BARCO FURADO
Ser perdoado foi uma lástima
Sutileza que faz o réu confesso
Tiro na canoa do engodo
Havia dor que moldava a sentença
Agora o perdão provocou
o naufrágio com a redenção
Tirou a oportunidade da marola
Que partiria do ponto final
Até o sofrimento já tinha retórica
Aí surge a gloriosa compaixão
E anestesia o cálculo da razão
Assim desmoraliza o embusteiro
Anula o ressentimento
Veja se tem cabimento
Estratégia era manter a mágoa aberta
Como ferida do dilema
Travestido de retrato ambíguo
Aí vem doação de uma nova chance.
Agora nem o silêncio colocará freio na língua
A justificativa seria a dopamina
Num tribunal que condenaria sem provas
A pós Verdade recorreria contra verdade
O vácuo pulveriza a culpa
Com cara de paisagem e tudo negado
Resta tapar o buraco
Antes que a reputação naufraga
E fique a deriva e desolado
Mas a liberdade o colocou nas cordas
Com a conveniência do pertencimento
Desmoraliza a auto sabotagem
Sobrou – lhe a alcunha de regenerado
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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