O RITO DA TRAVESSIA
Esse rio choroso de mim
Amor de mãe não tem fim
Ao encontro com o mar
Não há o que se lamentar
Sou Parsifal em busca do Graal
O horizonte abre o Boqueirão
essência que não sei mensurar
Mas que excita o coração
E a mãe que prepara o Filho
Para missão, cruzeiro, destino
Comovida libera lágrimas
Com formosura da cachoeira
Vem da ribeirinha da memória
Tira de suas águas um amuleto
Para na travessia carregar
Representa, o pai e a mãe, é o Ota
Amor a arte e o ouro
Justiça deixa para Ayrá
Iemanjá aguarda, quebra ondas
Quem vai me encaminhar
No alto o sopro das maresias
Primeiro mergulho profundo
Fundo do oceano tem que passar
Marinheiro sete mares na escolta
Capitão da fragata, após fragatear
três mastros, paz, equilíbrio e fé
Para jornada do herói
Primeiro esquecer o passado
Banho fervendo de quiabo
Ferver discernimento do Orí
Deu-me o Eketê, saberão quem é
Segundo a chave, é o poder
acesso ao caminho do mistério
o Oxé para enfrentar tempestades
Ventos beija as velas à ser preciso
Oxum da vida que não é precisa
E todo o reino intuitivo
E o frisson aos rumos vindouros
Sons das gaivotas harmoniza o eu
cantos das ondas, acerta o peito
Sobre o mastro imponente Içada
Flâmula branca, respeito a Oxalá
Sente-se o pavilhão da cortesia
a insígnia filho de Oxum com Ayrá
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

Nenhum comentário:
Postar um comentário