CÔMODA E O CÔMODO
A cômoda se incomoda
Acomodada no canto da mente
Onde coça a dúvida
Longe do sonho
que ficou na gaveta
Junto com as meias
Que mancharam de velha
Pisadas de meias atitudes
Moderando onde pisa
Descômodo rui com tempo
Sol só entra pela janela
Ao bom grado das cortinas
Manchas que deixou sinal de vida
Comodatário da esperança
Como antes era rubor
Que desejo assanha
Hoje as torres do entorno
Tamparam os raios
Mandaram a sombra
A comodidade não fez notar
Nada comovente mas curioso
Espelho que deixa saudades
Não lembra dele quando novo
Tantos sorrisos com a dança
Da escova e os cabelos
A idade derruba os pelos
Reflexos profundos ,guia os olhos
ao caminho das lágrimas
dúvidas que a sobrancelha
Confessa no íntimo quarto
Pela mesma fresta
que a cortina deixou
Vê o passeio das estações
O verão da barba de espuma
Pelos , que a fantasia criou
Ao capitão da flotilha
Um altar dos sonhos
que a mobília guardou
foi se carcomida por dentro
Pelos cupins do medo
Terá um novo móvel de canto
Com melodias novas
Que retrate novos tempos
Ou tudo acabou
A cômoda sem comodato
Sumiu junto com cômodo
Para moderno estacionamento
SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

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