ZÉ E O FIM DO TRAPO
Dizimado de cada dia
Usurparam a Decência
Banho e sabonete
Cuidado corpo doente
Entre o choque de realidade
*
Que sonhou outrora
Banhado de ilusão
Na alegria do futebol
Saudades de ler o cardápio
Do pasteleiro da Quietude
*
Traumático a carestia
Ressignifica a carência
Exército da miséria é cadete
Pé cascudo no asfalto quente
Despojado da dignidade
*
Chove muito aqui fora
Tá mudando a estação
Encolhe-se em caracol
Visto como larápio
Corpo molha sem atitude
*
Descendente de dinastia
Acumulador de doença
fome, friagem e cacete
De compaixão é carente
É invisível sua calamidade
*
A esperança foi embora
No mundo restou fiel cão
Na chuva, frio ou faça sol
Tem a estima em farrapos
No sumário esvaiu solicitude
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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