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quarta-feira, 29 de julho de 2026

ORÁCULO DE TOLO

ORÁCULO DE TOLO

Oráculo o sufrágio da ilusão 

E seus adjetivos da perversão

Tudo “ão” para dizer o mínimo 

No campo das hipóteses 

Internaliza dogmas 

Cancela o arbítrio 

Cria receios a imaginação 

Subverte os escritos 

Conforme as vaidades 

Conspiração de teoria 

Diria o cético 

A palavra puxa a grade 

E o incesto faz parte 

Diz um mago de Sófocles 

Faz – se do eterno 

Juízo e sacrilégio 

Filho mata o pai

Conforme convém 

A psiquê da análise 

Traveste o mito como verdade 

E o peso das burras

Tem oráculo de estimação 

Viola os arquétipos 

A idolatria de Totens

Conforme necessidade do cliente 

A vida biológica se renova 

Já sincronicidade metafísica 

Sempre haverá uma lista 

Na jornada do herói

Liberta o Anti-Edipo 

E as unhas hão de roer 

No que diz a quiromancia

Para Dizer o que se quer

Não passa de dopings 

Pós idade da razão 

Queimando no inferno 

Cria Labaredas do medo

Para vender salvação 

Tudo questão de interpretação 

Que embuste o argumento 

No mercado mágico 

O rei é ilusionista 

Que escreve nas estrelas

 força criativa que conecta

Que a urbanidade não enxerga 

O mistério excita 

Como amor proibido 

Chique ser alquimista 

Para as bruxas de shopping 

Como se o destino desse spoiler 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

A LOUCURA NOS CORPOS

A LOUCURA NOS CORPOS 

 Foge dos conformes 

A intermitência das células 

São pérolas escondidas

 burburinho das moléculas 

E a geladeira dos ossos 

Eterno pedido de escusas 

Nega aquilo que sabe

Treme que o caldo entorne 

Crueldade vibra a vida

Eloquência é a subserviência 

Abstração no compasso 

E seus conflitos paradoxos

Faz erudita a barbárie 

O alongamento preenche o espaço 

A ganância permitirá 

A regência dos travados 

Como insurgência corporal 

Que abocanha as palavras 

Transeuntes é o corpo de baile 

Para o passeio das falas

De expressão muda 

Pelos palcos das calçadas 

A fome vidente come com olhos

Deseja com os poros

Anatomia de terra arrasada 

De palcos apertados 

E liberdade exprimida 

Que reprime as vísceras 

Que discursa em blocos 

Desnorteia a calma 

Confunde a alma 

Nos pontos de vista 

A dó é a menor 

Das compaixões e dialetos

Anterior a intuição 

E a fome de ação presente 

Dos corpos objetos 

A dança é fala dos ritos 

Espetáculo da catarse 

O movimento é o conflito 

E a loucura do tônus 

Subverte as marchas marcadas

Dialogando com a metafísica 

Desorienta as estruturas 

Com a oratória dos reflexos 

Quando o domínio do império 

Escreve por chibata 

Nas peles pretas 

Quelóide em blocos de notas

Assinatura do baronato 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO  REVERSO  

segunda-feira, 27 de julho de 2026

ESGRIMA O ETERNO

   ESGRIMA O ETERNO.

Oh meu pai!

Abra sete ondas

Proteja -me a beira mar

Rompa duras matas

Dessa floresta densa 

Com sua espada flamejante 

Feita em forja sagrada 

Para esgrimar a paz

Na arte da guerra 

Malha e molda insígnias 

Nas ilíadas da bigorna 

os paramentos arquétipos 

É mitologia criando forma

Torna-me locomotiva 

Que o fogo movimenta 

Para ir além dos trilhos 

Com símbolos mariwo 

Dendê que aquece o guerreiro 

Vivência resistência 

Contra supremacia vil

Os caminhos que transforma 

Em horizonte que sustenta 

Levanta quando cai 

A autoestima e seu brio 

trem que adentra montanhas 

Com vigor ancestral 

Rebate intolerância senil 

Ogunhê meu pai!

*

 SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

CATARSE DOS VERSOS


CATARSE DOS VERSOS 

Deitou -se de bruços 

A um quarto de silêncio 

Seus desejos em sussurros

A trégua a entrega absoluta 

Com sua calcinha de rendas

E camiseta de dormir 

Lia poesias de amor

Que compartilha intimidade 

Dialoga com seus sonhos 

Na terna cúmplice noite

No avante das horas 

Veículos se recolhiam ao repouso 

A lua se mostrava sem pedir licença

A flechava em diagonal 

Sem incomodar a leitura 

O corpo largado na cama

Revelava suas íntimas rimas 

A brisa suave e melodiosa 

Olhos divididos entre versos 

E devaneios da mente

Buscando da leitura referências 

Como se decifrasse enigmas 

Sozinha na noite 

E divinamente acompanhada

Personalizado seus mistérios 

Respirou inspirada 

Elencando seus afetos 

Cobre-se com frases mágicas 

Revela o coração nas estrofes 

Que pausadamente a lia

Passa de leitora a poesia 

A catarse da noite 

Fechou o livro e os olhos 

E o beijou com queixo 

Sabia que dormiria ali dentro 

Quão divino foi sua arte

Adormece com lingerie nos joelhos 

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

MEMÓRIAS E MANHÃS FRIAS


MEMÓRIAS E MANHÃS FRIAS

 A poesia assume o rigor

Do enfrentamento de si

Deu voz a incoerência 

Sem tempo de supor

Para cativar as ilusões 

Faz-se ficcional a memória 

Incógnitas dos mistérios 

E suporta ela indo embora 

Imagem criada na maresia 

É ferro que o salitre corroeu

Um naufrago a beira mar

A poucos quilômetros 

Cargueiros enfileirados ao porto

E ele na praia sem ter como aportar 

Entre espumas que molham canelas

Na solidão da manhã fria

Agonia em existência boqueirão 

Suportando as brisas matutinas

Que quebram ondas de solidão 

O sol se lança fraco 

Com impulso do canto do forte

Coleciona conchas como registro cético 

Marcando cada reflexão 

E não reluz nenhum mérito 

Volta com vazio para casa

Separado, história do egoísmo tosco 

Na travessia da avenida da praia 

Sente o peso da idade

Quantos passos de solidão 

Que atravessou decorrer dos anos 

Na companhia dos conflitos internos 

Ornados com pelos brancos no rosto 

Não Significou a saudade 

A contragosto a depressão do inverno 

A turbulência desse mar revolto 

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

domingo, 26 de julho de 2026

OLHO NO OLHO

OLHO NO OLHO

Perspectivas se abatem 

Arrancadas do colo

Na apologia da barbárie 

Apostam na causa e efeito 

Do leque a molécula 

Mãos preparada ao saque 

Enfraquecendo o sujeito 

Misoginia sem disfarce 

Nas diretrizes do método 

Mantendo terras secas 

Crítica da razão impura 

E sua evolução pungente 

Afere ao centro do peito 

Mas a cultura resiste marginal 

E rompe com essas correntes 

E vitaliza os afetos 

Contraste anomalias narrativas 

Somada a marcha das mulheres pretas 

Derrubam o fórceps do parto animal 

A hegemonia constrangida 

Diante da revolução passiva

Estão engajadas contra tretas 

São elas as sufragistas

Que estabelece o teto

Que Suplanta a ameaça

A causa dessas fendas

Catarse da resistência 

Desmonta essas seitas

São chão de fábrica 

Que impede a curatela 

Papo reto, é anatomia que não as pertence 

Porque é olho no olho, que as convence

 SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

ELOGIO AO FRACASSO

ELOGIO AO FRACASSO 

 Sou divergente positivo 

Das incoerência da vida

Se quer suas cronologias

Explica sonhos bolcheviques 

Dei bandeira de esquerda festiva

Ainda ator da cena adolescente 

 spoiler do cárcere secreto 

Desconhecendo as sombras

Vida porra louca aberta 

De um livro por ser escrito 

Sem se importar quem cobrará a fatura 

Cultuando sementes desconhecidas 

Fez do meu mistério, floresta

A literatura foi água límpida 

Assim como drama da dramaturgia

Sobre o dilema das vidas secas

Fontes do cinema novo

Na dialética da fome

No rio que passa 

São corredeiras recorrente 

Cacofonia mal resolvida 

Da cosmologia dentro de nozes

E os cadernos do cárcere 

Quando o povo hiberna 

Em berço esplêndido 

Não ouve-se suas vozes 

Sobre os conselhos do seu Zé 

A malandragem é ir onde o povo está

Com alegria tropicalista 

Caetano, Gil e Tom Zé

E os dilemas da reforma e renascimento 

Mas a reclusão vira um ativo 

E a antropologia nos une

Na cela de Mandela 

Memória de Graciliano 

 a biografia de Lula 

O alinhamento de Gramsci

Tabuleiro pra assar é povo na rua

A mitologia é a colher que mexe 

Engrossa o caldo da arte e feitiço 

Universo dimensiona as nozes

E até mesmo o que duvido 

Arde no samba da vela

Lembrança, haja fita amarela 

Quão majestoso o nome dela

E as resenhas do grão de areia 

E suas sete ondas da fé 

Pelas conjuntura dos fracassos

Antagoniza o ser e ter

Untados na forma da jornada 

O nome do bolo é vida 

Revisa a memória a capela 

Que se toma com café 

Na terra do nunca e no final da tarde 

No crepúsculo nosso de cada dia

Nesse quarto sem janela

*

SÉRGIO CUMINO  

INVERNO REVERSO 

sábado, 25 de julho de 2026

FILHO SALAMANDRA

 

FILHO SALAMANDRA 

Hiberna salamandra 

No âmago úmido

Com seu fogo interno

Endossado na filosofia 

Nas lareiras fugas salamandra 

Resiliente a chamas da vida

A capacidade regenerativa 

De sentenças impositivas 

Salve a banda salamandra 

Na fogueira de Ayrá 

Sob o signo da justiça 

Que sua chave determina 

Portas de superação 

Alquimia salamandra 

É espírito Elemental

Vive no tronco, no fogo 

Nas labaredas da paixão 

Alimenta o bom fogo

Em detrimento ao ruim

Transforma e renova

Põe a vida a prova 

Com as chamas da coragem 

Revela transmutação 

Sensitiva intuição salamandra

Pelo fogo que me conduz 

Pelos campos veredas.

Faz do destino encanto

A alcunha, Filho Salamandra 

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO   

CONTROVÉRSIA A REVOLUÇÃO COGNITIVA

CONTROVÉRSIA

 A REVOLUÇÃO COGNITIVA 

Não se incinera mais livros

Esfumaça a atenção 

Perde-se no nada, com ele próprio.

O vácuo é intervalo do flash 

Cuja leitura inflacionou nas prateleiras 

O artigo engolido pelo título 

Feito pílulas de suprimentos 

Causador do déficit de atenção 

A indiferença é o descaso latente 

Mantedor do desejo sob controle 

Esvaziam as alternativas 

Sequestrando o domínio da certeza 

Com evasiva dissidência 

A liberdade é paradigma digitalizado 

São arquivos de impaciência 

Porque a calma é revolucionária 

Quando o terreno está contaminado 

A profundidade se distraiu 

Fez do oceano poça do meio fio 

Plataforma e a dissuasão da controvérsia 

Mascarada de bom senso 

Enquanto o algoritmo é o cão de caça 

Inquisição moderna é atenção sem reflexão 

O nanismo da perspectiva.

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO