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terça-feira, 28 de julho de 2026

A LOUCURA NOS CORPOS

A LOUCURA NOS CORPOS 

 Foge dos conformes 

A intermitência das células 

São pérolas escondidas

 burburinho das moléculas 

E a geladeira dos ossos 

Eterno pedido de escusas 

Nega aquilo que sabe

Treme que o caldo entorne 

Crueldade vibra a vida

Eloquência é a subserviência 

Abstração no compasso 

E seus conflitos paradoxos

Faz erudita a barbárie 

O alongamento preenche o espaço 

A ganância permitirá 

A regência dos travados 

Como insurgência corporal 

Que abocanha as palavras 

Transeuntes é o corpo de baile 

Para o passeio das falas

De expressão muda 

Pelos palcos das calçadas 

A fome vidente come com olhos

Deseja com os poros

Anatomia de terra arrasada 

De palcos apertados 

E liberdade exprimida 

Que reprime as vísceras 

Que discursa em blocos 

Desnorteia a calma 

Confunde a alma 

Nos pontos de vista 

A dó é a menor 

Das compaixões e dialetos

Anterior a intuição 

E a fome de ação presente 

Dos corpos objetos 

A dança é fala dos ritos 

Espetáculo da catarse 

O movimento é o conflito 

E a loucura do tônus 

Subverte as marchas marcadas

Dialogando com a metafísica 

Desorienta as estruturas 

Com a oratória dos reflexos 

Quando o domínio do império 

Escreve por chibata 

Nas peles pretas 

Queloides em blocos de notas

Assinatura do baronato 

*

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO E O REVERSO  

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