MÃO SONÂMBULA
Quando o sono mergulha
mão inócua e formigando também dormiu
Sem que a razão controlasse, se move
Sonambulismo empunhando a paixão
Não! Boba não! Sonâmbula !?
Distúrbio do sono na fração do corpo
Enquanto o tutor pesa na cama
Polegar, Indicador, Médio, Anelar e mindinho
Passeiam com a palma da mão
Cinco articulados do Apocalipse
Heróis românticos com sede de vida
Madrugada, cama, lua que adentra deram tom
Sonambulismo não tivesse sonância
O título seria “a fonte é a flor”
Pássaro que paira na quietude da noite
Mão desliza sonambúlica como se voasse
Claro que o céu é a beleza da amada
Uniram-se como dança de roda
Pele a palma e os cinco cavaleiros
Na batuta dos sonhos
Mergulham nas mechas dos cabelos
Que amaciou todos os sentidos
Devoção como se fosse coroa de Dada
Pontas dos dedos sorviam o perfume
Feito abelha colhendo seu mel
A valsa doce do amor
O indicador tocou seu nódulo
O sino da graça ornada pelo ouro
Segue o amalhar pela nuca
Tipo pássaros que aconchega no ninho
Para alimentarem se do seu calor
Banquete que serve sobre Lençóis
A linha da vida adorna o pescoço
O quero- quero da quiromancia
A linha do coração se expande no peito
Delineia seus seios e até fazem bico
O suspiro dos sentidos
Aos carinhos de candura
Acompanha a doçura das formas
Circula o umbigo o broto ancestral
Contorna a cintura, a trilha do afeto
Laço eterno de sua primavera
Serenata das sonatas sonares
Vibradas pelo vento quando assovia
A cortina saltita a catarse da janela
Aberta como a boca da noite
a mão sob lingerie de algodão
Acaricia as pétalas da púbis
O rito de chegada a flora
Asas do beija-flor estimulam o pólen
Pulsátil e vivo dedilhar
As digitais pulsares o desejo
Amor narra o epílogo do sonho
Após senti-la como prece
Pousa em suas ancas
Com abraço apaixonado e adormece
SÉRGIO CUMINO
LUME LUSCO-FUSCO

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