INSUFICIÊNCIA VERBAL
Subsistir é viver nos aparelhos
Desenganado no meio fio
Periferia da indecência
Sem direito a obituário
A gravidade é preposto da indiferença
E a tristeza curva a coluna
De quem não se tem notícias
O olhar vê menos as maravilhas do céu
A ternura das gaivotas o coral de maritacas
A utopia nas telas de cinema
Vive entre parêntese da opressão
Fica aquém do suficiente
Que limita os afetos
Uns de ocasião ,
outros , não lhe vê utilidade
Esses ostentam entre colchetes
Abduzidos da ilusão
Lhe impõe as reticências que perdem -se no vácuo
Mas essa não é a questão
Vulnerável desnuda a realidade
Não serve para massa de manobra
Da espiga virou quirela
A esperança chegou no talo
Insuficiência de prover, comer ,viver
Verbos que parece extravagância
a crise entrou pela porta tempestuosa
O amor pulou a janela
A estima escorrega pelo ralo
E os parças sumiram no espaço
A solidão não é opcional
O estômago vazio não dorme
O calabouço da existência
Onde o meio o exclui por intercorrência
Vira estatística útil aos cortes
Bem aniquilado a estética da fome
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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