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sábado, 10 de agosto de 2013

CICLO DO VIGOR DIÁRIO



CICLO DO VIGOR DIÁRIO

Nesse dia revigora
Tudo que deseja ser
Até mesmo o desejo
Que roga por acontecer
Giro do ciclo
Da roda da vida
De tantos micos
E conquista querida
E teve que ver para crer
E as lagrimas retidas?
Outras escondidas
Lubrificaram seu viver
Como abraços queridos
Surpreende ao acontecer
Quão os passos dados
Na corda bamba da vida
Não deixa esperança retida
Mais critico que foi o bailado
Não deixou se render
Por isso da data querida
É flor no calendário
Para um novo reviver
Pensamentos calados
Aponta-lhe quando ceder
Beijos e sorrisos roubados
Abraço apertado
Que escrevem seu diário
Para nunca esquecer
Tudo que viveu é valido
Seja junto ou só
Que forma seu crescer
Justifica todo prado
A magia do paó
No desejo
De Feliz Aniversário
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

 

PAIS & MEU ORÍ


PAIS & MEU ORÍ

Meus pais, que Xangô.
Reservou para mim
Dois melhor que um
Os tenho em meu querer,
Um meu Babalorisà
Baba do Ilê de Igbona
Faz do Axé o império
Ilê Asé Oba Orú
E tudo que Orixá quiser
Conhecido como Pai Toninho
Como eu, filho de Ayrá.
Pelo Ifá me leva ao atalho
Da conquista do caminho
Outro Babakekerê
Meu pai Pequeno
Conhecido Pai Ramalho
Filho de Odé
Olha o que não consigo ver
Ministro do nosso reino
Ambos e a navalha
Rasparam meu Orí
Com devoção e amor
Na camarinha meu ninho
Deitado na cama de palha
Deram-me sentido pleno
Na minha vida o sinal
Desenhada com rumbê
Causa e efeito
Emergentes da minha fé
E tudo aquilo que sou
Zeladores do Amparo
Para o Ayé e Olorum eu nasci
São partes do meu destino
Abrem o peito
A família espiritual
Pais de movimento
Axé das minhas batalhas
Raízes de fundamento
Das aguas de Oxumarê
Alimentam todo Ajo
E o signo do respeito
Ao culto ao ancestral
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

OBALUAYÉ EU VOU

 

 
 
OBALUAYÉ EU VOU
 
A vida e a peste
Palco de caminhada
E os medos de ser
Inicio e o fim
Enfermidade moral
São minhas pragas
Que abala e desloca
 
Divagações etéreas
Das curas da alma
E daquilo que virá
Da cabeça aos pés
Quando amor faltou
Repressão perverte
O desejo reboca
 
A visão apaga
Não me deixa ver
O lado ruim
Nenhum ponto vital
Autoestima caçada
Felicidade berra
E a cura evoca
 
Nas linhas da palma
Para saber onde está
Busca na fé
O saber que doou
Poder que remete
As origens de Tapa
O querer desloca
 
Para onde recorrer
Vem das bandas de Benin
Contrariando o banal
E a doença que traga
Ensina reação
Força da terra
Magia da pipoca
 
Madeira empalma
Esteio que sustenta
A esteira de olubajé
Ensina-me quem sou
E o inicio da prece
Já quando lhe brada
A mente transporta
 
Atoto Obaluayé
Cuida de mim
E de todo astral
Alimenta a calma
Elimina o que risca
As marcas da chaga
E tudo que coça
 
Amor e devoção
Mesmo na miséria
Mantem vivalma
Como seios Yabá
Pela fé a Olófin
Surge o sinal
Para espirito a porta
 
Que me livra do trauma
Graças ao sopro das palhas
Mostra o ser em ação
Com beleza singela
Abonando a aura
Dos ventos de Oyá
Ao Olorum reporta
 
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ




quinta-feira, 8 de agosto de 2013

VIVER É A PINTURA DO NAVEGAR



VIVER É A PINTURA DO NAVEGAR

Principio é um vazio

Sobre a benção de Orumilá

Recebe um quadro em branco

Onde o som da solidão ecoa

E a brandura do nada se espalha

E a sabedoria de mãe ampara

Como tudo na vida um desafio

Traçado por Ifá

Faz do desejo aquarela

No curso do destino o proeiro

Entre o cais e o zarpar

Saudade intensa é o limiar

Nasce o suspiro que revela

O querer ser veleiro

O desejo profundo meu mar

“navegar é preciso”

Quando o Oyá sopra a vela

Chamando-a bombordo

E sinto meu corpo afagar

De braços aberto ao destino

Odú como marinheiro

Horizonte traço na tela

Saudade faz a dor da distancia

Horrível, numa pincelada sem tom.

Mas jogo esse fardo no oceano

Para que a alma emerja numa concha

Torna doce lembrança

Aconchego-me ao colo de Iemanjá

Como anéis de acasalamento

Ser os tons que descreve a vida

Elementares de harmonia

Nunca uma onda de descaso

Porque nos búzios vem marcado

O que é ternura, aventura, esperança.

O timão quem guia é a fé

Nave que o silencio grita

Os anais do pensamento

Sentido que o toque pinta.

Inspirado pelo Orixá

Amor que inunda a tela.

Em cores que meu desejo agita.

Sobre encanto de Oxumarê

SÉRGIO CUMINO-POETA DE AYRÁ

 

 

 


 
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O FOLE DO ESTIGMA

O FOLE DO ESTIGMA
Cravam no ponto
Na marca da paixão
O mastro colonizador
Ampara a flamula
Dessa pérfida em vigor
 
chibata de insígnias
Vinda pra lá do mar
Coage à labuta
Assim como a fé
Fica a beira amar
Portanto como a maresia
Em sua fumaça ancestral
Perde-se o sonho alado
Pelo fosco da conduta
Supremo do progresso
Faça o que fizer
Preserva inicio fatal
E a clerezia consorte
Estimas da colônia
Evolução em regresso
Em dor perpetua
Pela ética inquisidora
Inibindo todo anseio
E a culpa como fardo
Mutilando os seios
Da mãe preta
Que alimenta o portal;
Institui a foice da morte
Consagrada pela manjedoura
Faz-se alvo dos dardos
Tira verdade das vistas
Abates e as lavouras
E a mitologia quieta
Deixa-se alegoria de lado
Entrega-se a toda sorte
Sucumbe-se ao abandono
Subserviência que ministra
Do instinto mutante
E o fogo em estado de sono
O que era imediato, adiado.
E espiritual retalhado
Cartilha moral, consolo.
Pela conjunção, clero e corte.
Derrui outros reinados
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÁ

quarta-feira, 31 de julho de 2013

CONDOLÊNCIAS DA INTOLERÂNCIA

CONDOLÊNCIAS DA INTOLERÂNCIA 
 
 
 A vida é um fim em si
Aí o ajuste suprime o sujeito
As aguas do principio histórico
Corredeiras da evolução
Ventos que norteiam a sina
de todo encargo equivalente
 
O espírito entregue ao  ardil
Oprime a voz do peito
A busca vira anseio melancólico
Preme o desejo de libertação
Envenena o conceito de utopia
Por meios de vontades afluentes  
 
Sucumbe a graça do poder vil
Vestem-nos em togas sem fecho
ao estilo neocolonial bucólico
Renega a roupa de ração
Leva a tradição ao fio do extinto
Fios sagrados, dizem pingentes.
 
Chamam Orixás de mal aferido
Benesse e maldiçoes como feito
Deixa o poder astral insólito
Regulada com sutil abolição
Forjam a aparição do instinto
Acudidos ao quem cala consente
 
Sermos o pé-de-altar conferido
Mas o sangue segue o leito
Abdicar o ancestral, nosso espólio.
Inclemência talhada à depressão
Sobre a benção do heril vigente
Modera a fé que avalia decente
 
SÉRGIO CUMINO – POETÁ DE AYRÁ