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quinta-feira, 23 de julho de 2026

BOTAS DA REDENÇÃO

 BOTAS DA REDENÇÃO 


O que lembra é fato 

Não era assim com seu avô 

Lança seu olhar ao céu 

Para onde escapa a sorte

Gole infame, as entranhas queimou 

Antes um homem hoje rato

*

Condenado, mistura-se álcool e fel 

O desânimo aquece no Corote

Já se desculpa pelo desacato 

Mas é lástima o que se tornou

O triste olhar no infinito 

Não disse nada para o nada

*

 Era plácido o rancor 

Indaga o pensamento atrevido 

Com escrúpulo embriagado 

o azul do meio dia trovejou 

Nuvens brandas esvaíram 

Seria sua sentença de morte?

*

Sabia que tal desfecho falta pouco 

Não tinha sequer magoa

Mesmo depois de tudo perdido 

Teria direito ao desabafo 

Mas o trovão o calou

A batida de tambor no couro do céu

*

Será que ficou louco 

O estrondo o tocou forte 

o ronco falara contigo 

É o delírio do tormento

De pensar o corpo arrepiou 

Precisava de alguém pra falar

*

Os pelos dançaram com vento

Estava certo ser o veredito 

Uma palavra que o conforte 

Lembrou que disse mãe Rosa de Oyá

“ o trovão é a voz da justiça “

Chegaria o bater das botas

*

Sabia que para além leva a fé 

A procurou para última consulta 

Pela agonia ela perguntou a Ifá

Surpreende o que divindade falou

A tempo que já estava de pé 

Mas decidiu alterar as rotas

*

A resignação mudou a conduta 

Que fez do trovão o recurso de Xangô

E as brancas nuvens dissipou 

Pela redenção sentou Oxalá 

Não bateu, aposentou velhas botas

 Novos passos para novas portas 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


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