*
Quando a voz disse vamos
Não sabia se estava pronto
Chamas de Ayrá no chamado
Águas de Oxum levando
união das brumas, deixa tonto
Na alameda do tempo calado
*
Postes da via reluz e pontua
Entraves da vida inóspita
Setênios da causa e efeito
o mistério da perpétua nua
Visão arrepia a incógnita
Para quê deveras eleito
*
Tardio passos do florescer
Abre-se o véu ao novo mundo
Sai do chão frio, pisa no mistério
Palmeira sua flor demora nascer
Quando o nada é o tudo
Abolição dos padrões e critérios
*
labirinto ao desafio da névoa
Dissipa o passo subjugado
Nevoeiro é incenso de outono
Melancolia da brandura dá trégua
Ouro de Ya atravessa o nublado
Paz de Oxalá é benção e consol
*
Conexão além da cortina
Linear do físico e espírito
Poesia, beleza e sonho
A essência nebulosa atina
Quando o fim é o princípio
Além dos limites do insano
*
invisível na invisibilidade
Mistura-se com a neblina
Torná-lo o vulto do oculto
Gênero grau e densidade
Dá sentido a sua sina
É lapidado o diamante bruto
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

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