ELOGIO AO FRACASSO
Sou divergente positivo
Das incoerência da vida
Se quer suas cronologias
Explica sonhos bolcheviques
Dei bandeira de esquerda festiva
Ainda ator da cena adolescente
spoiler do cárcere secreto
Desconhecendo as sombras
Vida porra louca aberta
De um livro por ser escrito
Sem se importar quem cobrará a fatura
Cultuando sementes desconhecidas
Fez do meu mistério, floresta
A literatura foi água límpida
Assim como drama da dramaturgia
Sobre o dilema das vidas secas
Fontes do cinema novo
Na dialética da fome
No rio que passa
São corredeiras recorrente
Cacofonia mal resolvida
Da cosmologia dentro de nozes
E os cadernos do cárcere
Quando o povo hiberna
Em berço esplêndido
Não ouve-se suas vozes
Sobre os conselhos do seu Zé
A malandragem é ir onde o povo está
Com alegria tropicalista
Caetano, Gil e Tom Zé
E os dilemas da reforma e renascimento
Mas a reclusão vira um ativo
E a antropologia nos une
Na cela de Mandela
Memória de Graciliano
a biografia de Lula
O alinhamento de Gramsci
Tabuleiro pra assar é povo na rua
A mitologia é a colher que mexe
Engrossa o caldo da arte e feitiço
Universo dimensiona as nozes
E até mesmo o que duvido
Arde no samba da vela
Lembrança, haja fita amarela
Quão majestoso o nome dela
E as resenhas do grão de areia
E suas sete ondas da fé
Pelas conjuntura dos fracassos
Antagoniza o ser e ter
Untados na forma da jornada
O nome do bolo é vida
Revisa a memória a capela
Que se toma com café
Na terra do nunca e no final da tarde
No crepúsculo nosso de cada dia
Nesse quarto sem janela
*
SÉRGIO CUMINO
FILHO SALAMANDRA

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