PAPEL E CANETA
São testemunhos oculares
As juntas do rito
Lamparina e noite fria
Gatas se aconchegando
Ao calor que o corpo partilha
Respira a intuição do anima
As folhas brancas se doam
Em posição ao mito
marcadas pelo equívoco
Amassada e jogada no lixo
Com desencontro das resenha
O acerto se desenha
E a que recebe a marca
vinda do infinito
Na construção do herói
Estrutura e mito
Vale que lhe valha
Todo aquele que lhe venha
Esferográfica solta a tinta
Pinta um ponto da memória
Dá-se o início nasce o caos
Ao ponto dos pontos do legado
Em confronto com os biográficos
Feito o sumo desse caldo
Banhado a ficção
portando maquiagem
Narrador com cheiro
De documentos de grileiro
Paramentos da criação
A vida imita a arte
No tablado do absurdo
Com recursos semânticos
Da jangada aristotélica
Os lapsos seletivos
Na lista de hábitos
Personagem e o criador .
No delírio do Narciso
Estética do sincericidio
Expressionismo nonsense
Da cara de paisagem
Em memória póstumas
Vale a vista ampliada
Da sacada da montanha mágica
A caneta dirige sozinha
O autor se entrega a viagem
Graças ao Oxorongá
Que pousou na árvore seca
Aroeira morta. Fez se espírito
Para ser caminho do recado
Que a mãe terra mandou
As corujas conselheiras
Das matrizes ancestrais
Fizeram um preparo
Do livro do seu destino.
Que a palavra prospere
a força de oriki rezado
Porque o Ori é abençoado.
SÉRGIO CUMINO – ABRASAR FÊNIX

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