MADRUGADA
Os gatos espreitam a noite
desenhando suas sombras
E na janela, com cabeça na lua,
debruças o colo da mulher
que os boêmios a
chamam de madrugada.
Assim ela é cúmplice
dos gatos no telhado,
dos andarilhos sem rumo,
dos mistérios das sombras
É a madrugada vendo os
sorrateiros da calada, madrugada
E na janela, com olhar na rua
testemunha
a dança dos embriagados
amantes em fuga,
e o silêncio tomando forma
madrugada na alma da madrugada
E na janela, leviana pura
com malícia ingênua
ela fantasia seus medos
a ternura de seus amores ,
a madrugada acompanha
os receios da madrugada
E na janela, com a moral nua.
No sossego da brisa
os cães ladram suas ladainhas.
até o crepúsculo da lua
e o coral da matilha
cantando pensamentos
a madrugada sorvendo
a madrugada
E as lágrimas
que brotam do olhar distante,
que zanzam lavando
os sonhos que a desafiam
e a madrugada sendo confidente
da madrugada
E na janela, a realidade crua
da madrugada alvorecendo
desabando um sonho frágil
e desatando os braços daquele
que faria da madrugada mulher.
SERGIO CUMINO







