ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quarta-feira, 15 de julho de 2026

BARCO FURADO

BARCO FURADO 

Ser perdoado foi uma lástima 

Sutileza que faz o réu confesso 

Tiro na canoa do engodo 

Havia dor que moldava a sentença 

Agora o perdão provocou

o naufrágio com a redenção 

Tirou a oportunidade da marola

Que partiria do ponto final

Até o sofrimento já tinha retórica 

Aí surge a gloriosa compaixão 

E anestesia o cálculo da razão 

Assim desmoraliza o embusteiro 

Anula o ressentimento

Veja se tem cabimento 

Estratégia era manter a mágoa aberta

Como ferida do dilema

Travestido de retrato ambíguo 

Aí vem doação de uma nova chance.

Agora nem o silêncio colocará freio na língua 

A justificativa seria a dopamina

Num tribunal que condenaria sem provas

A pós Verdade recorreria contra verdade

O vácuo pulveriza a culpa 

Com cara de paisagem e tudo negado

Resta tapar o buraco 

Antes que a reputação naufraga

E fique a deriva e desolado 

Mas a liberdade o colocou nas cordas

Com a conveniência do pertencimento 

Desmoraliza a auto sabotagem 

Sobrou – lhe a alcunha de regenerado 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


Nenhum comentário:

Postar um comentário