A LOUCURA NOS CORPOS
Foge dos conformes
A intermitência das células
São pérolas escondidas
burburinho das moléculas
E a geladeira dos ossos
Eterno pedido de escusas
Nega aquilo que sabe
Treme que o caldo entorne
Crueldade vibra a vida
Eloquência é a subserviência
Abstração no compasso
E seus conflitos paradoxos
Faz erudita a barbárie
O alongamento preenche o espaço
A ganância permitirá
A regência dos travados
Como insurgência corporal
Que abocanha as palavras
Transeuntes é o corpo de baile
Para o passeio das falas
De expressão muda
Pelos palcos das calçadas
A fome vidente come com olhos
Deseja com os poros
Anatomia de terra arrasada
De palcos apertados
E liberdade exprimida
Que reprime as vísceras
Que discursa em blocos
Desnorteia a calma
Confunde a alma
Nos pontos de vista
A dó é a menor
Das compaixões e dialetos
Anterior a intuição
E a fome de ação presente
Dos corpos objetos
A dança é fala dos ritos
Espetáculo da catarse
O movimento é o conflito
E a loucura do tônus
Subverte as marchas marcadas
Dialogando com a metafísica
Desorienta as estruturas
Com a oratória dos reflexos
Quando o domínio do império
Escreve por chibata
Nas peles pretas
Queloides em blocos de notas
Assinatura do baronato
*
SÉRGIO CUMINO
INVERNO E O REVERSO

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