POESIA DE BORDO
Palavras desabafam às palavras
Paciente das resenhas
Conflito das prosas e anedotas
Divã na cabine do comandante
Provisão dos provérbios
Ordena os devaneios
Para narrador dos resíduos
Postulado da memória emotiva
Mistura-se ternura com fuzuê
Convés e seu revés
Oriundas do rincão da memória
Bibliografia da lida incerta
Verborragia da escrita ativista
Resgate das dores a deriva
Estigma o balanço das feridas
Amores, entraves e fé
Mar de paixões e desilusões
A bonança é a poesia
Porque o leme a resiliência
Dedicada aos afetos
Fases se eternizam
Em poesia das prosas
Mitos e seus arquétipos
Sílabas que sobem e descem
No movimento das ondas
Como os suspiros e lágrimas
Prece do sujeito imperfeito
Escreve a nave à outros mares
Comandante adolescente
De barbas brancas
Teve história pra contar
Postulado do lirismo
Contraste de tantos lados
Imprecisão do navegar
Intuição torna a vela
Dessa barca de poetar
Mistura-se com embarcado
Nos naufrágios e maremotos
se aconselha com Iemanjá
Dando a utopia a predição
Para poeta a palavra é o prisma
A poesia é o diário de bordo
Numa maresia de prosódia
E a rede que pesca as palavras
Embriagar o que descreve
Reler é a saudade
E a prosa que anuncia
Quando avista a mãe terra
porto seguro, ao sonho do poeta
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

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