FOLHAS DA DIÁSPORA
Dádiva que se recebe
Do conselho do Olorum
Folhas, semente, raízes
Da o olhar a quem elege
O caminho e diretrizes
a dimensão em ser um
Com a benção de Ossanhe
*
Benzedeiras e rezadores
E encantados acompanhe
Jurema e os louvores
Mestres do catimbó
Todo rito do Sassayin
E as raízes que viram pó
Vem no bornal dos mateiros
*
A mata é um livro ancestral
Cada sumo seu paradeiro
Harmonia do Aye e o astral
Arte de manipular energia
Pilar de todo terreiro
Princípio que faz a magia
Epístolas que vem a memória
*
Sabedoria provir da aura
Presente pela oratória
Processa a cura dos males
Dialoga com cada alma
É um todo de cada história
Desperta o oculto entre os vales
Folhas escrituras do Eu.
*
Que transcende o terreno
Nas mãos que erveiro colheu
busca o oculto obstinado
Que o leva ao mundo pleno
Depois o benzedor benzeu
Fez da devoção sagrado
Manuseio da função a energia
*
Arauto das forças divinas
Sob os cânticos da magia
Afeiçoa as folhas ao axé
fusão com águas límpidas
Percepção do entorno amplia
A ver o mundo como ele é
Bendito, folhas que saciam a dor
*
Conhecimento viaja no tempo
Para corpo, espírito e o amor
Que se mistura nas cabaças
Com sua textura e fundamento
Na formosura de beleza e cor
E as conservas das garrafas
Da vida , dando vida a vida
*
SÉRGIO CUMINO –
A VIAGEM A OLODUMARÉ

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