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quarta-feira, 27 de maio de 2026

AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ

 


AYRÁ RESPIRA OLODUMARÉ 

Quando Ayrá olha para Òrun

Inspira a voz de Olodumaré 

Expira a chama da transformação 

Dádiva que recebeu de Dada

Faz a fogueira que aquece Oxalá 

Como ritual de pacificação 

Cuja resenha arquiteta a paz

O fogo que dá forma a forja

Rompe as correntes da opressão 

Para que abutres não lhe comam fígado 

Tenha excelência na missão do criador 

A terra é nossa mãe 

As pedras são seus ossos 

O lodo generoso da anciã 

Nos reveste com a carne 

Caso que no processo se corrompa 

Suas chamas traz a luz ética 

Não se perca nos redemoinhos

Porque Ayrá reorienta o caos

Ao generoso brilho da criação 

Para não ser abduzido pelo abismo 

que fica de tocaia escondido

 Junto as sombras que nos confunde 

Para tirá-lo da trilha da evolução 

Escute a voz dos ventos 

 A razão, o pensamento crítico

Emancipa com passos divinos 

Dá sentido ao seu próprio destino 

Não esqueça, desafios tem sacrifícios 

Todo desejo tem seu obstáculo 

São as centelha que transforma 

Porém atenção as chaves dos caminhos 

E a lamparina nos guia

Fogo sacro que permeia 

No labirinto do livre arbítrio 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

              

terça-feira, 26 de maio de 2026

QUANDO PENSAMENTO PEDE

QUANDO PENSAMENTO PEDE

Coloco-me em estado taciturno 

Em conluio com a calada da noite 

Para que ouça com apreço o silêncio 

E perceba quão profundo o apelo

Até empatia não descreve o que acompanho

Mas essa impotência que me rasga o peito

  As mãos incapazes unem-se em prece

Rogo que atenda o martírio de quem amo

Jogo ao universo, sei que está em todos os planos

Reina no ciclos da vida até que se finda

Regenera vítima da enfermidade

Para que sua filha em roda de rito

O recebe empunhando seu cetro

É divino da cura e purificação

Por isso peço com ar que respiro

Que a vida a dê serenidade no lugar

Do grito entalado pela dor dos ombros 

Como se submetesse nervos

A tortura sobre cavalete

 mãos retomem a graça de afagar

Que o semblante reviva sua poesia

Faça do dilacerado renovação 

E todo sofrimento sabedoria 

Tira todos males com suas palhas

Xaxará seja instrumento da sagrada cura

 Atotô a saudação que o faço em pensamento 

Para o pedido transcender

Onde minha vã filosofia não consegue alcançar 

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 

          

segunda-feira, 25 de maio de 2026

UIVO DA LOBA

UIVO DA LOBA

Quem é essa?

É ela, e ninguém mais deveria ser

Ela é simplesmente ela, 

Com orgulho de ser. 

Passou longe da donzela 

Para nunca mais se perder

Nessa vacância postiça

Estética retorta que não passa pensamento .

Sem complexo de cinderela 

Soube ser rainha, soube ser mulher 

Instinto é a bússola que a leva ao sírios 

A cosmologia que lhe rege

Após renegar os mandantes

E as pantomimas que afere 

O Uivo da paixão é sua reza

Para o norte orientar

Solidaria a sua alcateia

Sem precisar de platéia 

Mas sabe andar só com a destreza das pernas

E chorar para lua poder escutar 

As delinquências do amor para luar

É a Ursa Maior, nesses territórios pequenos 

Que ainda vivem o mito da costela 

Quando ela já é constelação 

É guerreira e materna

 É fiel na união 

Sua lealdade é visceral,

Compreende a profundidade da sombra.

Menina, faceira e feiticeira 

Com os pés em dois mundos 

Nos liminares entre ventre e a morte

Amparando o ser amado 

Como seu reflexo na lagoa mágica 

É mãe no espaço sagrado 

Fundadora mítica da sua linhagem 

Condutora da fertilidade sagrada 

Selvagem e empoderada 

Livre por determinação.

SÉRGIO CUMINO 

VIAGEM A OLODUMARÉ 


domingo, 24 de maio de 2026

EU NAVEGANTE

 


EU NAVEGANTE

Barulho do isolamento

Do silêncio verborrágico

Se apruma com mar calmo

Em harmonia com oceano

Ocupa a lacuna do abandono

Quando pousa o remo

o sol brilha como ouro velho

Ilumina o legado da história

Frade em seu pequeno barco

perene como a luz reflete

olhar se projeta, ao nada solene

 indaga com espírito:- Quem vem lá?

Com a luz inerente ao sábio

Chama colhida por uma vida

Flama dirige a luz do espírito

O lume moderado e eficiente

Nota que o que vem, pela vastidão

profundo quanto o mar que navega

Deveras sábio como sol da retaguarda

Sabes, quem vem lá é resgate de cá

Como transformação a novo patamar

Sem alardes ou sirenes marítima

Vem, emergiu de seu oceano

SÉRGIO CUMINO –

VIAGEM A OLODUMARÉ


sábado, 23 de maio de 2026

FOLHAS DA DIÁSPORA

FOLHAS DA DIÁSPORA 

Dádiva que se recebe

Do conselho do Olorum 

Folhas, semente, raízes 

Da o olhar a quem elege

O caminho e diretrizes 

 a dimensão em ser um

Com a benção de Ossanhe 

*

Benzedeiras e rezadores 

E encantados acompanhe

Jurema e os louvores 

Mestres do catimbó 

Todo rito do Sassayin

E as raízes que viram pó 

Vem no bornal dos mateiros 

*

A mata é um livro ancestral 

Cada sumo seu paradeiro 

Harmonia do Aye e o astral 

Arte de manipular energia 

Pilar de todo terreiro 

Princípio que faz a magia 

Epístolas que vem a memória 

*

Sabedoria provir da aura 

Presente pela oratória 

Processa a cura dos males

Dialoga com cada alma

É um todo de cada história 

Desperta o oculto entre os vales

Folhas escrituras do Eu.

*

Que transcende o terreno 

Nas mãos que erveiro colheu

 busca o oculto obstinado 

Que o leva ao mundo pleno 

Depois o benzedor benzeu

Fez da devoção sagrado

Manuseio da função a energia 

*

Arauto das forças divinas

Sob os cânticos da magia

 Afeiçoa as folhas ao axé 

 fusão com águas límpidas 

Percepção do entorno amplia

A ver o mundo como ele é 

Bendito, folhas que saciam a dor

*

Conhecimento viaja no tempo

Para corpo, espírito e o amor

Que se mistura nas cabaças

Com sua textura e fundamento 

Na formosura de beleza e cor

E as conservas das garrafas 

Da vida , dando vida a vida

*

SÉRGIO CUMINO –

A VIAGEM A OLODUMARÉ

                           

sexta-feira, 22 de maio de 2026

RESILIÊNCIA À FÉ


RESILIÊNCIA À FÉ 

O olhar voltado para baixo 

Aponta o domínio da terra

A benção da mãe das mães 

Paradoxo do chão perdido 

Para despir-se das couraças 

Desprender de suas esferas

Embirra no lago do ateísmo

Refúgio das dúvidas lodosas

Surpreende-se com velha anciã 

Tem o amparo da sabedoria

Dá-lhe perspectiva a vista

Encontra experiência de Nanã

Põe ao pescoço colar de ametista

Todo panteão saberão quem és 

Lama resgata o discernimento 

Amolece a casca materialista

Procura Osanyin e sua magia

Emerge a realidade vã

A poder oculto das folhas 

Sente a força nos pés 

Levá-lo a empurrar o chão 

Para Ori subir ao Orum 

Desfaz dos tormentos que ânsia

O indica ao banho de cachoeira 

O desprenderá do plano comum

Percepção nova conselheira 

De pronto ao colo de Oxum 

Reconhece o axé em si

Saindo leve como a chama

movimento recebe de Ayrá 

Compõe a força que almeja 

Demais Orixás do fogo

Ogum, Xangô e Obá 

Dão resistência e determinação 

Resiliência tem, se não chegaria aqui

Omulu lhe passa as palhas

Para não deparar com chagas

Por fim da empreitada 

Todos Ebós renascem a fé 

Recebe a benção e brandura 

Lançado ao destino 

Pela flecha de Odė

Habitua-se ao branco das nuvens 

E suas formas ancestrais 

E recebe a missão Olodumaré 

SÉRGIO CUMINO – 

A VIAGEM A OLODUMARÉ


                            

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NÉVOA DE OUTONO


NÉVOA DE OUTONO

  *

Quando a voz disse vamos

Não sabia se estava pronto 

Chamas de Ayrá no chamado 

Águas de Oxum levando 

união das brumas, deixa tonto

Na alameda do tempo calado

      *

Postes da via reluz e pontua

Entraves da vida inóspita 

Setênios da causa e efeito 

o mistério da perpétua nua

Visão arrepia a incógnita 

Para quê deveras eleito

       *

Tardio passos do florescer

Abre-se o véu ao novo mundo 

Sai do chão frio, pisa no mistério 

Palmeira sua flor demora nascer 

Quando o nada é o tudo 

Abolição dos padrões e critérios 

      *

 labirinto ao desafio da névoa 

Dissipa o passo subjugado 

Nevoeiro é incenso de outono

 Melancolia da brandura dá trégua 

Ouro de Ya atravessa o nublado 

Paz de Oxalá é benção e consol

  *

Conexão além da cortina 

Linear do físico e espírito 

Poesia, beleza e sonho

A essência nebulosa atina

Quando o fim é o princípio 

Além dos limites do insano   

  *

invisível na invisibilidade 

Mistura-se com a neblina 

Torná-lo o vulto do oculto 

Gênero grau e densidade 

Dá sentido a sua sina

É lapidado o diamante bruto 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                         

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ÈRÒ ÌRÓKÓ

 ÈRÒ ÌRÓKÓ

Fonte que acalma

O Ori tempestuoso

Que tira os pés do chão

Perde o apoio da mão

Fuzuê da cognição

Contexto do desespero

Pensamentos tortos

Frágil em destempero

Desmonta princípios

De corpo e alma

Refugia-se a árvore anciã

Declina-se ao pé de Iroko

A força do portal

De um mundo a outro

 profundezas dos mortos

As divindades do Orum

Onde os olhos não veem

Reorienta a cabeça pagã

Senta no colo da mãe terra

 perdido em tumulto

As sombras da árvore sagrada

Espírito sem eira nem beira

Entre Deuses e ancestrais

o curandeiro oculto

Do passado ao presente

Majestoso do tempo

Espírito que ali mora

Poesia gameleira

Que conhece o infinito

Alça humilde o pedido

As raízes da diáspora

No memorial ancestral

É Orisa que habita

Vida, respeito e renovação

Reabilita a fé

A cadência da vida

De tempo a tempo

Estação que transforma

Sabedoria plantada

Divina criação de Olodumaré

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

terça-feira, 19 de maio de 2026

POESIA DE BORDO

POESIA DE BORDO

Palavras desabafam às palavras 

Paciente das resenhas

Conflito das prosas e anedotas

Divã na cabine do comandante

Provisão dos provérbios 

Ordena os devaneios 

Para narrador dos resíduos 

Postulado da memória emotiva 

Mistura-se ternura com fuzuê 

Convés e seu revés 

Oriundas do rincão da memória 

Bibliografia da lida incerta

Verborragia da escrita ativista 

Resgate das dores a deriva 

Estigma o balanço das feridas

Amores, entraves e fé 

Mar de paixões e desilusões 

A bonança é a poesia 

Porque o leme a resiliência 

Dedicada aos afetos

Fases se eternizam

Em poesia das prosas 

Mitos e seus arquétipos 

Sílabas que sobem e descem

No movimento das ondas

Como os suspiros e lágrimas 

Prece do sujeito imperfeito 

Escreve a nave à outros mares

Comandante adolescente 

De barbas brancas

Teve história pra contar

Postulado do lirismo 

Contraste de tantos lados 

Imprecisão do navegar

Intuição torna a vela

Dessa barca de poetar

Mistura-se com embarcado

Nos naufrágios e maremotos 

 se aconselha com Iemanjá 

Dando a utopia a predição 

Para poeta a palavra é o prisma 

A poesia é o diário de bordo 

Numa maresia de prosódia 

E a rede que pesca as palavras 

Embriagar o que descreve 

Reler é a saudade

E a prosa que anuncia 

Quando avista a mãe terra 

porto seguro, ao sonho do poeta

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX