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terça-feira, 21 de julho de 2026

INSUFICIÊNCIA VERBAL

 INSUFICIÊNCIA VERBAL 

Subsistir é viver nos aparelhos 

Desenganado no meio fio

Periferia da indecência 

Sem direito a obituário

A gravidade é preposto da indiferença 

E a tristeza curva a coluna 

De quem não se tem notícias 

O olhar vê menos as maravilhas do céu 

A ternura das gaivotas o coral de maritacas

A utopia nas telas de cinema 

Vive entre parêntese da opressão 

Fica aquém do suficiente 

Que limita os afetos

Uns de ocasião ,

 outros , não lhe vê utilidade

Esses ostentam entre colchetes

Abduzidos da ilusão 

Lhe impõe as reticências que perdem -se no vácuo 

Mas essa não é a questão 

Vulnerável desnuda a realidade 

Não serve para massa de manobra 

Da espiga virou quirela

A esperança chegou no talo

Insuficiência de prover, comer ,viver

Verbos que parece extravagância 

a crise entrou pela porta tempestuosa 

O amor pulou a janela 

A estima escorrega pelo ralo

E os parças sumiram no espaço 

A solidão não é opcional 

O estômago vazio não dorme 

O calabouço da existência 

Onde o meio o exclui por intercorrência 

Vira estatística útil aos cortes 

Bem aniquilado a estética da fome

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


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