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sexta-feira, 1 de maio de 2026

MARIA MULAMBO

MARIA MULAMBO 

Atendeu o abdicado

Porque já abdicou

Atravessou a ponte 

Viveu as mazelas 

Dos guetos mundanos

Da queda sem trégua 

Do virtuoso ao vulnerável 

Do humano ao intolerável

Do amor não respondido

Do orgulho ferido

Na lixeira do acaso 

Vem a magia do afago 

Confunde o delírio amargo 

Da nobreza a existência 

Há quem havia esquecido 

A vibração que limpa 

A luz para ver o espírito 

Da mácula marginal 

Reverência a anciã 

Das águas salubre 

Da lama a cura

No resgate do invisível 

Ponto cego da lixeira 

Na noite lúgubre

A força da elegância 

Contra alcunha do abandono 

Nos becos sem donos

De bocas sem vozes

Na autocracias nobres 

Descarte de humanos

A cinza do âmago 

É o resgate Maria Mulambo 

SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX  

                      

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