PELAS BARBAS DE AYRÁ
Não sou paladino do caos
Apenas um poeta
que não quer ser descoberto.
Pela ventania do campo aberto
Com a chaga as claras
Quero ser eu nessa jornada
Sem o riso da piada intencionada
Âncora do benefício do tolo
Do escárnio do outro
Livrar se dá cama de gato
Para ser o leão
sai da Fênix e encarando a sombra
E que o urro chegue a boca
Sem se perder em tempos verbais
Quanto mais sobe
Mais o ar rarefeito
E o entorno desabitado
Ortografia corrompida
Preconceito da narrativa
o murro chega ao estômago
Da tocaia do cancelamento
Aí restarão as flores
Do túmulo do cabimento
Não ser o leão morto do dia
e seguir pelo Odu do livramento
Às barbas do conhecimento
Põe de molho no mergulho a alma
Onde se lapida a ternura
Como pedra filosofal
Na brandura do ancião
Tantos contratempos até então
Foram pausas de reflexão
Nos becos da memória
Com a lamparina Eremita
Dessa prosa vivida
SÉRGIO CUMINO – BRASA À FÊNIX

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