciente do auto inventário

Uma biografia grifada,

O dialeto das rugas

O registro tem morada

Camuflada de arquivo morto

Personaliza O inferno de Dante

Crueldade ou carma ?

Bico de pena da existência

Onde encaixa a sina.

Não há mais tempo de errar.

Os passos calejados inflamam

Um aviso das correntes sanguíneas

Que boa aventurança

E os mistérios de Ifá

Se aventure por essas banda

Porque a ficção da realidade

são sussurros do pensamento

Em linhas próximas veredas

Na lida o estigma sobrevive

se estabeleça. Como um capítulo,

Que se projeta. Ao oculto

Mito, e o arquétipo

Que penetra na pele

toda nuance para aprender

Num amalgama das almas

Na qualidade dos movimentos

Corpos se libertam

varal de coloridas luzes

Ilumina o tablado

E cada qual seu proscênio

Cada pé no seu Aiyé

Farol e as moléculas

as brechas do vacilo

O íntimo se projeta

Ocupando o espaço vazio

do ponto oponente.

Nem sempre consciente

Do seu abraço dos medos.

SERGIO CUMINO - DO PÓ A FÊNIX.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O SER E O PÓ DA CAMINHADA

 O SER E O PÓ DA CAMINHADA

O tacho de dendê fervente

Posto em fogo a lenha

 cozinhou muita resenha

Imagina-se a qual custo

Como ingrediente escolhido

Desorienta filho de Ayra

Implorando água doce

Do encontro do Rio com o mar

Não é para se tornar um cozido

Sim, benção para o tormento esfriar

As reflexões vocifera em agonia

O que vale está no caldeirão?

Ressignificar a morte

Como vale de introspecção

Preenchendo o vazio

Desse vale de reclusão

É o olho e o furacão

Roga por luz, com pés em brasas

Sobre a cegueira da aflição

Para seguir a sina rumo ao Odu

E destrave a paralisia dos passos

E deixar o vale do abandono

Fritar na controvérsia do transtorno

Como caso pensado dessa provação

Para poesia deixar a alma

E verter pelo fígado

Será a melhor forma

 Para registrar distopias vividas

Torturando sonhos

E sacrificando paradigma

Que alguém me diga?

Como ser Fênix,

com a queimada e desconstrução?

 Estar numa cumbuca

onde ninguém põe a mão

 por medo de pôr a empatia

Na desilusão da provação

 observado queima, sente-se só

Será que a sobra do fervor

É o elixir da renovação?

Nova fragrância da vida

 Só se apesar da mutação

A esperança não vire pó.

 SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX


domingo, 18 de janeiro de 2026

CAMINHO PELOS CAMPOS ELÍSEOS

         

  

CAMINHO PELOS CAMPOS ELÍSEOS.

Os Campos Elíseos 

Dos sonhos abençoados 

Criado dos medos alados 

Que buscavam desesperados

No olorum os orixás 

A coragem dos arrojados 

Soltam sinais na trilha

Ventos, água, terra, fogo

 falam para quem sabe ouvir

Manifestam no som

 do ferro forjado 

 como na ária dos pássaros 

E traços fazem um desenhado

A linha da palma do atormentado

O amor fora crucificado

É motivo aos passos

Um pensamento verborrágico 

Tudo junto e misturado 

Estava escrito agora rabiscado

Como tempo nublado

sequestra a estrela do Norte 

Tira me a esperança nascente 

A dúvida se camufla 

Da captura intermitente 

E preserva a dignidade 

Abaixo do mundo há outro mundo 

Acima do mundo há outro mundo 

O mundo composto de mundos

Qual, o mundo me reserva ?

na vastidão de Gaia

Escrito nas raízes de Baobá 

versos pétreos que dividiam lados

Sobre a rocha pensa Ayrá 

Poder que exerce sobre o raio

Só a sabedoria poderá usá-lo 

 fogo é o combustível da evolução

 nada pode ser precipitado 

Ou uso de mal intencionado

No bornal um livro me acompanha 

Para que eu não desvie da utopia 

Vire objeto dos mercenários da fé

 e de pé ante pé, a esperança vacila 

Bara me fortalece, ao desafio 

As provações da escola da vida.

SÉRGIO CUMINO – 

O POETA DE AYRÁ    

                       

domingo, 14 de dezembro de 2025

OLHAR O ARAUTO DA ALMA


OLHAR O ARAUTO DA ALMA

Eloquência dos olhos 

Translúcido fascinam 

 contadores de história

 prepara o espírito a ler música

E o que a menina revela

Segredo com a retina

Verticaliza no tempo

Formatado na melodia

Da qualidade ao drama

Uma porta ancestral

novo significado a felicidade

O olhar degustado

Que recebo e me dou

Um universo revelado

Nesse jeito natural

De instinto felino

Que seduz a caça

Por ela seduzido

A felicidade que ser

 felicidade que vê

 estado de expectativa

Brilho nos olhos 

É da vivida poética 

Desejada e desejosa

Seu olhar é uma prosa

Para o trovador contar

No canto uma lágrima 

Cabimento da pressão 

Ou ária da ilusão .

Ela escorre de tão feliz

Dos olhares cruzarem 

Em reverência ancestral 

Há magia da menina 

Em conluio com a retina.

 SÉRGIO CUMINO.

CATADOR DE RESENHAS



     

     

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O DENGO E A DENGOSA


 
O DENGO E A DENGOSA

Era um dia de pouca resenha

O dengo transformava a visão

Numa imaginação fantástica

 razão pondera instintos do peito,

Nua oratória, que não havia como

De pronto se põe a declinar

Numa reverência de gratidão

 Sensação, uma brisa de imagens.

Que interagia com suspiros

O solo de dança da malicia

Como um samba contemplando

A disritmia da cuíca..

Num cenário de flores que falam

O sussurro se declara apaixonado

E a melodia aos ouvidos

 Substanciosa se faz ouvir,

A dengosa molinha e absolutamente desejosa

- ah meu dengo, meus peitos

 acendem e se exibem

 Libertos da pressão do bojo

sob o chuveiro de água quente

Simbologia, sonho e Água

Ressurge o delírio adolescente 

E os desejos declamam a saga

Sinais e acenos de bandeira

 projeta-se o amor

Rende se inteira ,dada ao dengo

Arquétipos do conto de fadas

a poesia assume o posto da prosa

A fantasia desnuda,

máscara vai, dar uma volta

Nua e formosa, para ser possuída

Sobre uma colcha de retalhos

Cada pedaço é parte do amor,

O mapa dos desejos vividos 

Sobre as costuras da adversidade

Amores vira folclores renascem

Com ingredientes da experiência

Permitindo temperar a gosto

A vontade degustando o dengo.

Chamego uma iguaria especial

Para entregas específicas

Tornamos toda a magia

Em oferenda sagrada

A Deusa do amor,

SÉRGIO CUMINO –

O POETA A FLOR E A PELE


terça-feira, 26 de agosto de 2025

DORES DO TOLO

DORES DO TOLO

Dor que barra o caminho

Não permite avançar o como

A insônia que sabota o sono

Uma sombra que dá um tranco

Tira a visão do entorno

São traços sem contorno

Sabe se lá o que somos

Cujo o destino é o balanço

O bom tentado ao dolo

E a incerteza tira o pé do trono

E passa a ter o reinado manco

Tantos porquês que não é dono

E não sabe se vai ou se fica

Será o fim ou início?

Não encontra um consolo

Os classificados de sonhos

E a solidão do seu transtorno

Outrora José e agora Zé

 os predicados que se dedica

Amargurado, percebe-se tolo

Não há choro nem lágrima

Na lista de padroeiros

 procura um santo

Seria um consolo para lástima

Não há o qual se identifica

Em algum lugar deixou a fé

Escolhe um pastor de ovelha cega

nem ele acredita no que prega

Há mais verdade na borra de café

Do que a intolerância se apropria

 dobrou-se tanto, perde as pregas

 ser ninguém é bandeira em haste

É o Zé que representa o povo

Esperança se divorciou

 Sera que levaram na rapina?

Talvez ela também se cansou

Não há martírio que se baste

Nunca desfilou em sapato novo

 Se quer um gosto que se destina

     até os que chamam de traste

Será que é Deus que determina?

SÉRGIO CUMINO –

 O CATADOR DE RESENHAS