MARIA MULAMBO
Atendeu o abdicado
Porque já abdicou
Atravessou a ponte
Viveu as mazelas
Dos guetos mundanos
Da queda sem trégua
Do virtuoso ao vulnerável
Do humano ao intolerável
Do amor não respondido
Do orgulho ferido
Na lixeira do acaso
Vem a magia do afago
Confunde o delírio amargo
Da nobreza a existência
Há quem havia esquecido
A vibração que limpa
A luz para ver o espírito
Da mácula marginal
Reverência a anciã
Das águas salubre
Da lama a cura
No resgate do invisível
Ponto cego da lixeira
Na noite lúgubre
A força da elegância
Contra alcunha do abandono
Nos becos sem donos
De bocas sem vozes
Na autocracias nobres
Descarte de humanos
A cinza do âmago
É o resgate Maria Mulambo
SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX

Nenhum comentário:
Postar um comentário