AS TRANCAS SE ABREM
Salve brisa da madrugada
A noite está calada
Só pra ouvir o coração falar
As batidas evocam orixá
Ao xire que trago no peito
Para receber a chave
Que abra as cancelas
E me tire desse entrave
Rogo por ti amado Ayrá
Como o copo de vela
Arde com chama parada
o lume que vou adentro
Acalma o pensamento
É prece e fundamento
Que atravessa a névoa
Para que seja a luminária
Que encontre a saída
Nesse véu de mistério
Tira-me da clausura
Quais chaves abrem as trancas?
Da vida, da rua, do transe
Os entes sagrados deram a bença
orobô, um obi e um punhal
Orientaram o Ori.
Para atender aonde vou
Depois do ministério
Fizeram -me memorizar
O que vivi, vi e aprendi
Oxum me deu uma moringa
Com água abençoada do rio
Sua morara sagrada o Ota
Para melhor me acompanhar
E decifrar ao que me atino
E Abebê pra não esquecer o que sou
Chega a encher o bornal
Quando o pai passa o enigma
A chave é o destino.
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

Nenhum comentário:
Postar um comentário