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quarta-feira, 19 de junho de 2013

A LUZ NO FIM DO TRILHO

A LUZ NO FIM DO TRILHO
A luz no fim do trilho
Brilha forte vem a mim
Predestinado nos sonhos
Vem ao pedido do filho
Por sons de clarins
Caminho ao que somos
Envolve em minha estação
Chega à plataforma
De projetos e quereres
Axé de cada função
Estrada que transforma
Pautas de saberes
 
Seguir meu destino
No bolso o livro do Muniz
Ler Yorubás e Bantos
Clarão me embarque
Os desejos eu levo
Aos imprevistos do novo
Espadas de cada nação
Arte na bigorna
Terreiro e as redes
Está vazio cada vagão
Assim vício não entorna
Sacio vida a cada ciente

 E a maquina evolui
Negativo para traz
A vida universal
Que a alma intui
Sua força me faz
Além do bem e mal

Ogum me carregue
Ao signo do ferro
Adoçar do gosto
Mundo me entregue
Seus Ritos eternos
Aprendo convosco

Como chama dilui
Deixa-me capaz
Tornear  o metal
Ou pensamento vil
Que o feitiço desfaz
Com o tônus real

Sem bagagens me leve
  Espírito afago
Sem anteposto
Sua linha escreve
Rotas do fado
Poesia Motiva-Louco.

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 12 de junho de 2013

XIRÊ DOS ENAMORADOS

XIRÊ DOS ENAMORADOS
Quero namorar sob o cântico
Sagrado dos orixás
Entre as brumas aromáticas
Dos encantos das yabás
Na magia da flor
Sejamos a textura da pétala
Em espirito e matéria
De cada acarinhar
Pelos traços meigos
Contornos da bela
 Levar os corpos a bailar
A energia etérea
de todo xirê
 Rosa branca a paz
Ternura funfun
Suavidade dos caracóis
Que o aconchego nos traz. 
Olhos a brilhar como a lua
Sobre as aguas de Iemanjá
Os ventos sensuais de Oyá
Coreografam os girassóis
Encantados de Oxum
Sob a cabana de Ewá
Nosso Orúm, nosso céu.
Olhar é a fala
Quando estamos a sós
E a beleza se revela
Sobre a palha
O amor nos forma um
Juntos se produz o mel
Pelos encantos de Omulú
E o colorido passa ser
Alquimia da paixão em ouro
 E toda dimensão de Oxumarê
Cada poro um vulcão
Acende a chama de Ayrá
 Aquece a pele a macia
Envolve o felino jeito
E o querer que existe em si
Um namoro escrito em Ifá
Que deixa cabeça vazia
Para saborear amor vivido
Nesse bem me quer
Há arte e louvor
Alegria de Ibejí
Que a flecha do cupido
Que nos penetra o peito
Lançada por Logun Ede
Coração sua mira
Nem me abalo
Que do orixá cuteleiro
A  espada de Ogum
Representa meu phalo
Amor estrela guia
Que adentre as matas
E toda excitação de Exú
Com espirito faceiro
E a sedução da pomba gira.
 
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

PRECES das HERESIAS

PRECES das HERESIAS

Quando há abalo, precisam de consolo
Alicerces se agitam buscam a prece
A harmonia vacila, o olhar para.
Pulsando o peito, cadencia o novo
 
 
 Na hora da missa das seis,
Acolhido na catedral intima
Encontra a tomada de ar.
Boca amarga na missa das nove
 
 
Há de serem fadiga e cansaço
Energia que o dia remove
A prece do corpo ensaboado
Confere a água à alma lavar
 
 
Suspiro leve corpo floresce
O habito é a lingerie de rendas
Colo desnudo o desejo se mostra
A prece do amalgama encantado
 
 
Despem as rendas do desejo
Junto com a moral sem efeito
Mas na minha prece safada
Bocas e joelhos se encontram
 
 
E o amor constrói nossa trindade
Ladainhas viram sussurros
Sopro Divino comunga suspiro,
A face pousa no colo fraterno


Substitui a vida crucificada
Busco o encontro con-templo
torna-se basílica a fêmea
mãe terra pulsa no peito

E os sinos apontam a missa do galo
quando galinhas, flores e essências
evocam na encruzilhada
Moças, lebaras e a força do plexo

Bruxas, anjos e quereres
Que a invadem os sonhos
Além do bem e do mal, é magia
Sem tabu que cerceia amantes.
 
 
Fêmea, pura, felina, puta e poesia.
Macho, crente, safado e poeta
É a missa da dama da noite
Tudo contrasta, e se completa...

Na hora da celebração...
Renova! Recicla! Deseja!
Onde o cálice sagrado
Subverte a vida discreta

Abre-se portal do coração
Libertando de toda peleja
Única luz são corpos colados
Por sermos ritualistas ascetas

SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

terça-feira, 11 de junho de 2013

OLÒWÒ & YAWO NA POESIA DE ITAN

OLÒWÒ & YAWO NA POESIA DE ITAN
(homenagem a Alfredo Lago - Okubenjela Pangi)
Encantado poeta alado
Que vem das alturas
Com os ventos de Oyá
Com poética de oxum
Que reina em seu lago
Chega a mim em ondas
De plena sabedoria
De toda sina
Que a vida o fez passar
Sobre o pombo de Oxalá
Chega-me como afago
Os versos nas escrituras
Que digina é obra prima
Onde fazemos do sarava
Ternura do Mo tumbá
E mesmo de norte a sul
Poesia germinando do Orí
Bradamos Axé Odoyá
Criando como ato de fé
Nessa caminha pelo aye
Saldamos com muitos mukuiu
Ligados ao orixá
Com o mesmo branco
Pureza funfun
Ser ou não ser
Digo-lhe kolofé
Axé a todo saldar
Faz espirito inspirar
E olhos para ver
E que a poesia seja rum
Que nos liga a orumila
Retorna como trovão de Ayrá
Que nos faça Olorum
E oráculos de Ifá
Seja a flecha de Odé
Que direcione ao centro
Para se encontrar
Agora meu Baba
Perante seu saber
Serei eterno Yawo
Aos pés de Olòwò
Embargado de emoção
De diante de ti me declinar
Fortalece o poeta
O sinto espada de ogum
Abrindo caminhos
Não importa o Ilê
Ou que agua beber
Deixe a poesia hidratar
Desbrave o crer
No coração de cada um
SÉRGIO CUMINO - POETA DE AYRÁ

 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

POMBO GIRA A ROSA SEM ESPINHO

POMBO GIRA A ROSA SEM ESPINHO

Ajudai-nos Damas feminil
olhos dos naipes de Marselha,
a sensualidade flamenca a sedução cigana,
Abra-nos olhos a vir à vida bela
que o balanço esvoaçante
Das sete saias nos façam bailar
pela roda da vida, sem enjoo.
A sabedoria nos ensina a amar.
Girando por todas as esferas
Aprendendo entrar e sair
Da moralidade de cada horda
Com humildade em cada roça
Dentro do meu realejo
É o pombo que revela o segredo
Correr gira é lançar voo
Na carta do enforcado
É a corda
Evocar todas as pombo-giras
De encantamentos gitanos
As das rosas, Almas, Quitéria.
Que suas magias possam nos ensinar
Como retirar os espinhos
Entender a vida e suas mazelas
Saber escolher as portas
Para os fins justificarem os meios
Aprender com as provações
Moça que há enigma até na vaidade
Mães dos segredos íntimos
E o mistério que irradia a taça
E borbulha o espumante
A semiótica da mãe e os seios
Leite que sacraliza o filho
E sua poção da imortalidade
Cálice que faz gritar a procura
Médium em busca do Grall
Torna conhecedor das libações
Aos repastos profanos
Assim quando vai
as esquinas das encruzilhadas
E leva um cigarro e uma rosa
Evoca a moça para uma conversa
Uma prosa, silenciosa.
Sigilosa, carinhosa
Ao pé do ouvido
Que vão dos céus ao precipício
Não nos julga pelo bem e o mal
Apenas atendem
E nos deixam cônscios
Das imprudências do livre arbítrio
E que o liberta não é pecado
Que nossos desejos não caiam em armadilhas
Ative o ardor, alegria e mel.
seja a luz da vela no castiçal.
Quando numa tocaia sem saída
Estará protegido por Maria Padilha
E todo legado de Pombo Giras

SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A CUIA E O COLO DA AGIBONÃ

 
 A CUIA E O COLO DA AGIBONÃ
(homenagem a Yamoro Nice Oyá)
 A cuia com as ervas sagradas
Foram mãos de fé que massaroco
Banho abençoado da casa de Xangô
Escorre pelo corpo como carinho de Yabá
Meu ser deixa de ser
E passa a ser, nesse nascer.
Legado mágico de Ayrá
Navego do Espirito cartesiano
A soberania da alma encantada
Nesse Orum de estrelas marcadas
Foi uma filha de Oyá que me criou
Quando o guiso cantava
De pronto, mãezinha vem atender.
Humildade é a doutrina
Que aprofunda rumbê. 
E outros segredos que não posso falar
E o Ego enfermo e todo seu fardo
Tudo que fui, foi.
Aos vales das terras de Ifé
Soprou as folhas agraciando Orobô
Seu colo da norte ao barco
Que a sabedoria mora no simples
Foi exu que ensinou a Iyamorô
Faz-nos sentir Orum no leito da esteira
O jeito de amar o Orixá
Foi seu olhar quem disse
Minha Iya é bênção a esse Yao
Seja onde levar meu coração
Estará vivo o amor de Mãe Nice
Assim como na minha eternidade
Sou ciente que o presente do Orixá
Em escolhê-la como minha Agibonã.
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ