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terça-feira, 21 de julho de 2026

INSUFICIÊNCIA VERBAL

 INSUFICIÊNCIA VERBAL 

Subsistir é viver nos aparelhos 

Desenganado no meio fio

Periferia da indecência 

Sem direito a obituário

A gravidade é preposto da indiferença 

E a tristeza curva a coluna 

De quem não se tem notícias 

O olhar vê menos as maravilhas do céu 

A ternura das gaivotas o coral de maritacas

A utopia nas telas de cinema 

Vive entre parêntese da opressão 

Fica aquém do suficiente 

Que limita os afetos

Uns de ocasião ,

 outros , não lhe vê utilidade

Esses ostentam entre colchetes

Abduzidos da ilusão 

Lhe impõe as reticências que perdem -se no vácuo 

Mas essa não é a questão 

Vulnerável desnuda a realidade 

Não serve para massa de manobra 

Da espiga virou quirela

A esperança chegou no talo

Insuficiência de prover, comer ,viver

Verbos que parece extravagância 

a crise entrou pela porta tempestuosa 

O amor pulou a janela 

A estima escorrega pelo ralo

E os parças sumiram no espaço 

A solidão não é opcional 

O estômago vazio não dorme 

O calabouço da existência 

Onde o meio o exclui por intercorrência 

Vira estatística útil aos cortes 

Bem aniquilado a estética da fome

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


INSTANTE ENCANTADO

INSTANTE ENCANTADO 

A vida é feita de momentos

Como os mínimos e eternos

Caminha perante os olhos 

Deixou o entorno nebuloso

Estava além do que a vista alcança 

A boca secou e o coração abstraído 

Era magia feminina em governança 

Majestosa no rigor da Deusa

Leva-me conversar com pensamento 

Sendo um anônimo admirador 

Impressionismo digno de Renoir 

Chega a ofuscar o entorno 

Na alameda dos pássaros 

Com avenida das acácias 

Valsei com reflexões dominadas

Golpeia o ceticismo. És Divina!

O lirismo distrai a agenda 

Já não sabia de onde vinha, para onde ia

Conforme a benção da visão.

A mente passeia platônica 

Faz jus a arte da poesia 

Pelo colo elisabetano  

A olhava de soslaio 

Para que não note o hipnotizado 

As formas sinuosas e insinuantes 

Eu e as saltitante retinas

Ternura sobrepostas aos sentidos 

Esfumaça o trânsito e seus ruídos 

Um aroma de graça 

Desapareceu ao virar a esquina 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

AMAR REFLETE O RIO

.            AMAR REFLETE O RIO

Sob esplendor da Alvorada 

Pensa no amor 

Nas melodias noturnas 

sussurra a Deusa

Como dádiva do rio

Tem suas dores e rebentos

Que dinamiza sua graça 

Força faz-se pureza 

Perante os desejos e obstáculos 

As flores sobrepostas ao espinho

É corredeira transformada

No aconchego do seu leito

Princípio da ação dinâmica 

Contemplativa, com sorriso da manhã 

Sempre uma nova esperança 

Lema é amar desde cedo 

Sob a cortesia dos pássaros 

Sonoros ao suspiro 

aos devaneios matinais

As carpas vem a margem

pares do brilho dos olhos 

Submersos como a retina 

Ilumina a menina 

E a mulher apaixonada 

Passa o dia sob marolas do sorriso 

O olhar que se perde 

Em imagens do lirismo 

Nem vê o dia passar

 Chega às cores durante 

A ternura do crepúsculo 

Prenúncio dos sonhos 

Ama a capela 

Aos braços amantes 

O colo amado 

É a mais bela

a chegada da lua

Poetiza seus delírios 

Com sua alma nua

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

domingo, 19 de julho de 2026

DANDARA CIGANA

DANDARA CIGANA 

A bátega d’água não impede a liturgia 

Que caia sobre as águas que depositava a prece

Era chuva de Ayrá sobre rio de Oxum 

E na várzea aquele de expectativa vazia 

e os elementares como confessionário 

Unidos num romance sagrado

De susto surge a saia que gira a roda da vida

Cuja dona que a vestia significa o movimento, vibra elegância 

Até o ar ascendeu o aroma de rosas

Linda no brilho e expressão 

Sua plenitude de encanto 

Parou o temporal num repente 

Uma súplica de bom trato para não ser descortês 

-Perdoe moça me deixe só. Rogo meu apelo a Oxum 

Solta um suave sorriso , que dispensa o reconhecimento 

- moço de merecimento, aqui estou na missão de preposta.

Fez o obséquio e contemplou a companhia 

- Qual a sua graça?

- Dandara. E completou :

Perdido na viagem do mundo que o deixou a margem 

Procura a chave que abre as vias do destino 

Percurso o qual engendra dúvidas 

Vive momento trágico pouco forçado 

No limiar da esperança e o calabouço 

Oriundo de derrocada absoluta .

Letrada em alegria, disse afetuosa 

-Por mais paradoxal que pareça, é o indício de evolução 

A amabilidade elevava a cortesia, ela entendeu sua alma

- No drama dentro de ti, vivenciou o clímax. Onde a conjuntura o fez cético 

O lamento foi o silêncio, que repassa o filme, em episódios

- Sei que não encontrou a dignidade do sustento.

Argumenta: - Creio que nesse plano, esgotou os propósitos, a fonte secou

- Esquece pressupostos passados, eles são como esse rio, que já não é o mesmo desde que a chuva parou.

A presença doce era como a água corrente 

Num instante hidratou o espírito e o levou ao plano metafísico 

O que significa a dispensa dos desejos frívolos.

Porque agora ascende a uma missão ancestral.

Já parecia íntimos na espiritualidade 

Revelou coisas que a sombra escondia 

- Agora prepara seu bornal do louco . Dentro as ferramentas do mago e a lamparina do Eremita 

Para tu que deseja a chave 

empregue o verbo iluminar

A regência do Amor é a magia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


  

ZÉ E O FIM DO TRAPO

 ZÉ E O FIM DO TRAPO

Dizimado de cada dia

Usurparam a Decência

Banho e sabonete 

Cuidado corpo doente 

Entre o choque de realidade 

*

Que sonhou outrora 

Banhado de ilusão

Na alegria do futebol 

Saudades de ler o cardápio 

Do pasteleiro da Quietude 

*

Traumático a carestia 

Ressignifica a carência 

Exército da miséria é cadete

Pé cascudo no asfalto quente 

Despojado da dignidade 

*

Chove muito aqui fora

Tá mudando a estação 

Encolhe-se em caracol

Visto como larápio 

Corpo molha sem atitude 

*

Descendente de dinastia

Acumulador de doença 

 fome, friagem e cacete

De compaixão é carente 

É invisível sua calamidade 

*

A esperança foi embora 

No mundo restou fiel cão 

Na chuva, frio ou faça sol

Tem a estima em farrapos 

No sumário esvaiu solicitude

 SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

REPULSA CÉTICA


 REPULSA CÉTICA 

Positivismo tóxico 

E as parábolas de consolo 

Se camuflam de compaixão 

Como senha de distanciamento 

Das competências genuínas 

Que requer a humanidade 

Terceirizada a algum divino 

Do mercado místico 

Cria esse ridículo de conduta

 ancorada na devoção 

A mediocridade vira rito

À vítima impute a culpa

Piorando a situação 

Subestima a mente sã 

Como se em águas bentas 

Lavasse as mãos 

Da ao factoide algum 

Versículo, parábola ou Itan

Fossem súmulas do veredito 

- Que a dor seja penitência 

Propósito do gélido isolamento 

Para que se arrependa a tempo

Sabe-se lá do quê 

“tenha fé e será absolvido “

Fazem da divindade 

Envergonham qualquer mito

Mantos de vaidade

Como projeção programada

Dissimular o que não é comigo 

Obra do racismo religioso 

“o julgo miserável , porque sou abençoado “

A benção do mau trato 

Valida a fé espúria 

O que é mais penoso

o varre pra fora do circuito 

Para que as lágrimas não solte grito 

Imaculada desgraça de cada dia

“Livrai-nos das penúria “

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

sábado, 18 de julho de 2026

SEPULCRO MACULADO

SEPULCRO MACULADO 

Sepulcro maculado  

Da vil e pitoresca

Virtude caída 

Dúvida eterna

Onde ,Vida e morte se encontram

Na mente dos aflitos 

Ao julgo da temporalidade 

 Decidem os beneficiários da redenção 

Melancolia tem lugar de fala

Vertical rumo ao abismo

Sem melodia a situação 

A seco desce inativo 

Com seu fardo de pesares

A queda dialética ao sombrio 

Como romantismo gótico

Os discípulos de Werther 

Encontra no limbo o lirismo 

Contrapõe análise do subjetivo 

A auditoria da fundação 

Com a ressaca da abstinência 

A nulidade do reflexivo 

O não criado na vida em curso

Perante ao desejo da morte

O paradoxo apelo a vida

o espírito não pede recurso 

Pela ansiedade do aflito 

O sofrimento e seu calvário 

Mesmo que corte os pulsos 

E sua estratagema do pertencimento 

Retórica análoga 

Com drama apocalíptico 

E a luz esvaindo no crepúsculo 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

LETÁRGICA INSÔNIA


LETÁRGICA INSÔNIA 

 No cume da insônia 

 Consciente em vertigem 

A prudência do drama

Se explodir no meio da linha

Não há mais teto para reter

Antecipa-se sua tragédia 

Por isso da madrugada moderadora

Que a morte seja conduzida

Para construir nova vida

Paradoxo do mistério sob a lua

Encontrar o equilíbrio na distopia 

Para revelar sua Epifania

 Na retidão do estômago vazio 

Jejum forçado que revela o espírito 

Na angustia atormentada 

Súplica da existência 

Quebra paradigmas 

Na sombra da vigília 

Do herói da resistência 

Na Letargia do nada sobre a vida

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

RETRATO DA MEMÓRIA

RETRATO DA MEMÓRIA 

Fico tão feliz quando te vejo

Colocarei sua foto no canto do espelho 

Assim ficamos lado a lado

Como nos velhos tempos 

Com seus olhos sorridentes 

E todo seu brilho eternizado

Dará lembranças afetiva a saudade

Até mesmo com papo furado

O ontem voltou com o vento 

E como nasceu todo respeito 

Que cada vez que a imagem 

Ressurge me pega a reboque 

Sinto a falta que me da

Da a memória aos sentimentos 

Árvore da amizade crescendo como Paoba

Que alivia a sede da tua falta

Hidrata a memoria do acolhimento

Que a generosidade me ensinou 

O amor cultiva o colo amigo 

E toda lembrança que trago contigo 

Maduros e mais eloquentes

Até no silêncio juntos nos faz sábios

Seu retrato faz presente 

Beleza da irmandade satisfeita 

Confesso perante o espelho 

A satisfação agia calada

Como semente em terra fértil 

Da nossa fauna nasceu a flora

Que se reflete pela jornada 

Na poesia da memória 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO