CABE A VOCÊ MENINO
Mergulhar e resgatar a criança
Lá repousa a esperança
É hora de submergir
É fruta madura
Os pássaros o procuram
Desígnios da mãe terra
Espírito Quixotesco
De alma comutada
À prosa e verso
E a cachoeira de resenhas
Destaca nas pedras de limo
Criança que não mente.
É ausente do baú ficcional
Se empoeirado asfixia
Embrião enrolado papel de pão
Fui a loja não peguei a seda
Foi o bloco e caneta
Vai que a infância volte a falar
Uma coletiva para todos eu.
E suas existências antagônicas
Até lavei o prato de louca
Para canjica de Oxalá
Água fresca na quartinha
A chama da vela
Faz a conexão
Reencontro tem que ter pazes
Quando a inocência e o estigma
Migram a benção e arte
Epístolas dos afetos
Desígnios do axé
Feitiço e Drama
No bojo, nuvens de dúvidas
As narrativas fantástica
Não ilude a busca
Parsifal e o graal
É a devoção do amor
Nas águas de Oxum
A benção do ventre
Sente-se! Príncipe de Ayrá
Menino tamanho do Oxé
Na brisa temporal
Hoje lanterna e barba branca
Frente a frente
Como Abebê mágico
Contigo e todos Ibejis
E seus frutos encantados
Evocar preces de esperança
As lavouras desumanas
Terra que ódio contaminou
Sangue rega lamentos
Traga o jardim encantado
Com a benção de Ọ̀sányin
E a alegria de bolo e guaraná
E todo sagrado Ajeum
Que o espírito tem fome
SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX

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