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segunda-feira, 27 de julho de 2026

CATARSE DOS VERSOS


CATARSE DOS VERSOS 

Deitou -se de bruços 

A um quarto de silêncio 

Seus desejos em sussurros

A trégua a entrega absoluta 

Com sua calcinha de rendas

E camiseta de dormir 

Lia poesias de amor

Que compartilha intimidade 

Dialoga com seus sonhos 

Na terna cúmplice noite

No avante das horas 

Veículos se recolhiam ao repouso 

A lua se mostrava sem pedir licença

A flechava em diagonal 

Sem incomodar a leitura 

O corpo largado na cama

Revelava suas íntimas rimas 

A brisa suave e melodiosa 

Olhos divididos entre versos 

E devaneios da mente

Buscando da leitura referências 

Como se decifrasse enigmas 

Sozinha na noite 

E divinamente acompanhada

Personalizado seus mistérios 

Respirou inspirada 

Elencando seus afetos 

Cobre-se com frases mágicas 

Revela o coração nas estrofes 

Que pausadamente a lia

Passa de leitora a poesia 

A catarse da noite 

Fechou o livro e os olhos 

E o beijou com queixo 

Sabia que dormiria ali dentro 

Quão divino foi sua arte

Adormece com lingerie nos joelhos 

SÉRGIO CUMINO 

FILHO DE SALAMANDRA  

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