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segunda-feira, 27 de julho de 2026

MEMÓRIAS E MANHÃS FRIAS


MEMÓRIAS E MANHÃS FRIAS

 A poesia assume o rigor

Do enfrentamento de si

Deu voz a incoerência 

Sem tempo de supor

Para cativar as ilusões 

Faz-se ficcional a memória 

Incógnitas dos mistérios 

E suporta ela indo embora 

Imagem criada na maresia 

É ferro que o salitre corroeu

Um naufrago a beira mar

A poucos quilômetros 

Cargueiros enfileirados ao porto

E ele na praia sem ter como aportar 

Entre espumas que molham canelas

Na solidão da manhã fria

Agonia em existência boqueirão 

Suportando as brisas matutinas

Que quebram ondas de solidão 

O sol se lança fraco 

Com impulso do canto do forte

Coleciona conchas como registro cético 

Marcando cada reflexão 

E não reluz nenhum mérito 

Volta com vazio para casa

Separado, história do egoísmo tosco 

Na travessia da avenida da praia 

Sente o peso da idade

Quantos passos de solidão 

Que atravessou decorrer dos anos 

Na companhia dos conflitos internos 

Ornados com pelos brancos no rosto 

Não Significou a saudade 

A contragosto a depressão do inverno 

A turbulência desse mar revolto 

SÉRGIO CUMINO 

INVERNO REVERSO 

 

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