ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

sábado, 27 de junho de 2026

BALUARTE DESEJO DUO

BALUARTE DESEJO DUO

Morada de muitas essências

É magia do porto seguro 

Amálgama de muitos mistérios

Minha fêmea meu castelo

Nosso amor aconchega cabana

Quando quereres são residência

Baluarte de puro desejo duo

Do Aye ao Orum

degraus nos tornam amantes

Construindo poções e deletérios

Contra inveja, feitiços, mandinga

Ascendendo o amor a sermos

Tudo que a beleza declama 

Abriga os quereres singelos 

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO

SILHUETAS E LUZES

SILHUETAS E LUZES

Com desejos de cores vivas

Dessa pintura do tempo

Contrastando a pele clara

A luz azul da lua e o vento

Performa o véu da cortina 

Invade o gozo e a nave

Presente, ausente e eterno

Com graça , formas e traços

Sonhos, beldades 

Contraste da cor azul

 Amor em contos de fadas

À torre fálica as boca 

 Peregrino em escalada

Subindo em espiral

Na loucura horizontal 

Levando o calor ao topo 

Resgata do calabouço

 a amada chamando seu heroi

Conquista do guerreio medieval

Cores fortes diluem em traços leves

Fica sem norte começando do sul

Ascendendo em ti desejos 

envoltos em abraços

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO


 

CORPOS SOB CÂNTICOS


CORPOS SOB CÂNTICOS 

A capela no silêncio 

Gemidos e seus acordes

São sonatas da noite 

Dando poesia ao sonho

Abençoados por Oxum

Magia de nossas vidas

Proscênio é a cama

Num dueto de entrega

Iluminados sem abajur 

Mãos que se tocam 

Como citaras vividas

instrumento de desejos

Dedilhar suave

Na querência dos lábios 

E sonetos imensuráveis 

Evoluí clímax do ato

Sinfonia de prazeres

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO


 

MAROLAS DO SUSSURRO

 MAROLAS DO SUSSURRO

Som que o silencio produz

Orquestrado pelos quereres

Como se fosse a terra

Ternura e feminilidade

Sob uma lua mágica

Que por muitas noites

Pelo quadro da janela

Invadindo nossa cama

Brilha o corpo molhado 

Modelada pelas mãos amantes 

Toque esculpindo poesia 

Lume a graça da dama

Sons dos mais apaixonados

Daqueles que acende o corpo

E aniquila as sombras e a dor

Amantes entregam delírios 

As marolas do sussurro

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO



PINTURAS DE VONTADES NUAS

 PINTURAS DE VONTADES NUAS

PINTURAS DE VONTADES NUAS

Sonhei com seu corpo nu

Sonho dando vida ao quadro

A pintura que os sentidos bradam

A luz, a alma que a arte expõe

Cenário, o que traduz o intimo.

Delicadeza que a mulher exala

Quarto que a noite aconchega

Que o sol se faz presente

 pinceladas , dos sonhos

No corpo as marcas revelam

Flor da pele, desenhada

Adornada pelas rendas intima

Num quadro de paixão e norte

Caminha os dedos apaixonados

Em sua pele como tela macia 

Delineando o que somos

Nessa pintura nua que criamos 

Dá-se sentindo as cores

Transforma poetas em pintores

Que para novo amor há um mote

Uma galeria em forma de prazeres

E a vida nossa vida pinturas ascetas

SÉRGIO CUMINO – 

LUME LUSCO- FUSCO 


sábado, 20 de junho de 2026

ODISSEIA DO NAÚFRAGO

ODISSEIA DO NAÚFRAGO 

Quando os feromônios 

Avistaram o horizonte 

Ensinaram aos olhos 

O brilho do olhar apaixonado 

 Taxado como lume subversivo 

Submetido sutileza do castigo 

E a culpa fui apresentado 

Afogou a declaração de amor

Submergiu goela abaixo 

Sem deixar uma sílaba 

Nasceu carência de resistência 

Sobrou um gosto amargo

E salgou aquela lágrima 

Que outrora sonhava doce

A sombra do pecado 

Afogou puras querências 

Num cilindro sem portas 

Perde a conta dos abandonos

Nas estações da odisseia 

Quando estava a deriva

Nas brisas do pensamento 

Decide dar um basta 

Os binóculos lacaios 

Vêem a áurea libertária 

Arrogância do despeito  

Alega falta de cabimento 

Nega-se ser tábua de convés 

Louco e seu bornal 

Salta á jangada da esperança 

Sendo ela último a morrer

Mãos intransigente detém

viram a promessa ao mar

A boia de salvação dizia ser

O Deus que eles criaram 

Mergulha mais profundo 

 convicção determinada 

Não era por desespero 

Seguindo a própria intuição 

Foi ao silêncio do Oceano 

A âncora da sua indagação 

 avista um cemitério 

Sonhos e desejos naufragados 

Foi lá, que sua anima o ensinou 

Que havia novos ares a respirar 

Que se despedisse 

desses eus do passado 

Na superfície haverá um trapiche

Ao emergir encontrará 

A sua luz que o guiará.

E com os altos e baixos 

Da dança das ondas

Sob a cabeça a benção da lua

A frente o píer e sua lamparina.

*

SÉRGIO CUMINO 

LUME, LUSCO- FUSCO 


terça-feira, 9 de junho de 2026

O AFAGO DE YÁ


  O AFAGO DE YÁ 

Oh minha criança 

Que Òsun veio me entregar 

Filho de Orobó com Yabá

Com tu renasce a ternura 

Que vem dá linhagem de Orisa 

Dorme no colo agarrado fio de Oyá

Dissolve toda massa que fui preciso vestir 

Luzido que fez aliança 

Seus olhos projeta luz

Fazendo os meus viver

São as bençãos das águas límpidas 

Vida que renova a esperança 

Só vendo para crer

Eliminou a terra seca que tive que engolir 

É sabedoria que não sei exprimir 

Sabe mais que eu sei de mim

Foi preciso filho pra me ensinar ser mãe 

Pedra e fogo que veio do útero da água 

Já nasceu abençoado 

O sagrado vem do ventre

E tantos outros há de adentra 

Só a vida o ensina ser mago

Meigo e frágil, que me faz existir 

Nessa vida, morte e viva para morrer

Muitas mortes mais que deveria ser

Agora o momento é luz para aquecer 

O lume da noite e do dia

Ensina, não há amor sem dor

Mesmo quando se lusco- fusco 

Há o afeto para orientar 

Lisonjeia saber que não veio só 

A ancestralidade está para encaminhar 

É ninho que move o ciclo

O afago que faz iluminar 

É o filho e espírito nagô 

Orgulho do povo Iorubá 

Diamante divino me fez Yá.

*

SÉRGIO CUMINO 

LUME, LUSCO- FUSCO 


domingo, 7 de junho de 2026

ORIGAMI DOS SONHOS

  

ORIGAMI DOS SONHOS 

A arte do inconsciente 

Suspira versos numa noite fria

Se inspira no vapor do chá quente 

Deita-se com a resenha de prosas

Faz arranjos com rosas 

Ao centro tapete de pétalas 

Para o delírio desfilar 

Os espinhos são pontas de flechas 

Numa tocaia do cupido 

Fura o dedo , pretexto para beijar 

Dobra os dedos sentindo o cabelo 

Origami é poesia da memória 

Fazendo cachos com as dobras 

Lembrando a coroa de Dada

Traços finos revela ternura 

Como ingredientes dos sonhos 

Mistura-se ao deleite do olhar

A oportuna ilusão cadencia 

Leve, íntima e pura

Quando as sombras e luzes casam

Carinho que o toque sabe lembrar 

O amor é arte que inspira sonhos 

Quando está livre para sonhar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

                    

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO

ADMIRÁVEL SONHO LOUCO 

Foi um sonho desconexo 

Pra lá de ficcionado

Porém de profundo impacto 

Não conectava os fatos

Abusou do abstrato 

Estimulante como sexo

Havia sim diálogo interno

Mas não entendi o dialeto 

Claro, aconteceu papo reto 

Interessado em privada atimia

 Buraco negro do sonho, vago

Aqueceu o sol do meu plexo 

Redefinindo o substrato 

Como uma ópera psicodélica 

Protagonizava eu como objeto 

E a razão num cavalo alado 

Galopando na galeria 

de imagens e arquétipos 

Ou se era enigma paranormal 

Vagando no vácuo sem chão nem teto

Muito louco sem dar um trago 

Raio só se for dos sonhos dos magos 

Procurei referência nos mitos

Nessa dinâmica surreal 

Não encontrei nada escrito 

O intuitivo havia me desafiado

Não definindo nada concreto 

Mas uma coisa estava certo 

 a anima em estado animado 

Do cárcere havia me libertado

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ