ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

domingo, 15 de fevereiro de 2026

ANJO RONRONA


ANJO RONRONA

Os anjos ronronam

Para ancestralidade 

Somar espírito e corpo

Integrar o que não vemos 

Guardiões de garras

Costume que medita

Separa o tolo do ignorado

Farol que ilumina 

Os umbrais do inconsciente

O oceano de possível 

O mergulho e a água que escorre

Luz e sombra

Forma a imagem do mistério 

Imergir saberes 

Que só o silêncio ensina 

Tríade da hora grande 

As orelhas atentas

Revoadas de quero – quero 

Prelúdio se cala

É música que a alma canta 

Como denota, a nota

De uma fresta qualquer 

Seus olhos tomam conta 

E o que vê por traz 

Do depois. Onipresente 

A guarda que te conforta 

A rede que descansa 

E a preguiça do miado 

Indica o controle.

Sob afago do sagrado.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX 


  

                 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

ASPECTOS RUDES

ASPECTOS RUDES

Meu brother cautela 

A chibata inspeciona

Se há responsa pra sonhar

Pra onde levar quimera 

Crista da soberania 

Nos conflitos da utopia

Se infiltram nos afetos

Sofrimento que os amarga 

As tocaias do submundo 

O suor tenso “moio” 

Tá preso na rede

Inerte todavia 

Há inteligência pra cada estupido 

Aplicativo seu estímulo 

O moral distópico 

Então fique esperto

Ensaio sem roteiro 

Nesse teatro invisível 

É o muro rompendo 

Onde nada conforta 

O que importa 

Dividendos de “certos”

Inteligência artificial 

Na realidade morta

De Cristo crucificado 

Mutilado no palanque 

Poderes são aspectos 

Filosofia clássica 

E a imprensa se apressa

A Forjar resenhas 

 guardada nas nuvens

 o arquivo esquecido

Crucifica o seu reality

Como pontalete na nuca 

Sem saber de onde vejo 

Mas o ponteiro 

Ameaça o mosteiro

Atinja o centro 

Em suas abóboda 

Dependurada no pescoço 

Estraçalhar por dentro 

Para que o fragmento

Diversifique o reinvento

No avesso do verso

E seus contratempos. 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ À FÊNIX .


 

                             

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

CAUSOS PAI JOSÉ

CAUSOS PAI JOSÉ 

Ocês preenche as preces,

Se ação é sua devoção 

Dizia pai José 

De lá do santuário de Aruanda 

Das bandas que o espírito branda 

“Sua Bença “ respeito ancestral 

Abençoado se personifica

No calor da minha Palma

Submergiu na reza 

Minha outra parte desse todo

Estamos juntos 

Na graça da bença 

Bendizer sua crença 

Luz lhe dá presença 

Dengo e sequência 

No resgate do amor 

Próprio e impróprio 

Só para cercear 

Tem espírito libertário 

Um aparte:

Reina na arte 

Num arquétipo do mel 

Entre Aye e Òrun 

Existe o céu 

Abençoado para

Plano de vôo dos sonhos 

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX 


 

                      

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

CAMINHO MARCADO

CAMINHO MARCADO

Se marcou daqui ou se marquei lá 

Ou é marcação do previsível 

Se marcado foi, espero que vá.

A marca da alma não vai esperar 

E o estigma do mundo invisível

Até a esperança vai se reinventar 

E a árvore da vida, aferida

Por deixarem pra lá 

Por isso essa urgência intuitiva 

Que já foi desbravar

Se for um cientista 

Forjado por Ogum 

Caminho apontado 

Pelo mestre do traçado 

E já ferve o, aguardo 

Evapora pelo calor da espera

Ansioso ou água no pescoço? 

A fogueira de Ayrá fez transpirar 

as dúvidas dos pensamentos

Mãe das tensões musculares 

Gritando socorro 

“entre a cruz e a caldeirinha”

Aconchegado em aspas 

A pergunta que não quer calar 

Para quem eu peço Socorro?

 Se mais um contratempo tiver 

Incógnita ou tormenta

Conforme destratado 

Do traidor coroado

Penhasco do lascado 

Clímax de um fadado.

SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX

  

                  

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

FELINA VERÃO

FELINA VERÃO 

Andava na areia 

com a canga sereia

Os pés abraçados 

Pela marola caminha

Movimento e poesia 

Cria da maresia 

A provoca mulher

Desenrola o suspirar 

Desejosa recebe

Chamego do vento

Beijos em versos

Virando do avesso 

Sussurra um reggae 

Um dueto com o mar 

É a graça flutuante 

Inspirador e delirante 

Sob o Sol tropical

Tensão ficou na onda

Sem olhar para tras

Partiu com sal

Já o amor chegou 

Com a brisa

Versando o querer

A paixão no verão 

E por que não 

Diz o tempo 

Bronzeando o corpo 

Ao fundo azul do céu 

Contrasta com mar

No fundo desejo aflora 

A pele cor de mel

Para a noite amar.

SÉRGIO CUMINO 

– POETA A FLOR & A PELE   

                  

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

ITÃ VERSA O VERSO

ITÃ VERSA O VERSO

Testemunho ocular 

Dos passos descompasso

Como dúvida cantada

Cuja resposta intuída 

Deveras doida

É o que caleja caminhada

Ancestralidade secular


Medo que trava os dentes 

E a cautela de ser pertinente 

Na hora de desatar o nó 

Que codifica os arrepios

O pé da consulta, se move 

Saudar no rito do paô

No ritmo que Exu entende


Vereda que volta diferente 

As reflexões se abatem 

oferendas ao pensamento

Os tormentos difusos 

Quando a fala vira fumaça 

É magia dentro de cabaça 

A graça é manifesta nos Búzios


Nove estradas e cinco perguntas 

Três opções, haja coração 

O que versa liga a conexão 

Entre Àiyé e a vastidão do Òrun, 

A filosofia cantada no chão

 As linhas das palmas lançam Odus 

És mensageiro de Olorum.


Conduz-me ao passado 

Para que entenda a missão 

Não há caminhada sem rumo 

 esperança em forma de concha 

brincando de ciranda de roda

Avatares signos de si

Temperando meu Ori 


Essa metafísica representativa

Zeladora das células 

Amálgama aos saberes invisíveis

Ela que me prende a terra

Como Eres que berram 

Aos quatro cantos celestiais

Não há dualidade nessa União 


O oráculo prevê a mente sã

Da caminho ao sonho perdido

firmeza ao cético arredio 

Poeta versa devoção a ITÃ

 Verticaliza credo da fé 

Rogo poesia seja prece divina

Com a Pena sagrada ,òkòdidé


SÉRGIO CUMINO – O POETA DE AYRÁ         

                   

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

GRÃO POÉTICO


 GRÃO POÉTICO 
São tantos grãos
De ativar memória emotiva
Desde a literalidade
“Joio do trigo”
Arquétipos da lavoura
Dos mitos da cozinha .
Colher de pau e caldeirão
Signos das colheita
Um feijão pra molhar o pão
Os grãos em sua essência
Nas mãos com firmeza
Um punhado é magia
A semente que me tempera
Florescer e prosperar
Biografia da feijoada
Saudosa era da Quinha
Bela lembrança da mãe
Feijoada da Guiomar 
Ancestralidade e grão
Mistura se no caldeirão 
Branco e o grão de bico
De romance com costelinha
 o caldo tornar-se leito 
 Abraçados com arroz solto
Soltando fumaça saída do fogo
Ele alegria da mesa,
Borbulhando e majestoso
Abraço a todos branco
Arroz Fun Fun, solto.
Sabe poesia!
Conforme a fome
Ode ao vulnerável
E triste quando feijão falta
A vida muda olhar, perdido de vista
Das vovós até a panela vazia
E o pó que solta o tempo
É limpo todo dia
Fé nos deuses da colheita.
Que saudade do feijão da vovó
Clímax, da memória emotiva
SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

O AFAGO DOS MEDOS

 O AFAGO DOS MEDOS


Será que se juntar os medos

Forma-se uma coragem?

Ou coletivo da distopia,

Extremos que se misturam

Na paúra da integridade ferida

Inflando o território como bola

Que não suporta o entrave

Como complexo é ser singular

E restabelecer o ori

Se prevenir das armadilhas ardilosas

Tóxica ao inconsciente coletivo

É o clímax da obra

O amor está ativo

Encanto ao diferente

Na equação da catástrofe

Prudência e caldo de galinha

Ciente do auto inventário

Uma biografia grifada,

O dialeto das rugas

O registro tem morada

Camuflada de arquivo morto

Personaliza O inferno de Dante

Crueldade ou carma ?

Bico de pena da existência

Onde encaixa a sina.

Não há mais tempo de errar.

Os passos calejados inflamam

Um aviso das correntes sanguíneas

Que boa aventurança

E os mistérios de Ifá

Se aventure por essas banda

Porque a ficção da realidade

são sussurros do pensamento

Em linhas próximas veredas

Na lida o estigma sobrevive

se estabeleça. Como um capítulo,

Que se projeta. Ao oculto

Mito, e o arquétipo

Que penetra na pele

toda nuance para aprender

Num amalgama das almas

Na qualidade dos movimentos

Corpos se libertam

varal de coloridas luzes

Ilumina o tablado

E cada qual seu proscênio

Cada pé no seu Aiyé

Farol e as moléculas

as brechas do vacilo

O íntimo se projeta

Ocupando o espaço vazio

do ponto oponente.

Nem sempre consciente

Do seu abraço dos medos.

SERGIO CUMINO - DO PÓ A FÊNIX.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O SER E O PÓ DA CAMINHADA

 O SER E O PÓ DA CAMINHADA

O tacho de dendê fervente

Posto em fogo a lenha

 cozinhou muita resenha

Imagina-se a qual custo

Como ingrediente escolhido

Desorienta filho de Ayra

Implorando água doce

Do encontro do Rio com o mar

Não é para se tornar um cozido

Sim, benção para o tormento esfriar

As reflexões vocifera em agonia

O que vale está no caldeirão?

Ressignificar a morte

Como vale de introspecção

Preenchendo o vazio

Desse vale de reclusão

É o olho e o furacão

Roga por luz, com pés em brasas

Sobre a cegueira da aflição

Para seguir a sina rumo ao Odu

E destrave a paralisia dos passos

E deixar o vale do abandono

Fritar na controvérsia do transtorno

Como caso pensado dessa provação

Para poesia deixar a alma

E verter pelo fígado

Será a melhor forma

 Para registrar distopias vividas

Torturando sonhos

E sacrificando paradigma

Que alguém me diga?

Como ser Fênix,

com a queimada e desconstrução?

 Estar numa cumbuca

onde ninguém põe a mão

 por medo de pôr a empatia

Na desilusão da provação

 observado queima, sente-se só

Será que a sobra do fervor

É o elixir da renovação?

Nova fragrância da vida

 Só se apesar da mutação

A esperança não vire pó.

 SÉRGIO CUMINO – DO PÓ A FÊNIX