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sexta-feira, 24 de julho de 2026

DILEMA PÓSTUMO

DILEMA PÓSTUMO 

 O dilema do retorno póstumo 

Qual espólio da falência ?

Bens materiais, credores e herdeiros 

São auditores naturais 

A questão é existência 

Será um bem bolado 

Da idade da razão com a caverna de Platão 

Mas hibernou na solidão urbana 

Ou uma overdose em crise de abstinência?

Vivência física de um ponto de vista

Não é possível com tantas reticências 

Se quer resolvidas desse mundo mutante 

nunca se sabe, o que é fato ou factoide

Se a vida é cíclica, volta para fim da fila 

O eterno complexo de Sísifo 

Agora se a questão é dialética 

Prepara -se para exaustiva fadiga 

Uma coisa é fato, não está apaixonado 

Ficou complicado, para evitar frustração 

Tudo fazem para evitar a dor 

 pretendentes vem com manual

 Pedido de precedente criminal 

Vaga o errante em sua Odisseia 

quão poético é morrer de amor

Em meio as premissas alternadas

É o Dino desse destino 

Que o tira do tormento 

Aportar para enterrar o passado 

Dando vazão ao espírito místico 

Sendo a resposta ao enigma 

Está na sabedoria do silêncio 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

MARTELO OCULTA O CUTELO

 MARTELO OCULTA O CUTELO 

Blindagem do vendilhão 

Tem sigilo contratual 

Da operação escudo

Extermina até no verão 

Conluio com farinha lima

Além do bem e do mal

O sumo do laranja de facção 

Aspirante de carreira 

Graduado em corrupção 

Descarrilha o trem 

Passageiro recorre a fé 

Sem água benta 

Quando tem é contaminada 

Pelo paradoxo liberal conservador 

Até na terra plana 

O fruto cai próximo do pé 

As explosões nas ruas e nos trilhos 

Mas o dedo aponta para o outro 

Até quando descobre-se desvios 

O poder Tá Cínico 

reação em cadeia 

E não culmina em prisão 

Sem a menor educação 

Deixa o bicho solto 

Até robótica vira nicho 

Princípio negacionista 

Conforme orienta o partido

E determina a base

Não importa quanto 

Vai além do que cabe no bolso.

Se preciso for use saco de lixo 

Nem os fantasmas ficam na nave

Ninguém sabe, ninguém viu 

“ porque Deus não joga dados”

E as emendas se encarregam do desvio 

Para o roteirista faccionado 

O mesmo que bate o martelo 

Para alegria do mercado 

Decepa o povo com cutelo 

Não existe cavalo alado

Assim como não há 

Fascismo moderado ...

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO  

CRIPTA DA INOCÊNCIA

CRIPTA DA INOCÊNCIA 

Deus acima de tudo 

Foi o cadáver acima de todos

Sagrado ideológico nasceu morto

A coroa de flores de plástico 

Lacram a urna funerária 

Cobre o equívoco teocrático 

Com post nas redes

Eis o dramático funeral 

Do fundamentalismo caótico 

Com obituário da vitimização

E a ilusão do Estado terminal

É o vassalo patriótico 

Alimenta o ressentimento oprimido 

Com o abnegado falsário 

O estelionato negativista

Bem aventurados fariseus 

Feitores da diminuta vida

Coloca a esperança em risco 

Ancorados na barbárie 

A abstração dos costumes 

São assassinos de Cristo 

E toda compaixão que vale 

Que residem no esgoto 

Por onde tocaia a vítima 

Adultera a sina 

Ilude os crédulos 

Camuflado de princípio 

Previsível corrupto 

Sequestra o norte

Dessa tragédia cíclica 

Tira da vida o sentido 

O colapso com doutrina 

E sua punição eugenista

Com méritos impositivos

Pela estética da morte 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

BOTAS DA REDENÇÃO

 BOTAS DA REDENÇÃO 


O que lembra é fato 

Não era assim com seu avô 

Lança seu olhar ao céu 

Para onde escapa a sorte

Gole infame, as entranhas queimou 

Antes um homem hoje rato

*

Condenado, mistura-se álcool e fel 

O desânimo aquece no Corote

Já se desculpa pelo desacato 

Mas é lástima o que se tornou

O triste olhar no infinito 

Não disse nada para o nada

*

 Era plácido o rancor 

Indaga o pensamento atrevido 

Com escrúpulo embriagado 

o azul do meio dia trovejou 

Nuvens brandas esvaíram 

Seria sua sentença de morte?

*

Sabia que tal desfecho falta pouco 

Não tinha sequer magoa

Mesmo depois de tudo perdido 

Teria direito ao desabafo 

Mas o trovão o calou

A batida de tambor no couro do céu

*

Será que ficou louco 

O estrondo o tocou forte 

o ronco falara contigo 

É o delírio do tormento

De pensar o corpo arrepiou 

Precisava de alguém pra falar

*

Os pelos dançaram com vento

Estava certo ser o veredito 

Uma palavra que o conforte 

Lembrou que disse mãe Rosa de Oyá

“ o trovão é a voz da justiça “

Chegaria o bater das botas

*

Sabia que para além leva a fé 

A procurou para última consulta 

Pela agonia ela perguntou a Ifá

Surpreende o que divindade falou

A tempo que já estava de pé 

Mas decidiu alterar as rotas

*

A resignação mudou a conduta 

Que fez do trovão o recurso de Xangô

E as brancas nuvens dissipou 

Pela redenção sentou Oxalá 

Não bateu, aposentou velhas botas

 Novos passos para novas portas 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


terça-feira, 21 de julho de 2026

ÍRIS

ÍRIS 

Íris como um sopro alado

Veem multicores em seu arco

Como a Iris de Jacques Cousteau 

Aventura-se no seu espaço 

Vibra os olhares dos Itans 

Vivência mística da cosmologia 

Ancestralidade diria:

Íris tem acordo com cristalino 

Ver além dos espíritos amoitados 

Universo dos símbolos 

Uma cartografia oculta 

A ardilosa mensageira  

Vem do Orum, envolve o profano 

trazendo o sagrado

Mergulha no oceano pelo manto colorido 

Anúncio do mensageiro dos Deuses 

Emergem afetos submersos 

Sustem a força dos mitos

Introvisões revela dimensões 

Do alcance visionário 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


INSUFICIÊNCIA VERBAL

 INSUFICIÊNCIA VERBAL 

Subsistir é viver nos aparelhos 

Desenganado no meio fio

Periferia da indecência 

Sem direito a obituário

A gravidade é preposto da indiferença 

E a tristeza curva a coluna 

De quem não se tem notícias 

O olhar vê menos as maravilhas do céu 

A ternura das gaivotas o coral de maritacas

A utopia nas telas de cinema 

Vive entre parêntese da opressão 

Fica aquém do suficiente 

Que limita os afetos

Uns de ocasião ,

 outros , não lhe vê utilidade

Esses ostentam entre colchetes

Abduzidos da ilusão 

Lhe impõe as reticências que perdem -se no vácuo 

Mas essa não é a questão 

Vulnerável desnuda a realidade 

Não serve para massa de manobra 

Da espiga virou quirela

A esperança chegou no talo

Insuficiência de prover, comer ,viver

Verbos que parece extravagância 

a crise entrou pela porta tempestuosa 

O amor pulou a janela 

A estima escorrega pelo ralo

E os parças sumiram no espaço 

A solidão não é opcional 

O estômago vazio não dorme 

O calabouço da existência 

Onde o meio o exclui por intercorrência 

Vira estatística útil aos cortes 

Bem aniquilado a estética da fome

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


INSTANTE ENCANTADO

INSTANTE ENCANTADO 

A vida é feita de momentos

Como os mínimos e eternos

Caminha perante os olhos 

Deixou o entorno nebuloso

Estava além do que a vista alcança 

A boca secou e o coração abstraído 

Era magia feminina em governança 

Majestosa no rigor da Deusa

Leva-me conversar com pensamento 

Sendo um anônimo admirador 

Impressionismo digno de Renoir 

Chega a ofuscar o entorno 

Na alameda dos pássaros 

Com avenida das acácias 

Valsei com reflexões dominadas

Golpeia o ceticismo. És Divina!

O lirismo distrai a agenda 

Já não sabia de onde vinha, para onde ia

Conforme a benção da visão.

A mente passeia platônica 

Faz jus a arte da poesia 

Pelo colo elisabetano  

A olhava de soslaio 

Para que não note o hipnotizado 

As formas sinuosas e insinuantes 

Eu e as saltitante retinas

Ternura sobrepostas aos sentidos 

Esfumaça o trânsito e seus ruídos 

Um aroma de graça 

Desapareceu ao virar a esquina 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

AMAR REFLETE O RIO

.            AMAR REFLETE O RIO

Sob esplendor da Alvorada 

Pensa no amor 

Nas melodias noturnas 

sussurra a Deusa

Como dádiva do rio

Tem suas dores e rebentos

Que dinamiza sua graça 

Força faz-se pureza 

Perante os desejos e obstáculos 

As flores sobrepostas ao espinho

É corredeira transformada

No aconchego do seu leito

Princípio da ação dinâmica 

Contemplativa, com sorriso da manhã 

Sempre uma nova esperança 

Lema é amar desde cedo 

Sob a cortesia dos pássaros 

Sonoros ao suspiro 

aos devaneios matinais

As carpas vem a margem

pares do brilho dos olhos 

Submersos como a retina 

Ilumina a menina 

E a mulher apaixonada 

Passa o dia sob marolas do sorriso 

O olhar que se perde 

Em imagens do lirismo 

Nem vê o dia passar

 Chega às cores durante 

A ternura do crepúsculo 

Prenúncio dos sonhos 

Ama a capela 

Aos braços amantes 

O colo amado 

É a mais bela

a chegada da lua

Poetiza seus delírios 

Com sua alma nua

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

domingo, 19 de julho de 2026

DANDARA CIGANA

DANDARA CIGANA 

A bátega d’água não impede a liturgia 

Que caia sobre as águas que depositava a prece

Era chuva de Ayrá sobre rio de Oxum 

E na várzea aquele de expectativa vazia 

e os elementares como confessionário 

Unidos num romance sagrado

De susto surge a saia que gira a roda da vida

Cuja dona que a vestia significa o movimento, vibra elegância 

Até o ar ascendeu o aroma de rosas

Linda no brilho e expressão 

Sua plenitude de encanto 

Parou o temporal num repente 

Uma súplica de bom trato para não ser descortês 

-Perdoe moça me deixe só. Rogo meu apelo a Oxum 

Solta um suave sorriso , que dispensa o reconhecimento 

- moço de merecimento, aqui estou na missão de preposta.

Fez o obséquio e contemplou a companhia 

- Qual a sua graça?

- Dandara. E completou :

Perdido na viagem do mundo que o deixou a margem 

Procura a chave que abre as vias do destino 

Percurso o qual engendra dúvidas 

Vive momento trágico pouco forçado 

No limiar da esperança e o calabouço 

Oriundo de derrocada absoluta .

Letrada em alegria, disse afetuosa 

-Por mais paradoxal que pareça, é o indício de evolução 

A amabilidade elevava a cortesia, ela entendeu sua alma

- No drama dentro de ti, vivenciou o clímax. Onde a conjuntura o fez cético 

O lamento foi o silêncio, que repassa o filme, em episódios

- Sei que não encontrou a dignidade do sustento.

Argumenta: - Creio que nesse plano, esgotou os propósitos, a fonte secou

- Esquece pressupostos passados, eles são como esse rio, que já não é o mesmo desde que a chuva parou.

A presença doce era como a água corrente 

Num instante hidratou o espírito e o levou ao plano metafísico 

O que significa a dispensa dos desejos frívolos.

Porque agora ascende a uma missão ancestral.

Já parecia íntimos na espiritualidade 

Revelou coisas que a sombra escondia 

- Agora prepara seu bornal do louco . Dentro as ferramentas do mago e a lamparina do Eremita 

Para tu que deseja a chave 

empregue o verbo iluminar

A regência do Amor é a magia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO