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segunda-feira, 13 de julho de 2026

LABUTA HERÓICA

LABUTA HERÓICA 

Embarcada a Monomito   

Mil faces sobre os trilhos 

 trem desperta alvorada com apito 

na estação do tumulto 

Sua plataforma entorna 

Cada qual tem seu gueto 

Sua cicatriz digital 

Na lamúria coletiva 

Acordada com café preto

As crianças ainda dormem 

No retorno sono dos justos 

Na folga nos reencontramos 

É o gole do consolo 

A interior sai com sereno

Arcabouço de cada vagão

 Cartografias de cada mito

Põe a prova seus limites 

Na epopéia de cada indivíduo 

Heróis e heroínas sobre trilhos 

Na lida pelas labutas 

Vagão a caverna apertada

Espremendo cada afeto 

Na batalha com seu leão 

Conta com tolerância do patrão 

Porque deu boi na linha

O percurso da alquimia 

Nunca chega o mesmo

Cada episódio tem sua metáfora 

Há quem se comporta como animal

Cafajeste roça ombros das sentadas

Outras defende -se com sacolas

 Gestante frustrada por uma vaga

cabeças e cotovelos nas têmporas

Tendão tencionado que arde

Cada parada a fadiga da demora 

Chacoalhados como carga 

Elixir dessa saga 

 São os filhos que esperam em casa

Balanço da sobrevivência 

Nos padrões matinais 

Piora no final da tarde 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


MITO E A ARTE NA CAPELA DOS AFLITOS

MITO E A ARTE 

NA CAPELA DOS AFLITOS 

Faz tempo que me espera ?

- A magia do lugar me entreteve 

 olhar encantado como o templo

Elos que fazem do etéreo ser belo

Ambos atravessam o tempo

- Achei que não viria mais

Imagina, sou onipresente 

o deixei na companhia do silêncio 

Além do digno anfitrião 

Justifica o local do encontro 

É minha casa, com mitos urbanos

Aqui é a alma de nossa resenha 

“Partida, iniciação e retorno”

- Chaguinha foi morto na forca

O império e a calamidade 

Engano! não morto, desencarnado

Não sentiu a presença dele aqui?

Sentidos provocados. – É verdade 

Tornou-se o rebento de esperança 

Semente dessa irmandade

Ímpeto resistente na fé 

Colhe – se solidariedade 

Percebe, a Capela foi restaurada

É o reflexo da alma dos devotos 

Cantada em alegoria na avenida 

Sorrisos de devoção

 Desenhado no sorriso dos pés 

O herói, o mártir ,mito e a arte,

O estandarte é o seu manto 

No coletivo já somos manifestos

Por ser sagrado e glorioso 

A existência da divindade

Reflete no âmago do peito aflito 

Chaguinha já é Santo 

Fez ser presente a dignidade 

Ressignifica o espírito do povo

Por mais que tentem artimanhas 

Enforcar a memória 

Liberdade! Liberdade!

Nada haver, imigração nipônica 

Aqui pedaço da África ancestral 

O baronato adora ser colônia 

Incomodados com a glória 

Complexo em trilhos subterrâneo 

Cujo respiro, praça dos enforcados

Os fariseus não perdem a mania

 Paradoxo subverte a história 

-O que pensa para o artista ?

Já está escrito, a arte é a poesia 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


domingo, 12 de julho de 2026

INFERNO LACAIO

INFERNO LACAIO 

  Pensei que o inferno

fosse resenha de Dante

Ou mito judaico cristão 

Babado do Papado e rebanhos afins

Mundo infernal, retórica profética

“Só sei que nada sei “meu irmão 

Mas me surpreende ser slogan fascista

Nem o demônio desconfiou 

O império da teocracia 

Faz das forças sincréticas 

Brinquedo de criança 

molde polarizado a alcova de supremacia 

Torna elástica a filosofia escolástica 

Que lástima!

O enxofre que o povo tomou

Tomaz de Aquino liga para Aristóteles 

-Há um câncer no legado 

Os assassinos de Cristo 

O tema , a palavra e o sagrado 

A proselitismo infame.

Lucidez vulnerável 

Joga o Divino ao lodo

Em palanques crucificado 

E toda patifaria teológica que se tornou

Armadilha no vernáculo 

Paradoxo com dialeto hebraico 

Transfigura o ato de entrega

A renegar o mundo plural

A abduzidos ao engodo 

Sonetos do espírito a ruídos do esquema 

Seria a, nova divina comédia 

Se não fosse distopia sem igual 

Com direito a sequelas dessa tragédia 

Instrumentalizar arquétipos 

Medida por suas réguas 

Para disritmia dos afetos 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

INTEGRIDADE NO CÁRCERE


INTEGRIDADE NO CÁRCERE 

Dignidade na gaiola 

Violada se prende 

Junto com carcereiro 

Em nome de libertar-se

Ludibriar a sobriedade 

Com o complexo de Jó 

Com Deus nada factual 

O submetido ao manto 

Com peça do tecido social.

Na estética do cárcere 

 vestiram o programado 

O defunto é sempre maior

O cobre por completo  

Com medidas excepcional 

Abusa do eufemismo 

Hegemonia de uma cultura

Que o move como peão 

Dão seu pescoço pela corte

E aos liberais de ocasião 

Uma espécie de dízimo 

Com a ganância dominante 

Se rege com algoritmos

Para cercear a ciência 

Asfixiar a arte 

E queimar os livros 

Disritmia esquálida 

Pastores capítulo a parte

Com conluio de bancadas

Pensar, coisa de atrevido 

Que resiste com Aforismos

Com mínimo que se permita

Em postagem programadas

Nessa fábrica de pós verdade 

E sua máquina de moer carne

Molda os ideais da necropolitica 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 


 

sábado, 11 de julho de 2026

ENCONTRO MODERNO

 ENCONTRO MODERNO

 Estou com vontade de você

 sentir nossas pernas se encaixar 

Até pedi para o silêncio

 a melhor hora de dar um tempo

 quando os olhos resolverem falar

Que chova, faça frio lá fora

Porque aqui no peito

 tem lugar pra te esquentar 

Alertei o cabimento que caiba certo 

as palavras no lugar 

Que escolha cada verbo, 

que dá movimento ao verso

Para o sussurro declamar

Que a emoção não se descontrole

Não posso dar mole

Tenho que ser suave e fraterno 

 se não começo a gaguejar 

Só de pensar se intromete a tensão 

Sabemos a modernidade como é 

Ela pediu que a curtisse no Instagram 

Sou rei da bola fora

Quem cai na rede é mané 

De pronto pedi a localização 

Bom avisar, liberaram as possibilidades 

Que a estética me faça maneirar

Não me deixa ir de terno 

Esconde gravata plastron 

Tanta emoção, não tenho mais idade

Porque o que está programado 

Luau romântico a beira mar

Imprevisto faz conluio com dilema 

se o incerto, palpite de irmos ao samba

Começarei errado 

Camiseta de rock e tênis bamba 

Se ela perguntar se gosto hip Hop 

De folga ao verbo, cancele o poema.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

TRIBUNAL DA INSÔNIA

 

TRIBUNAL DA INSÔNIA 

Quantas culpas de insônia 

Pensava–se, além do bem e do mal

Sobre palanque da arrogância 

Chegou acertos de contas 

Inferno de Dante da consciência 

Entre o Eu e a Sombra 

Sobre crises de Selfie 

A noite manteve -se calada

Sem intervir paciente

Briga da existência não se mete

Crepúsculo moral

Maculou sua história 

A consciência pesada

Intolerância com descaso 

Preconceitos foram a meta

A serviço da escória 

Massaroco pela estrada 

Sumo dos maus presságio

Da vida nada se leva

É Justo o gosto amargo 

Dessa poética resenha

Quando o ser vira rejeito 

Linda mulher ao seu lado

Que a misoginia o impede de ver

É o contraste da luz e as trevas 

A úlcera o isola 

Mente, coração, e o que vem de fora

O personagem perdeu o nome 

Nesse refúgio do tormento 

Pode ser o outro, você, até esse poeta

Rusgas sobrepostas, trancou as portas 

Monstro interno o consome

O fez idiota, sem identidade 

A alma transformou em gosma

Alegria e a ilusão, o abandonaram 

Decepcionada na noite de verão 

O amor não se compra mais

Sobrou a dor do arrependido 

Que a soberba plantou

Há vida lá fora, anunciada pelo vento 

Enquanto dentro umbral de silêncio 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

MÃO SONÂMBULA


 MÃO SONÂMBULA 

Quando o sono mergulha

mão inócua e formigando também dormiu

Sem que a razão controlasse, se move

Sonambulismo empunhando a paixão 

Não! Boba não! Sonâmbula !?

Distúrbio do sono na fração do corpo 

Enquanto o tutor pesa na cama

Polegar, Indicador, Médio, Anelar e mindinho

Passeiam com a palma da mão 

Cinco articulados do Apocalipse 

Heróis românticos com sede de vida

Madrugada, cama, lua que adentra deram tom

Sonambulismo não tivesse sonância

O título seria “a fonte é a flor”

Pássaro que paira na quietude da noite 

Mão desliza sonambúlica como se voasse 

Claro que o céu é a beleza da amada

Uniram-se como dança de roda

Pele a palma e os cinco cavaleiros 

Na batuta dos sonhos 

Mergulham nas mechas dos cabelos 

Que amaciou todos os sentidos 

Devoção como se fosse coroa de Dada

Pontas dos dedos sorviam o perfume 

Feito abelha colhendo seu mel

A valsa doce do amor

O indicador tocou seu nódulo 

O sino da graça ornada pelo ouro 

Segue o amalhar pela nuca 

Tipo pássaros que aconchega no ninho 

Para alimentarem se do seu calor 

Banquete que serve sobre Lençóis 

A linha da vida adorna o pescoço 

O quero- quero da quiromancia 

A linha do coração se expande no peito 

Delineia seus seios e até fazem bico

O suspiro dos sentidos 

Aos carinhos de candura 

Acompanha a doçura das formas

Circula o umbigo o broto ancestral 

Contorna a cintura, a trilha do afeto 

Laço eterno de sua primavera 

Serenata das sonatas sonares

Vibradas pelo vento quando assovia

A cortina saltita a catarse da janela 

Aberta como a boca da noite 

a mão sob lingerie de algodão 

Acaricia as pétalas da púbis 

O rito de chegada a flora

Asas do beija-flor estimulam o pólen

 Pulsátil e vivo dedilhar

As digitais pulsares o desejo 

Amor narra o epílogo do sonho

Após senti-la como prece

Pousa em suas ancas

Com abraço apaixonado e adormece 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 




 

AS TRANCAS SE ABREM

AS TRANCAS SE ABREM 

Salve brisa da madrugada 

A noite está calada 

Só pra ouvir o coração falar

As batidas evocam orixá

Ao xire que trago no peito 

Para receber a chave

Que abra as cancelas 

E me tire desse entrave

Rogo por ti amado Ayrá 

Como o copo de vela

Arde com chama parada

o lume que vou adentro 

Acalma o pensamento 

É prece e fundamento 

Que atravessa a névoa 

Para que seja a luminária 

Que encontre a saída 

Nesse véu de mistério 

Tira-me da clausura 

Quais chaves abrem as trancas?

Da vida, da rua, do transe

Os entes sagrados deram a bença 

orobô, um obi e um punhal

Orientaram o Ori. 

Para atender aonde vou

 Depois do ministério 

Fizeram -me memorizar

O que vivi, vi e aprendi 

Oxum me deu uma moringa 

Com água abençoada do rio

Sua morara sagrada o Ota

Para melhor me acompanhar 

E decifrar ao que me atino

E Abebê pra não esquecer o que sou

Chega a encher o bornal 

Quando o pai passa o enigma 

A chave é o destino.

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

MIRANTE DAS QUERÊNCIAS

MIRANTE DAS QUERÊNCIAS 

 Sua sensibilidade e doçura 

Favorece o fascínio 

Ah como espero

O luar de resenhas

Trocadas como figurinha rara

Guardada às núpcias da empatia 

Noite que olhares baixam a guarda

Que os sorrisos se entregam ao deleite 

Começam supostamente tímidos

É que nunca provaram sinergia 

Mas se abrem logo pelo aconchego

Gole saboreia o licor de vida

enrola com a mão a mecha dos cabelos 

 bandeira sutil envolta os dedos 

Toca-me como dengo 

Admirados o eu e o mim

Aprovamos o fresco encontro 

Gosto que se põe frente a frente 

Sorriso parado, como bonecos de jardim 

Paralisamos até o vento 

Prendemos o suspiro 

Saborearemos, um ao outro 

As palavras exalam aroma jasmim 

Nota-se o amor, paira presente 

E a ternura baila leve

Sem programarmos, pausa o momento 

Para a declamação dos olhos

Brilham como planetas 

Trovadores que nos regem

Parecia um acesso de febre

Tirando pelo rubor das faces 

Eram os fogos internos que ardia 

Nos levam em alguma galáxia 

Um mirante de querências 

Eternidade tem segredos sábios 

Sem emitir uma palavra 

As almas falaram juntas 

Abrimos sorriso cúmplice 

Levemente aproxima os ares

Deliciando décimo de segundos

Calores secaram os lábios 

Pelo cupido fomos alvejados 

As línguas na tocaia do desejo

Prontas a troca de céu 

Nos entregamos aos beijos molhados 

SÉRGIO CUMINO 

LUME LUSCO-FUSCO