ODISSEIA DO NAÚFRAGO
Quando os feromônios
Avistaram o horizonte
Ensinaram aos olhos
O brilho do olhar apaixonado
Taxado como lume subversivo
Submetido sutileza do castigo
E a culpa fui apresentado
Afogou a declaração de amor
Submergiu goela abaixo
Sem deixar uma sílaba
Nasceu carência de resistência
Sobrou um gosto amargo
E salgou aquela lágrima
Que outrora sonhava doce
A sombra do pecado
Afogou puras querências
Num cilindro sem portas
Perde a conta dos abandonos
Nas estações da odisseia
Quando estava a deriva
Nas brisas do pensamento
Decide dar um basta
Os binóculos lacaios
Vêem a áurea libertária
Arrogância do despeito
Alega falta de cabimento
Nega-se ser tábua de convés
Louco e seu bornal
Salta á jangada da esperança
Sendo ela último a morrer
Mãos intransigente detém
viram a promessa ao mar
A boia de salvação dizia ser
O Deus que eles criaram
Mergulha mais profundo
convicção determinada
Não era por desespero
Seguindo a própria intuição
Foi ao silêncio do Oceano
A âncora da sua indagação
avista um cemitério
Sonhos e desejos naufragados
Foi lá, que sua anima o ensinou
Que havia novos ares a respirar
Que se despedisse
desses eus do passado
Na superfície haverá um trapiche
Ao emergir encontrará
A sua luz que o guiará.
E com os altos e baixos
Da dança das ondas
Sob a cabeça a benção da lua
A frente o píer e sua lamparina.
*
SÉRGIO CUMINO
LUME, LUSCO- FUSCO

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