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domingo, 17 de maio de 2026

A PELE VIVE O MITO

 

A PELE VIVE O MITO

 Preces levam a ti

Rogar de amparo

As paragens de Benim

Pede a chave dos entraves

Que bloqueia o Ori

*

questões apregoada

Clamam o redemoinho

Na zona de conforto

Reorganizar esse caos

Não é seguro esse porto

*

Tranquilo será convosco

Em benção com devoção

Quantas agruras até aqui

Aprender à evolução

Pelas adversidades que vivi

*

Lembro quando guri

Foi sobre telhado

com a lança e a chave

Prenúncio, senti e vi

A jornada rumo ao sagrado

*

Alma e corpo em desequilíbrio

Foi quando o mito entendi

Espiral , a sucção das agruras

Agora estado de transformação

Ditos os mistérios pelo Oriki

*

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


sábado, 16 de maio de 2026

DESEJO É ZELO

DESEJO É ZELO

Colo a ti cedido

Corpo se doa quente

Afeto está presente 

Por estar rendido

Peleja do dia

Dilui com carinho 

Aconchega no ninho

a noite harmonia 

*

Acordar contigo 

Evocar a ternura 

a graça se apura

Poesia faz sentido 

*

A benção é cortesia 

Mandado pela lua

Amor se cura

Dando vida a fantasia 

*

Paraíso perdido 

Cuidado em desvelo

Arrepio dos pelos

Com gestos escolhidos

*

Cães ladram alegria 

Ao cortejo meigo

O desejo é zelo

E gemidos melodia 


SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 


    

          

sexta-feira, 15 de maio de 2026

AS CHAVES DO DESTINO

AS CHAVES DO DESTINO 

Caminhos fechados

 impede o passo

Prende como corrente 

Qual a chave competente

A essa estrada insolente 

Com tocaias do livre arbítrio 

Rogo que me abra a mente

Que fechou o pensamento

De corpo presente 

O que me tranca

Atravanca o discernimento 

Me mantém ausente 

Num isolamento 

a chave do conhecimento 

Passado, presente e futuro 

Dádiva da libertação 

Das saídas e entradas

Que me tire da caverna 

A chave do desejo 

Liberta-me da castidade

Meu pai que me rege

Que está no controle 

Do lado de lá há caminho 

Meu destino, meu Odu

Tirai-me desse estado refulgente 

Espero já ter equilíbrio 

Para o caminho dos justos 

Além da vã filosofia 

Abra-me ao mistério 

Do céu e a terra

Já não é sem tempo

Que possa caminhar

Como cavaleiro andante 

Para enfrentar meus medos

E lutar contra moinhos de vento 

Libere os segredos da idade de ouro 

A chave do baú do tesouro 

Que revela o oculto, Pedro

Para que possa voar ao sol

Sem a imprudência de Ícaro 

Sou cônscio do meu limite 

Quero fugir desse labirinto 

Viver o meu destino 

Senhor da encruzilhada 

Abra essas portas 

Para respirar fertilidade 

Dai-me as minhas chaves

Para quando for preciso 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                                  

SONHO DA SAUDADE

SONHO DA SAUDADE

Saudade não dorme, sonha

Faz parte do ser, não sei dizer

Materializa as ilusões 

Noturnas de Outono 

Captura o sono, a meu prazer 

Na extensão do braço vejo você 

Preenche a sua falta

As gatas de casa aconselham

Com miados solidários

Confortam o refúgio do querer 

Aconchegando a mim

Ronronam pra eu dormir 

Para amor vibrar no Orum

A lua reflete sua imagem 

Felinas em prol da ilusão 

Redesenhar o real

Desejo e a sonolência 

Adormeci o factual 

Olhos fecham e porta se abre

No casebre ruindo pela saudade

 surge bela a espera na entrada 

vontade, faz dos olhos lamparinas

Ilumina a querência e a sina

Inocência da o ar da graça 

Elevando a minha utopia 

Para o deleite do espírito 

Devaneios cortejo imperial 

O que é sonho ou real?

Faz a cabana, cenário de fábula 

Ilusão desenha a esperança 

Dama dos sonhos é amada

Rainha noturna coroa a paixão 

Sonho constrói seu trono

Leve, eterno e breve 

Nessa ficção íntima 

Suficiente para avivar a emoção 

E toda a alegoria inconsciente 

Emergi do fundo: - Eu te Amo!

Sonho noturno e oportuno

Que sobrepôs a razão 

E deixa a noite calada 

Romântica madrugada 

Descobertas envolta da manta

Desse sonho não solto

Faz desse corpo criança 

Sussurra com a sensação 

Faz-me sentir seu colo

Vigília do amor no coração 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                            

ENGASGO DA GAIVOTA


 ENGASGO DA GAIVOTA 

Sobrevoa o boqueirão 

Na extensão de praia grande 

Divide o almoço com pescador 

Um trás o pescado em redes

Nosso sonho pelas nadadeiras 

Quando o mar não está pra peixe

Entre orla e marolas, competem

Gaivotas e pombos urbanos 

A busca ao que sustenta

Que devem vir nas bagagens 

De turistas e banhistas insanos 

O que a fome não atenta

Grasnidos e arrulhos 

Entre as labutas ambulantes

Fazem da areia feira livre

Desviando dos guarda-sóis

Ao descaso que imundícia praia 

Gaivota das poesias de marinhas 

Contamina-se a sobras espalhadas

Afere o voo das fábulas 

Do patamar da arte ao descarte 

Ser iluminado vê-se contaminado

Destinados a restos jogados

Do descaso humano 

Como paraíso ser perfeito 

em meio ao desleixo ?

Se o sonho é infinito 

Aqui encontram o umbral

Onde os para-raios é o limite 

Já não voa tão livre sob o sol

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                  

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O RITO DA TRAVESSIA

O RITO DA TRAVESSIA 

Esse rio choroso de mim

Amor de mãe não tem fim

Ao encontro com o mar

Não há o que se lamentar 

Sou Parsifal em busca do Graal 

O horizonte abre o Boqueirão 

essência que não sei mensurar 

Mas que excita o coração 

E a mãe que prepara o Filho 

Para missão, cruzeiro, destino 

Comovida libera lágrimas 

Com formosura da cachoeira 

Vem da ribeirinha da memória 

Tira de suas águas um amuleto 

Para na travessia carregar 

Representa, o pai e a mãe, é o Ota

Amor a arte e o ouro 

Justiça deixa para Ayrá 

Iemanjá aguarda, quebra ondas

Quem vai me encaminhar

No alto o sopro das maresias 

Primeiro mergulho profundo 

 Fundo do oceano tem que passar 

Marinheiro sete mares na escolta 

Capitão da fragata, após fragatear 

três mastros, paz, equilíbrio e fé 

Para jornada do herói 

Primeiro esquecer o passado

Banho fervendo de quiabo 

Ferver discernimento do Orí

Deu-me o Eketê, saberão quem é 

Segundo a chave, é o poder 

acesso ao caminho do mistério

o Oxé para enfrentar tempestades 

Ventos beija as velas à ser preciso 

Oxum da vida que não é precisa 

E todo o reino intuitivo 

E o frisson aos rumos vindouros 

Sons das gaivotas harmoniza o eu

cantos das ondas, acerta o peito 

Sobre o mastro imponente Içada 

Flâmula branca, respeito a Oxalá 

Sente-se o pavilhão da cortesia 

a insígnia filho de Oxum com Ayrá

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                                 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

AXÉ DE OFA

AXÉ DE OFA

Flecheiro é desafio escolha 

Equilíbrio da resposta e pergunta

Onde a flecha busca o infinito 

Para aprender viver o finito 

Sagrado entregar sustento 

Encontra a vida de quem a perdeu 

O espírito da causa e efeito 

Enaltecendo o amor 

Dobra o arco a escolha 

Como orvalho escorre pela folha 

Lança flecha a vertigem da vida 

Com Oxalá conhece a paciência 

Com a beleza do arco-íris

Sabedoria das cores em Oxumaré 

Alvo não ouve, oculta-se no oculto 

Mistura-se com espírito seteiro

O laço que lança flecha 

Transcende o transe

Auspicioso, flecheiro é o alvo 

Não encontra a caça 

Se não estiver onde deveria estar 

Além dos limites do ego 

Pensar sem pensar 

Integrado ao Orum

Com seus pés no Aye 

O axé é o todo e o nada

 o espaço é o espírito da mata

A invisibilidade é a arte 

O arco é o desenho 

Que o Sol e a Lua fazem 

Em estado de purificação 

Lança o ori em sua dimensão 

Ofa é o caminho do Axé 

Logun Edé, Oxum e Oba

 e o fundamento das sete flechas 

Filho não será o mesmo 

Faz-se do impossível o possível 

A benção é o signo do silêncio 

Meditando com o sagrado

Ao liberar a sua flecha

 o enigma e o Divino das matas

Densidade arbórea dos mistérios 

E suas copas que se tocam 

Flecha viaja pelas bençãos 

Entre seus filos sagrados 

Sobre a sabedoria de Ossanhe

Estica a corda e dobra o arco

Em reverência a existência 

Lançando o arqueiro

 as raízes ancestrais 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 


                                     

domingo, 10 de maio de 2026

A LIRA ETÉREA

A LIRA ETÉREA 

Lira de Apolo e Orfeu

Que liga o Aye ao Orum

tinta ao papel 

Que o poeta escreveu

Fazem de palavras magia 

Inspira a melodia 

Que canta a poesia 

 Lira criança, vive a infância 

Trata que a alma seja eterna 

No terreno, caverna ou no etéreo 

Amor, amores em fragrâncias 

Elixir, guardou num canto seu

Lira companheira do tempo 

Tocada pelo vento 

Excita o sorriso sem alterar o ritmo 

Lira dos momentos íntimos

Ama na calmaria dos rios

E ao bordejo que se lançar

Em dueto com os mistérios

 Que Ewá se adonou

Lira esperança evoca, 

cadência dos sinos

Corando a face dos badalos

Na cabine interna

Nas emissão de grave e agudo 

Conduz o fiel a seu templo 

Devoção e fé 

Harmonia e prosperidade 

Trazidas no bornal de Logun Ede

Lira do oriente, raízes africanas 

E os trovadores de Unganda 

Rodas de desejos em dança 

Cordas que formam laços 

Lira em luto, natureza morta

Renasce no quadro do artista 

Lira Allegro e a água do solo brota

E o coro anunciam corredeiras 

Lira da província e canto ancestral 

 Que seduz transcende a luz 

Lira e o jardim ornamental 

Das ribeirinhas da memória 

Lira dos apaixonados 

Lira celebra o alimento

Do útero da mãe terra 

Lira da sonata virtuosa 

É ardilosa e sedutora 

E leva o fogo do ódio a bailar

Lira clareia os olhos 

Entre as brumas do mistério 

Para o corpo e alma purificar 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                                

sábado, 9 de maio de 2026

FLOTILHA DAS INDAGAÇÕES

FLOTILHA DAS INDAGAÇÕES 

Se penso logo resisto 

Qual seja tempestade 

Tornados e tormentos 

Com isolamento previsto

 fluxo sem resistência

Dor em conluio com amor

 Viver em mazelas do jeito 

Acasalados no destino 

com nó de marinheiro

Arranca o espeto tirado do peito

O raciocínio estanca a sangria 

E o valor tira a cadeira do preço 

E o pensar como desconforto 

Derrocada da mais valia 

Sem almofada sistêmica 

A ameaça está no encosto 

Todo canto há um preposto 

E o sistema contra ataca

Importante não ser matraca

Que dilui o pensamento 

Flotilha dos questionamentos 

E o porão do navegante

Eu sem pressuposto 

Escuro e sem rota

 Libera a sombra pela escotilha 

Une-se ao cognitivo

Vendo o horizonte do convés 

Sob as preces das gaivotas 

Pronto para o que vier

Veleiros pensantes

Sobre as ondas poéticas 

Oceano de possibilidades 

Estimulo e a ação, contrária 

Estigma da perversão 

Apavora o padrão 

E suas morais postiças 

Por tornaste referência 

Cerne da revolução 

E do espírito catártico 

Atingindo outros mares

Abole o piloto automático 

Pela existência náutica 

E o que provoca 

O suposto certo 

Que volta para o reto 

Do esgoto do sistema 

E o corroem nas entranhas 

No programa que aliena

Porque navegantes livres

Mesmo ancorados em seu porto

Não abastecerão em suas rocas

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX