ESSE BLOG NÃO PERTENCE SÓ AO POETA, ELE É DE TODOS NÓS

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NÉVOA DE OUTONO


NÉVOA DE OUTONO

  *

Quando a voz disse vamos

Não sabia se estava pronto 

Chamas de Ayrá no chamado 

Águas de Oxum levando 

união das brumas, deixa tonto

Na alameda do tempo calado

      *

Postes da via reluz e pontua

Entraves da vida inóspita 

Setênios da causa e efeito 

o mistério da perpétua nua

Visão arrepia a incógnita 

Para quê deveras eleito

       *

Tardio passos do florescer

Abre-se o véu ao novo mundo 

Sai do chão frio, pisa no mistério 

Palmeira sua flor demora nascer 

Quando o nada é o tudo 

Abolição dos padrões e critérios 

      *

 labirinto ao desafio da névoa 

Dissipa o passo subjugado 

Nevoeiro é incenso de outono

 Melancolia da brandura dá trégua 

Ouro de Ya atravessa o nublado 

Paz de Oxalá é benção e consol

  *

Conexão além da cortina 

Linear do físico e espírito 

Poesia, beleza e sonho

A essência nebulosa atina

Quando o fim é o princípio 

Além dos limites do insano   

  *

invisível na invisibilidade 

Mistura-se com a neblina 

Torná-lo o vulto do oculto 

Gênero grau e densidade 

Dá sentido a sua sina

É lapidado o diamante bruto 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                         

quarta-feira, 20 de maio de 2026

ÈRÒ ÌRÓKÓ

 ÈRÒ ÌRÓKÓ

Fonte que acalma

O Ori tempestuoso

Que tira os pés do chão

Perde o apoio da mão

Fuzuê da cognição

Contexto do desespero

Pensamentos tortos

Frágil em destempero

Desmonta princípios

De corpo e alma

Refugia-se a árvore anciã

Declina-se ao pé de Iroko

A força do portal

De um mundo a outro

 profundezas dos mortos

As divindades do Orum

Onde os olhos não veem

Reorienta a cabeça pagã

Senta no colo da mãe terra

 perdido em tumulto

As sombras da árvore sagrada

Espírito sem eira nem beira

Entre Deuses e ancestrais

o curandeiro oculto

Do passado ao presente

Majestoso do tempo

Espírito que ali mora

Poesia gameleira

Que conhece o infinito

Alça humilde o pedido

As raízes da diáspora

No memorial ancestral

É Orisa que habita

Vida, respeito e renovação

Reabilita a fé

A cadência da vida

De tempo a tempo

Estação que transforma

Sabedoria plantada

Divina criação de Olodumaré

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX

terça-feira, 19 de maio de 2026

POESIA DE BORDO

POESIA DE BORDO

Palavras desabafam às palavras 

Paciente das resenhas

Conflito das prosas e anedotas

Divã na cabine do comandante

Provisão dos provérbios 

Ordena os devaneios 

Para narrador dos resíduos 

Postulado da memória emotiva 

Mistura-se ternura com fuzuê 

Convés e seu revés 

Oriundas do rincão da memória 

Bibliografia da lida incerta

Verborragia da escrita ativista 

Resgate das dores a deriva 

Estigma o balanço das feridas

Amores, entraves e fé 

Mar de paixões e desilusões 

A bonança é a poesia 

Porque o leme a resiliência 

Dedicada aos afetos

Fases se eternizam

Em poesia das prosas 

Mitos e seus arquétipos 

Sílabas que sobem e descem

No movimento das ondas

Como os suspiros e lágrimas 

Prece do sujeito imperfeito 

Escreve a nave à outros mares

Comandante adolescente 

De barbas brancas

Teve história pra contar

Postulado do lirismo 

Contraste de tantos lados 

Imprecisão do navegar

Intuição torna a vela

Dessa barca de poetar

Mistura-se com embarcado

Nos naufrágios e maremotos 

 se aconselha com Iemanjá 

Dando a utopia a predição 

Para poeta a palavra é o prisma 

A poesia é o diário de bordo 

Numa maresia de prosódia 

E a rede que pesca as palavras 

Embriagar o que descreve 

Reler é a saudade

E a prosa que anuncia 

Quando avista a mãe terra 

porto seguro, ao sonho do poeta

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                                 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

ETERNA TERNURA


ETERNA TERNURA 

 O amor que a deixou

Apareceu no muro

Que divide os dois mundos 

Num gesto que revela

Que de lá a espera

Foi um sonho intermitente

E tantos que acalenta momentos 

soprando o vapor do chá quente

Solta para fora a dor no peito 

No passeio cadência o passo

Lento a saborear a ilusão 

Peso do corpo frágil, 

abraça o pesar, e sussurra 

:- Meu velho, onde você está?

E recebe a compaixão da ternura 

Da parede estende uma rosa

Branca, o amor a torna púrpura 

Emoção da rubor a face

Saudade tempera a esperança 

Puridade a excelência do tempo 

Experiência, mãe da temperança 

Não deixa a idade tempestear 

Marasmo da tarde lisonja

Brisa fresca tende aconchegar

vagueia na alameda do sonho

Sobre o tempo perdido 

O amor partindo 

Reencontro esperado

 Começa nova história 

No paraíso entre seus lírios

:- Venha! Venha me buscar,

Não basta ser o mais belo

Desse livro da memória 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 

                  

domingo, 17 de maio de 2026

SUSPIROS DA UTOPIA

SUSPIROS DA UTOPIA 

Mesmo que a casca virou bronze

Como busto de praça 

Manequim de magazine 

Daquelas que a estética oprime

No padrão da distopia 

Grava na pele a região dos desejos

Como tatuagem que te define 

Sai de do fora e vai pra dentro 

Resgatar a essência esquecida 

E toda inspiração e seus lampejos 

Sente o barulho de chuva 

Sai descalça e pise nas poças 

Quebra a couraça que não servia

Veja o vale e suas dunas

Se encharcando de esperança 

Que guardava na cachola 

Toda pureza de criança 

Recrie cada detalhe

Com o elixir da fantasia 

Imagem do âmago lúdico 

Decora o belo da memória 

Solte às esganaduras covardes

Junto com as hordas da escória

Abra frestas e os pássaros liberta

Ao vôo harmônico da resiliência 

Cante a melodia que não podia 

Rio corrente mente afora

Deixa as mágoas, irem embora

O que vim de fora não importa 

Liberdade criadas de dentro 

Voam felizes com as gaivotas 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX         

A PELE VIVE O MITO

 

A PELE VIVE O MITO

 Preces levam a ti

Rogar de amparo

As paragens de Benim

Pede a chave dos entraves

Que bloqueia o Ori

*

questões apregoada

Clamam o redemoinho

Na zona de conforto

Reorganizar esse caos

Não é seguro esse porto

*

Tranquilo será convosco

Em benção com devoção

Quantas agruras até aqui

Aprender à evolução

Pelas adversidades que vivi

*

Lembro quando guri

Foi sobre telhado

com a lança e a chave

Prenúncio, senti e vi

A jornada rumo ao sagrado

*

Alma e corpo em desequilíbrio

Foi quando o mito entendi

Espiral , a sucção das agruras

Agora estado de transformação

Ditos os mistérios pelo Oriki

*

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX


sábado, 16 de maio de 2026

DESEJO É ZELO

DESEJO É ZELO

Colo a ti cedido

Corpo se doa quente

Afeto está presente 

Por estar rendido

Peleja do dia

Dilui com carinho 

Aconchega no ninho

a noite harmonia 

*

Acordar contigo 

Evocar a ternura 

a graça se apura

Poesia faz sentido 

*

A benção é cortesia 

Mandado pela lua

Amor se cura

Dando vida a fantasia 

*

Paraíso perdido 

Cuidado em desvelo

Arrepio dos pelos

Com gestos escolhidos

*

Cães ladram alegria 

Ao cortejo meigo

O desejo é zelo

E gemidos melodia 


SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX 


    

          

sexta-feira, 15 de maio de 2026

AS CHAVES DO DESTINO

AS CHAVES DO DESTINO 

Caminhos fechados

 impede o passo

Prende como corrente 

Qual a chave competente

A essa estrada insolente 

Com tocaias do livre arbítrio 

Rogo que me abra a mente

Que fechou o pensamento

De corpo presente 

O que me tranca

Atravanca o discernimento 

Me mantém ausente 

Num isolamento 

a chave do conhecimento 

Passado, presente e futuro 

Dádiva da libertação 

Das saídas e entradas

Que me tire da caverna 

A chave do desejo 

Liberta-me da castidade

Meu pai que me rege

Que está no controle 

Do lado de lá há caminho 

Meu destino, meu Odu

Tirai-me desse estado refulgente 

Espero já ter equilíbrio 

Para o caminho dos justos 

Além da vã filosofia 

Abra-me ao mistério 

Do céu e a terra

Já não é sem tempo

Que possa caminhar

Como cavaleiro andante 

Para enfrentar meus medos

E lutar contra moinhos de vento 

Libere os segredos da idade de ouro 

A chave do baú do tesouro 

Que revela o oculto, Pedro

Para que possa voar ao sol

Sem a imprudência de Ícaro 

Sou cônscio do meu limite 

Quero fugir desse labirinto 

Viver o meu destino 

Senhor da encruzilhada 

Abra essas portas 

Para respirar fertilidade 

Dai-me as minhas chaves

Para quando for preciso 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX                                  

SONHO DA SAUDADE

SONHO DA SAUDADE

Saudade não dorme, sonha

Faz parte do ser, não sei dizer

Materializa as ilusões 

Noturnas de Outono 

Captura o sono, a meu prazer 

Na extensão do braço vejo você 

Preenche a sua falta

As gatas de casa aconselham

Com miados solidários

Confortam o refúgio do querer 

Aconchegando a mim

Ronronam pra eu dormir 

Para amor vibrar no Orum

A lua reflete sua imagem 

Felinas em prol da ilusão 

Redesenhar o real

Desejo e a sonolência 

Adormeci o factual 

Olhos fecham e porta se abre

No casebre ruindo pela saudade

 surge bela a espera na entrada 

vontade, faz dos olhos lamparinas

Ilumina a querência e a sina

Inocência da o ar da graça 

Elevando a minha utopia 

Para o deleite do espírito 

Devaneios cortejo imperial 

O que é sonho ou real?

Faz a cabana, cenário de fábula 

Ilusão desenha a esperança 

Dama dos sonhos é amada

Rainha noturna coroa a paixão 

Sonho constrói seu trono

Leve, eterno e breve 

Nessa ficção íntima 

Suficiente para avivar a emoção 

E toda a alegoria inconsciente 

Emergi do fundo: - Eu te Amo!

Sonho noturno e oportuno

Que sobrepôs a razão 

E deixa a noite calada 

Romântica madrugada 

Descobertas envolta da manta

Desse sonho não solto

Faz desse corpo criança 

Sussurra com a sensação 

Faz-me sentir seu colo

Vigília do amor no coração 

SÉRGIO CUMINO – ABRASA À FÊNIX