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sexta-feira, 10 de julho de 2026

MÃO SONÂMBULA


 MÃO SONÂMBULA 

Quando o sono mergulha

mão inócua e formigando também dormiu

Sem que a razão controlasse, se move

Sonambulismo empunhando a paixão 

Não! Boba não! Sonâmbula !?

Distúrbio do sono na fração do corpo 

Enquanto o tutor pesa na cama

Polegar, Indicador, Médio, Anelar e mindinho

Passeiam com a palma da mão 

Cinco articulados do Apocalipse 

Heróis românticos com sede de vida

Madrugada, cama, lua que adentra deram tom

Sonambulismo não tivesse sonância

O título seria “a fonte é a flor”

Pássaro que paira na quietude da noite 

Mão desliza sonambúlica como se voasse 

Claro que o céu é a beleza da amada

Uniram-se como dança de roda

Pele a palma e os cinco cavaleiros 

Na batuta dos sonhos 

Mergulham nas mechas dos cabelos 

Que amaciou todos os sentidos 

Devoção como se fosse coroa de Dada

Pontas dos dedos sorviam o perfume 

Feito abelha colhendo seu mel

A valsa doce do amor

O indicador tocou seu nódulo 

O sino da graça ornada pelo ouro 

Segue o amalhar pela nuca 

Tipo pássaros que aconchega no ninho 

Para alimentarem se do seu calor 

Banquete que serve sobre Lençóis 

A linha da vida adorna o pescoço 

O quero- quero da quiromancia 

A linha do coração se expande no peito 

Delineia seus seios e até fazem bico

O suspiro dos sentidos 

Aos carinhos de candura 

Acompanha a doçura das formas

Circula o umbigo o broto ancestral 

Contorna a cintura, a trilha do afeto 

Laço eterno de sua primavera 

Serenata das sonatas sonares

Vibradas pelo vento quando assovia

A cortina saltita a catarse da janela 

Aberta como a boca da noite 

a mão sob lingerie de algodão 

Acaricia as pétalas da púbis 

O rito de chegada a flora

Asas do beija-flor estimulam o pólen

 Pulsátil e vivo dedilhar

As digitais pulsares o desejo 

Amor narra o epílogo do sonho

Após senti-la como prece

Pousa em suas ancas

Com abraço apaixonado e adormece 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 




 

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