Embarcada a Monomito
Mil faces sobre os trilhos
trem desperta alvorada com apito
na estação do tumulto
Sua plataforma entorna
Cada qual tem seu gueto
Sua cicatriz digital
Na lamúria coletiva
Acordada com café preto
As crianças ainda dormem
No retorno sono dos justos
Na folga nos reencontramos
É o gole do consolo
A interior sai com sereno
Arcabouço de cada vagão
Cartografias de cada mito
Põe a prova seus limites
Na epopéia de cada indivíduo
Heróis e heroínas sobre trilhos
Na lida pelas labutas
Vagão a caverna apertada
Espremendo cada afeto
Na batalha com seu leão
Conta com tolerância do patrão
Porque deu boi na linha
O percurso da alquimia
Nunca chega o mesmo
Cada episódio tem sua metáfora
Há quem se comporta como animal
Cafajeste roça ombros das sentadas
Outras defende -se com sacolas
Gestante frustrada por uma vaga
cabeças e cotovelos nas têmporas
Tendão tencionado que arde
Cada parada a fadiga da demora
Chacoalhados como carga
Elixir dessa saga
São os filhos que esperam em casa
Balanço da sobrevivência
Nos padrões matinais
Piora no final da tarde
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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