ENGASGO DA GAIVOTA
Sobrevoa o boqueirão
Na extensão de praia grande
Divide o almoço com pescador
Um trás o pescado em redes
Nosso sonho pelas nadadeiras
Quando o mar não está pra peixe
Entre orla e marolas, competem
Gaivotas e pombos urbanos
A busca ao que sustenta
Que devem vir nas bagagens
De turistas e banhistas insanos
O que a fome não atenta
Grasnidos e arrulhos
Entre as labutas ambulantes
Fazem da areia feira livre
Desviando dos guarda-sóis
Ao descaso que imundícia praia
Gaivota das poesias de marinhas
Contamina-se a sobras espalhadas
Afere o voo das fábulas
Do patamar da arte ao descarte
Ser iluminado vê-se contaminado
Destinados a restos jogados
Do descaso humano
Como paraíso ser perfeito
em meio ao desleixo ?
Se o sonho é infinito
Aqui encontram o umbral
Onde os para-raios é o limite
Já não voa tão livre sob o sol
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

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