O AFAGO DE YÁ
Oh minha criança
Que Òsun veio me entregar
Filho de Orobó com Yabá
Com tu renasce a ternura
Que vem dá linhagem de Orisa
Dorme no colo agarrado fio de Oyá
Dissolve toda massa que fui preciso vestir
Luzido que fez aliança
Seus olhos projeta luz
Fazendo os meus viver
São as bençãos das águas límpidas
Vida que renova a esperança
Só vendo para crer
Eliminou a terra seca que tive que engolir
É sabedoria que não sei exprimir
Sabe mais que eu sei de mim
Foi preciso filho pra me ensinar ser mãe
Pedra e fogo que veio do útero da água
Já nasceu abençoado
O sagrado vem do ventre
E tantos outros há de adentra
Só a vida o ensina ser mago
Meigo e frágil, que me faz existir
Nessa vida, morte e viva para morrer
Muitas mortes mais que deveria ser
Agora o momento é luz para aquecer
O lume da noite e do dia
Ensina, não há amor sem dor
Mesmo quando se lusco- fusco
Há o afeto para orientar
Lisonjeia saber que não veio só
A ancestralidade está para encaminhar
É ninho que move o ciclo
O afago que faz iluminar
É o filho e espírito nagô
Orgulho do povo Iorubá
Diamante divino me fez Yá.
*
SÉRGIO CUMINO
LUME, LUSCO- FUSCO

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