A poesia assume o rigor
Do enfrentamento de si
Deu voz a incoerência
Sem tempo de supor
Para cativar as ilusões
Faz-se ficcional a memória
Incógnitas dos mistérios
E suporta ela indo embora
Imagem criada na maresia
É ferro que o salitre corroeu
Um naufrago a beira mar
A poucos quilômetros
Cargueiros enfileirados ao porto
E ele na praia sem ter como aportar
Entre espumas que molham canelas
Na solidão da manhã fria
Agonia em existência boqueirão
Suportando as brisas matutinas
Que quebram ondas de solidão
O sol se lança fraco
Com impulso do canto do forte
Coleciona conchas como registro cético
Marcando cada reflexão
E não reluz nenhum mérito
Volta com vazio para casa
Separado, história do egoísmo tosco
Na travessia da avenida da praia
Sente o peso da idade
Quantos passos de solidão
Que atravessou decorrer dos anos
Na companhia dos conflitos internos
Ornados com pelos brancos no rosto
Não Significou a saudade
A contragosto a depressão do inverno
A turbulência desse mar revolto
SÉRGIO CUMINO
INVERNO REVERSO

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