MITO E A ARTE
NA CAPELA DOS AFLITOS
Faz tempo que me espera ?
- A magia do lugar me entreteve
olhar encantado como o templo
Elos que fazem do etéreo ser belo
Ambos atravessam o tempo
- Achei que não viria mais
Imagina, sou onipresente
o deixei na companhia do silêncio
Além do digno anfitrião
Justifica o local do encontro
É minha casa, com mitos urbanos
Aqui é a alma de nossa resenha
“Partida, iniciação e retorno”
- Chaguinha foi morto na forca
O império e a calamidade
Engano! não morto, desencarnado
Não sentiu a presença dele aqui?
Sentidos provocados. – É verdade
Tornou-se o rebento de esperança
Semente dessa irmandade
Ímpeto resistente na fé
Colhe – se solidariedade
Percebe, a Capela foi restaurada
É o reflexo da alma dos devotos
Cantada em alegoria na avenida
Sorrisos de devoção
Desenhado no sorriso dos pés
O herói, o mártir ,mito e a arte,
O estandarte é o seu manto
No coletivo já somos manifestos
Por ser sagrado e glorioso
A existência da divindade
Reflete no âmago do peito aflito
Chaguinha já é Santo
Fez ser presente a dignidade
Ressignifica o espírito do povo
Por mais que tentem artimanhas
Enforcar a memória
Liberdade! Liberdade!
Nada haver, imigração nipônica
Aqui pedaço da África ancestral
O baronato adora ser colônia
Incomodados com a glória
Complexo em trilhos subterrâneo
Cujo respiro, praça dos enforcados
Os fariseus não perdem a mania
Paradoxo subverte a história
-O que pensa para o artista ?
Já está escrito, a arte é a poesia
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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