Positivismo tóxico
E as parábolas de consolo
Se camuflam de compaixão
Como senha de distanciamento
Das competências genuínas
Que requer a humanidade
Terceirizada a algum divino
Do mercado místico
Cria esse ridículo de conduta
ancorada na devoção
A mediocridade vira rito
À vítima impute a culpa
Piorando a situação
Subestima a mente sã
Como se em águas bentas
Lavasse as mãos
Da ao factoide algum
Versículo, parábola ou Itan
Fossem súmulas do veredito
- Que a dor seja penitência
Propósito do gélido isolamento
Para que se arrependa a tempo
Sabe-se lá do quê
“tenha fé e será absolvido “
Fazem da divindade
Envergonham qualquer mito
Mantos de vaidade
Como projeção programada
Dissimular o que não é comigo
Obra do racismo religioso
“o julgo miserável , porque sou abençoado “
A benção do mau trato
Valida a fé espúria
O que é mais penoso
o varre pra fora do circuito
Para que as lágrimas não solte grito
Imaculada desgraça de cada dia
“Livrai-nos das penúria “
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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