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quarta-feira, 15 de julho de 2026

BARCO FURADO

BARCO FURADO 

Ser perdoado foi uma lástima 

Sutileza que faz o réu confesso 

Tiro na canoa do engodo 

Havia dor que moldava a sentença 

Agora o perdão provocou

o naufrágio com a redenção 

Tirou a oportunidade da marola

Que partiria do ponto final

Até o sofrimento já tinha retórica 

Aí surge a gloriosa compaixão 

E anestesia o cálculo da razão 

Assim desmoraliza o embusteiro 

Anula o ressentimento

Veja se tem cabimento 

Estratégia era manter a mágoa aberta

Como ferida do dilema

Travestido de retrato ambíguo 

Aí vem doação de uma nova chance.

Agora nem o silêncio colocará freio na língua 

A justificativa seria a dopamina

Num tribunal que condenaria sem provas

A pós Verdade recorreria contra verdade

O vácuo pulveriza a culpa 

Com cara de paisagem e tudo negado

Resta tapar o buraco 

Antes que a reputação naufraga

E fique a deriva e desolado 

Mas a liberdade o colocou nas cordas

Com a conveniência do pertencimento 

Desmoraliza a auto sabotagem 

Sobrou – lhe a alcunha de regenerado 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


terça-feira, 14 de julho de 2026

PEREGRINOS DE CACURUCAIA

PEREGRINOS DE CACURUCAIA 

Peregrinos discretos

A procuram na companhia da noite 

Com seus tormentos secretos

Sobre seus fardos de sua vida paria

Mau trato da angustia ao sofrimento 

Perdidos no vale das sombras 

Germinado de muitas áreas 

Quando o lodo sobe a cintura 

Desorientados aprender a rezar

E atingir patamar de consciência 

Aponte o horizonte do conhecimento 

causas para sabedoria anciã 

Vão ao Cruzeiro no limite da vida e morte 

Destino os trazem a essa raia

clamarem a alma que se suporte 

Pela lida trágica perplexa

A evoca através da luz da vela

Conexão dos mundos 

Para que se clarear aquilo que é 

Pela sua força feiticeira 

Com a pungência ancestral 

Sobre a regência de Nanã

Conversa com vento balanço da saia

Pela calunga chegava Velha senhora

Traz cesto de ervas

Colhida no seu quintal 

 Alecrim, sálvia , boldo e guiné 

Para as mandinga e magia 

Da pomba-gira Cacurucaia.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


CLAUSURA DA ALMA INFAME

 CLAUSURA DA ALMA INFAME 

A consciência ou falta dela

O impede de se olhar no espelho 

Tocaia do retorno ao fim do beco

Sente espinhos no travesseiro 

O coletivo quer que se dane

Não suporta se olhar no reflexo 

Instrumentalizar a vergonha 

Para vitimizar-se para que ganhe

O tempo parece que hiberna 

Remorso o faz se engolir a seco

Orgulho do genocídio 

Pela goela de um ser infame 

Cada um tem castigo que lhe serve

O plexo solar perdeu o lume

Clausura -se na escuridão interna

Eterno habitat desse verme

Prova-se o quanto é peçonha 

As Pautas de costume 

Desce que parece enxofre 

Não consegui segurar o grito 

Próprias vísceras ele deu nó 

Pautadas pelo soluço 

Reconhece a entrada do inferno 

Digerir-se como curtume 

Entre facínoras era um mito 

Auto flagelo por ser indigesto

 Tinha um torturador paterno 

De pronto toma um susto 

Percebe que ainda não está só 

Faz de si sua caverna 

Mesmo na escuridão sente o olheiro 

A sombra de sua insônia 

deve ser do conselho da retaliação 

Pai, filho e espírito no cativeiro 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


segunda-feira, 13 de julho de 2026

LABUTA HERÓICA

LABUTA HERÓICA 

Embarcada a Monomito   

Mil faces sobre os trilhos 

 trem desperta alvorada com apito 

na estação do tumulto 

Sua plataforma entorna 

Cada qual tem seu gueto 

Sua cicatriz digital 

Na lamúria coletiva 

Acordada com café preto

As crianças ainda dormem 

No retorno sono dos justos 

Na folga nos reencontramos 

É o gole do consolo 

A interior sai com sereno

Arcabouço de cada vagão

 Cartografias de cada mito

Põe a prova seus limites 

Na epopéia de cada indivíduo 

Heróis e heroínas sobre trilhos 

Na lida pelas labutas 

Vagão a caverna apertada

Espremendo cada afeto 

Na batalha com seu leão 

Conta com tolerância do patrão 

Porque deu boi na linha

O percurso da alquimia 

Nunca chega o mesmo

Cada episódio tem sua metáfora 

Há quem se comporta como animal

Cafajeste roça ombros das sentadas

Outras defende -se com sacolas

 Gestante frustrada por uma vaga

cabeças e cotovelos nas têmporas

Tendão tencionado que arde

Cada parada a fadiga da demora 

Chacoalhados como carga 

Elixir dessa saga 

 São os filhos que esperam em casa

Balanço da sobrevivência 

Nos padrões matinais 

Piora no final da tarde 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


MITO E A ARTE NA CAPELA DOS AFLITOS

MITO E A ARTE 

NA CAPELA DOS AFLITOS 

Faz tempo que me espera ?

- A magia do lugar me entreteve 

 olhar encantado como o templo

Elos que fazem do etéreo ser belo

Ambos atravessam o tempo

- Achei que não viria mais

Imagina, sou onipresente 

o deixei na companhia do silêncio 

Além do digno anfitrião 

Justifica o local do encontro 

É minha casa, com mitos urbanos

Aqui é a alma de nossa resenha 

“Partida, iniciação e retorno”

- Chaguinha foi morto na forca

O império e a calamidade 

Engano! não morto, desencarnado

Não sentiu a presença dele aqui?

Sentidos provocados. – É verdade 

Tornou-se o rebento de esperança 

Semente dessa irmandade

Ímpeto resistente na fé 

Colhe – se solidariedade 

Percebe, a Capela foi restaurada

É o reflexo da alma dos devotos 

Cantada em alegoria na avenida 

Sorrisos de devoção

 Desenhado no sorriso dos pés 

O herói, o mártir ,mito e a arte,

O estandarte é o seu manto 

No coletivo já somos manifestos

Por ser sagrado e glorioso 

A existência da divindade

Reflete no âmago do peito aflito 

Chaguinha já é Santo 

Fez ser presente a dignidade 

Ressignifica o espírito do povo

Por mais que tentem artimanhas 

Enforcar a memória 

Liberdade! Liberdade!

Nada haver, imigração nipônica 

Aqui pedaço da África ancestral 

O baronato adora ser colônia 

Incomodados com a glória 

Complexo em trilhos subterrâneo 

Cujo respiro, praça dos enforcados

Os fariseus não perdem a mania

 Paradoxo subverte a história 

-O que pensa para o artista ?

Já está escrito, a arte é a poesia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


domingo, 12 de julho de 2026

INFERNO LACAIO

INFERNO LACAIO 

  Pensei que o inferno

fosse resenha de Dante

Ou mito judaico cristão 

Babado do Papado e rebanhos afins

Mundo infernal, retórica profética

“Só sei que nada sei “meu irmão 

Mas me surpreende ser slogan fascista

Nem o demônio desconfiou 

O império da teocracia 

Faz das forças sincréticas 

Brinquedo de criança 

molde polarizado a alcova de supremacia 

Torna elástica a filosofia escolástica 

Que lástima!

O enxofre que o povo tomou

Tomaz de Aquino liga para Aristóteles 

-Há um câncer no legado 

Os assassinos de Cristo 

O tema , a palavra e o sagrado 

A proselitismo infame.

Lucidez vulnerável 

Joga o Divino ao lodo

Em palanques crucificado 

E toda patifaria teológica que se tornou

Armadilha no vernáculo 

Paradoxo com dialeto hebraico 

Transfigura o ato de entrega

A renegar o mundo plural

A abduzidos ao engodo 

Sonetos do espírito a ruídos do esquema 

Seria a, nova divina comédia 

Se não fosse distopia sem igual 

Com direito a sequelas dessa tragédia 

Instrumentalizar arquétipos 

Medida por suas réguas 

Para disritmia dos afetos 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

INTEGRIDADE NO CÁRCERE


INTEGRIDADE NO CÁRCERE 

Dignidade na gaiola 

Violada se prende 

Junto com carcereiro 

Em nome de libertar-se

Ludibriar a sobriedade 

Com o complexo de Jó 

Com Deus nada factual 

O submetido ao manto 

Com peça do tecido social.

Na estética do cárcere 

 vestiram o programado 

O defunto é sempre maior

O cobre por completo  

Com medidas excepcional 

Abusa do eufemismo 

Hegemonia de uma cultura

Que o move como peão 

Dão seu pescoço pela corte

E aos liberais de ocasião 

Uma espécie de dízimo 

Com a ganância dominante 

Se rege com algoritmos

Para cercear a ciência 

Asfixiar a arte 

E queimar os livros 

Disritmia esquálida 

Pastores capítulo a parte

Com conluio de bancadas

Pensar, coisa de atrevido 

Que resiste com Aforismos

Com mínimo que se permita

Em postagem programadas

Nessa fábrica de pós verdade 

E sua máquina de moer carne

Molda os ideais da necropolitica 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

sábado, 11 de julho de 2026

ENCONTRO MODERNO

 ENCONTRO MODERNO

 Estou com vontade de você

 sentir nossas pernas se encaixar 

Até pedi para o silêncio

 a melhor hora de dar um tempo

 quando os olhos resolverem falar

Que chova, faça frio lá fora

Porque aqui no peito

 tem lugar pra te esquentar 

Alertei o cabimento que caiba certo 

as palavras no lugar 

Que escolha cada verbo, 

que dá movimento ao verso

Para o sussurro declamar

Que a emoção não se descontrole

Não posso dar mole

Tenho que ser suave e fraterno 

 se não começo a gaguejar 

Só de pensar se intromete a tensão 

Sabemos a modernidade como é 

Ela pediu que a curtisse no Instagram 

Sou rei da bola fora

Quem cai na rede é mané 

De pronto pedi a localização 

Bom avisar, liberaram as possibilidades 

Que a estética me faça maneirar

Não me deixa ir de terno 

Esconde gravata plastron 

Tanta emoção, não tenho mais idade

Porque o que está programado 

Luau romântico a beira mar

Imprevisto faz conluio com dilema 

se o incerto, palpite de irmos ao samba

Começarei errado 

Camiseta de rock e tênis bamba 

Se ela perguntar se gosto hip Hop 

De folga ao verbo, cancele o poema.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

TRIBUNAL DA INSÔNIA

 

TRIBUNAL DA INSÔNIA 

Quantas culpas de insônia 

Pensava–se, além do bem e do mal

Sobre palanque da arrogância 

Chegou acertos de contas 

Inferno de Dante da consciência 

Entre o Eu e a Sombra 

Sobre crises de Selfie 

A noite manteve -se calada

Sem intervir paciente

Briga da existência não se mete

Crepúsculo moral

Maculou sua história 

A consciência pesada

Intolerância com descaso 

Preconceitos foram a meta

A serviço da escória 

Massaroco pela estrada 

Sumo dos maus presságio

Da vida nada se leva

É Justo o gosto amargo 

Dessa poética resenha

Quando o ser vira rejeito 

Linda mulher ao seu lado

Que a misoginia o impede de ver

É o contraste da luz e as trevas 

A úlcera o isola 

Mente, coração, e o que vem de fora

O personagem perdeu o nome 

Nesse refúgio do tormento 

Pode ser o outro, você, até esse poeta

Rusgas sobrepostas, trancou as portas 

Monstro interno o consome

O fez idiota, sem identidade 

A alma transformou em gosma

Alegria e a ilusão, o abandonaram 

Decepcionada na noite de verão 

O amor não se compra mais

Sobrou a dor do arrependido 

Que a soberba plantou

Há vida lá fora, anunciada pelo vento 

Enquanto dentro umbral de silêncio 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO