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sexta-feira, 10 de julho de 2026

AS TRANCAS SE ABREM

AS TRANCAS SE ABREM 

Salve brisa da madrugada 

A noite está calada 

Só pra ouvir o coração falar

As batidas evocam orixá

Ao xire que trago no peito 

Para receber a chave

Que abra as cancelas 

E me tire desse entrave

Rogo por ti amado Ayrá 

Como o copo de vela

Arde com chama parada

o lume que vou adentro 

Acalma o pensamento 

É prece e fundamento 

Que atravessa a névoa 

Para que seja a luminária 

Que encontre a saída 

Nesse véu de mistério 

Tira-me da clausura 

Quais chaves abrem as trancas?

Da vida, da rua, do transe

Os entes sagrados deram a bença 

orobô, um obi e um punhal

Orientaram o Ori. 

Para atender aonde vou

 Depois do ministério 

Fizeram -me memorizar

O que vivi, vi e aprendi 

Oxum me deu uma moringa 

Com água abençoada do rio

Sua morara sagrada o Ota

Para melhor me acompanhar 

E decifrar ao que me atino

E Abebê pra não esquecer o que sou

Chega a encher o bornal 

Quando o pai passa o enigma 

A chave é o destino.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

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